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7 de abr. de 2018

Confissões

Eu tive vários amores. Dezenas deles. Talvez centenas.

Todos eles vivem e viveram na minha cabeça. Naquele mundo obscuro que ninguém pode entrar.

Alguns até toquei fisicamente. O resto ~a grande maioria~, não. Mas isso importa?

Eu desejei, eu sonhei, eu vibrei, eu pensei, eu imaginei, eu planejei.

Eu pedi pelas oportunidades de conhecê-los? Ou de que eles fossem "o certo".

Eu me toquei com vontade e paixão, tendo cada um na minha mente enquanto deitado na cama.

Eu gastei horas e horas da minha existência terrena com minhas inúmeras fantasias de sentimentos, aventuras, sexo e amor.

De corpo, eu estava só. De mente, eu estava acompanhado.

E foram vários. Como eu amei cada um deles! Minhas paixões impossíveis da adolescência, cada um que conheci por aí no mundo virtual, e os poucos que pude ver pessoalmente.

Eu fui até eles. Eu quis eles. Mas sempre houve barreiras que impediam os corpos de se unirem.

Gosto de pensar que eles, mesmo que por um ínfimo de segundo, me quiseram. Gosto de pensar que fui atraente pra alguma alma nesse mundo.

Posso muito bem estar errado...

E do que adianta ter sido atraente só por um segundo? Por um dia? Por uma semana.

Meus amores me deixaram. Uns ao longo do tempo, muitos em apenas um dia. Todos me deixaram com um adeus que não pude ouvir claramente, só sentir.

Eu amei, apesar da distância e da impossibilidade de nos encontrarmos. Eu amei, apesar de saber que a conversa duraria só um dia. Eu amei, apesar de que eu sei que o interesse logo iria acabar. Eu amei, mesmo sabendo que jamais seria recíproco.

Eu amei, apesar da linha traçada, a linha do "você é só curtição". Eu amei, apesar do vácuo. Eu amei, apesar do tempo nosso ter simplesmente acabado. Eu amei, apesar de nós percebermos que não queríamos o mesmo.

Eu amei o aqueles que são reais, aqueles que são fictícios, e aqueles impossíveis de existir.

Amei todos. E essa é minha desgraça...

Eu amei muito... É uma merda. Eu odeio. Eu odeio amar. Eu odeio um amor que nunca virá.

No fim, cá estou; sonhando com outros corpos além do meu. Mas sem ninguém. Sozinho. Eu, o quarto, a cama, e mais eu. Talvez... eu tenha nascido só pra isso mesmo.



10 de dez. de 2017

Minhas primeiras vezes

O título é muito sugestivo, né? Primeiras vezes? Quais primeiras vezes? (tem mais de uma primeira vez?)

Sim, hoje vou falar de primeiras vezes. Das minhas primeiras vezes. Esse é o trecentésimo artigo e acho justo dedicá-lo apenas a essa maravilhosa pessoa que sou eu.

Sim, o artigo será mais descontraído. Militantes precisam de descanso também, viu?

Posso falar de tantas primeiras vezes. A primeira vez que fui na praia, a primeira vez que fui no cinema, a primeira vez que joguei um videogame, a primeira vez que andei de bicicleta, a primeira vez que madruguei fora de casa, a primeira vez que fui numa balada, enfim, são tantas!

Tem aquelas primeiras vezes que são bastante peculiares. Como a primeira vez que dormi pelado (foi esquisito, mas depois me acostumei), a primeira vez que cozinhei minha própria comida (e estava deliciosa!), a primeira vez em que acordei cedo para ir à escola (ai que horror), a primeira vez que fumei maconha (engasguei com a fumaça), a primeira vez que comprei algo inútil com meu dinheiro (aquela sensação de gastar por gastar), ou a primeira vez que comi uma coxinha de jaca (para minha surpresa é saborosa).

Mas chega disso tudo porque sei que muitxs de vocês devem estar querendo ler sobre coisas mais íntimas. Ok, vou agora para as primeiras vezes mais... pessoais. u.u

A primeira vez que vi um pornô foi ótima pela novidade, mas tensa pelo medo de ser flagrado. A primeira vez que me masturbei foi maravilhosa, melhor ainda sem o sentimento de culpa. A primeira vez que mandei nudes foi muito espontânea, taquei o foda-se para a insegurança. A primeira vez que beijei foi boa, porém expectativas romantizadas foram quebradas. A primeira vez que fiquei pelado na frente de outra pessoa foi gostosamente impulsiva. A primeira vez que fiz sexo virtual foi cheia de tesão, libertei minha safadeza interna. A primeira vez que fiz sexo físico foi estranha e engraçada, nem boa ou ruim.

Se espero mais primeiras vezes? Clarooo! Tem tanta coisa que quero fazer, tantas comidas e bebidas a serem experimentadas, lugares para ir e explorar, livros para ler, enfim. E ainda aguardo meu primeiro sexo a três (p-o-l-ê-m-i-k-a).

É isso? Sim, é isso. Os maiores detalhes guardo para minha alma. =^.^=

Um brinde a todas as minhas primeiras vezes. Pois se não fossem por elas eu não teria histórias para contar. Pois sem elas eu não teria vivido. Pois caso não tivessem ocorrido, então não seriam primeiras (óbvio).



29 de out. de 2017

Confissões

A cada dia que passa percebo mais e mais que a escola foi um dos ambientes mais tóxicos da minha vida. Na verdade ela é tóxica para todas as pessoas. Mas aqui falo de toxicidades bem específicas.

A escola tentou me ensinar o que era a vida: namorar menina, casar, ter filhos, arrumar um emprego de sucesso, ganhar dinheiro, gastá-lo com bens materiais, e... esperar uma morte tranquila? Não lembro se me ensinaram a como morrer, só lembro do processo de decomposição.

A escola tentou me ensinar que eu, menino, tinha capacidades e aptidões que meninas supostamente não tinham. Eu tinha a força, o raciocínio lógico, a inexplicável pré-disposição a ser bem-sucedido no mundo dos negócios e das empresas.

A escola tentou me ensinar como era ser menino. Me vestir como um, falar como um, agir como um, as características típicas de um ser homem, como ser um homem "de verdade" (nunca descobri o que era um homem de mentira).

A escola tentou. E eu fracassei.

Os colegas de classe, os professores, as aulas, as piadas, os comentários, tudo isso tentou me empurrar um modelo ideal de homem heterossexual e cisgênero que eu deveria seguir. Porque é o correto, apenas isso.

E eu tentei o que, acredito eu, todos já tentaram: se encaixar. Vamos tentar seguir a norma. Afinal se existe norma, é porque ela é a correta, certo? Vamos tentar ser o que a escola ensina, porque ela sabe o que é bom para nós, certo?

E aí você tenta. Tenta falar grosso, tenta ser agressivo, tenta gostar de futebol, tenta ser pegador. Você não consegue. E mesmo assim até persegue o coleguinha que também não consegue, assim podem te aceitar.

Você faz mal, você se faz mal, você aceita o mal sem questionar. Não é culpa nossa. Ninguém ensina a questionar, a ter senso crítico, a seguir sua própria natureza.

A escola te ensina tudo que você não consegue ser. E você sai dela se sentindo um fracasso.

E só muito tempo depois que aprendi que não havia nada de errado comigo. A escola era o problema. O sistema é o problema. Eu não fracassei. Você não fracassou. Nós não fracassamos. A luta foi difícil, mas o importante é resistir e não se perder.

Porém, não importa o quanto você seja consciente ou empoderado, as marcas do passado não somem. O passado não some. Os danos da escola continuam na alma. Meu eu atual sabe que não fracassou. Mas meu eu de antes não sabia. A criança não sabia. O adolescente não sabia. Ela e ele ainda existem. Na memória.



27 de jul. de 2017

Confissões

Sempre nos sentimos diferentes desde criança. E assim nos sentimos porque assim somos. Cientes mesmo antes de entender o significado da palavra diferença que somos um pontinho colorido num mar de preto e branco.

Dificilmente você encontrará outra pessoa colorida que não fingiu fazer parte do preto-e-branco. Porque sabemos que somos diferentes. E, de alguma forma, associamos o que é diferente com o que é errado. Como se tivéssemos nascido com algum defeito.

A dúvida, o receio e o medo crescem com a idade. A família não pode saber! Os amigos também não! Ninguém entenderá! Não temos alguém para nos iluminar, alguma referência. Sozinhos...

O passado nos persegue. Aquele passado que gritava na mente: "se esconda", "é errado ser assim", "não se exponha tanto", "você é estranho". Muitos de nós ainda têm vergonha de falar sobre o que somos e sentimos.

Toda a repressão a que somos submetidos ainda nos marca, como se fosse ferro quente aplicado na pele. Se você vier de família religiosa, puts, pior ainda! Eternamente um pecador.

Felizmente, e isso está mudando mais a cada dia, muitos de nós estão seguindo a luz. A luz que nos ensina que ser colorido é apenas uma das muitas formas de se viver a vida. Que nada tem de errado. Você é o que é, pronto. Qual o sentido de culpar-se por nascer assim?

Mesmo após essa longa viagem que é o processo de auto-aceitação, temos ferimentos adquiridos antes e ao longo do processo. Aquelas feridas da repressão, da culpa por ser o que a família não esperava, da raiva de ter tentado mudar e não ter conseguido.

Ainda hoje muitos de nós têm vergonha de falar da intimidade quando perguntam. Olham para os lados quando trocam carícias com alguém. Por reflexo escondem o gênero da pessoa e algumas informações num papo descontraído. São marcas tudo isso.

"Não sinta essas coisas", digo para mim mesmo todo dia. Errada é essa sociedade doente que quer determinar o que normal ou não. Deixe o ferimento cicatrizar e se tornar passado, um passado distante que não pode me atormentar.

Ser colorido é estar marcado. Ser colorido é precisar de força para se recuperar das marcas. Ser colorido é ter coragem e resistência contra aqueles que ainda querem nos marcar mais.

É difícil, sim. Mas lembre-se todo dia, toda hora: você não é o problema!



1 de jul. de 2017

Você não é trouxa

Não é novidade textos por aí falando das nossas relações atuais, que são relações líquidas - elas surgem, fluem, e escorrem logo por algum ralo invisível. Não duram e somem como se nem tivessem existido.

Vocês têm uma ótima conversa, encontram afinidades, o interesse é recíproco. E então no dia seguinte sua mensagem é visualizada e ignorada ou a pessoa aos poucos se torna distante e de repente desaparece.

O mais apropriado é aguardar alguma reação, mesmo que você seja expert nesse tipo de situação e pensa que sabe o resultado. As pessoas têm vida fora do mundo virtual, lembre-se sempre disso.

Porém, o resultado foi o esperado: te descartaram. "Mas a conversa foi tão boa, teve sintonia, tínhamos coisas em comum! Por quê?! Fui trouxa de novo!!!"

E então sua mente fica martelando com perguntas como: "Falei algo de errado? Teve algo em mim que não gostou? Será que conheceu alguém mais interessante?"

Eu quero dizer a você que já passou ou está passando por isso: não se culpe. Não fique tentando explicar ou justificar esse tipo de atitude. Hoje em dia as pessoas estão tão perdidas e são tão inconstantes que o desinteresse nem precisa de motivo. Ele apenas surge.

Nessa era da modernidade tornou-se muito fácil a comunicação. E da mesma forma tornou-se muito fácil cortar contatos. Podemos nos livrar de alguém com o simples comando de excluir ou bloquear, cortamos a pessoa das redes sociais e/ou apagamos seu número, pronto, elx não existe mais.

Nos alienamos com toda essa facilidade. Desaprendemos como conversar e como criar vínculos com as pessoas. Muitas vezes conversamos sem nem saber ao certo o que queremos.

Essa é a realidade atual. É uma merda? Sim, é uma merda. Ficamos com raiva, ficamos tristes, nos isolamos, deitamos na cama ouvindo música melancólica, e olhamos no espelho dizendo "nunca mais vou confiar de novo". Não quero mais ser trouxa!!!

Você não é trouxa por mostrar interesse.
Você não é trouxa por se abrir.
Você não é trouxa por tentar manter o contato.
Você não é trouxa por desejar.
Você não é trouxa por ter criado alguma expectativa.
Você não é trouxa por estar se sentindo triste com o que aconteceu.

Ponha isso na sua cabeça: você não é trouxa por querer alguém, novas amizades, ficantes ou conhecer alguém para uma relação duradoura. Você não é trouxa por querer criar vínculos. Você é uma pessoa maravilhosa!

A razão e a emoção são dois aspectos humanos que estão dentro de nós. Use a razão! Ela é fria, mas é analítica e crítica, ela enxerga o que a emoção não enxerga, ela pode te consolar quando a emoção só te traz dor e frustração.

Priorize a sua saúde mental e emocional. Ninguém se preocupa mais com sua própria saúde do que você. Se a pessoa está te fazendo mal, livre-se dela sem receio ou culpa. Te descartou? Excelente! Não pense que você perdeu, pense que se livrou. Se a outra pessoa não soube valorizar seu conteúdo e o seu interesse, então é um favor que ela te faz desaparecendo.

Aprenda a ser feliz em sua própria companhia. Quer ir no cinema, mas não tem ninguém? Vá. Quer passear em algum lugar, mas não tem ninguém? Vá. Quer viajar? Vá. Quer ir numa balada? Vá. Você não precisa de companhia para se divertir. Tem companhia? Ótimo, divirta-se também.

E não pense em se vingar do mundo se tornando uma pessoa fria e desinteressada. Não se torne aquilo que te feriu. Se você sabe o quanto é horrível o desinteresse, não faça com as outras pessoas. Acha mesmo que vai ganhar alguma satisfação em se tornar mais um monstro no mundo?

As relações líquidas são um problema e devemos lidar sem nos degradarmos. E antes de construir relações sólidas com as pessoas, construa uma com você mesmx.



8 de abr. de 2017

Confissões

Sou um pecador, assim como todo mundo. Tenho muitos pecados. Alguns que cometi, outros que ainda cometo.

O amor é lindo de se ver. Fico feliz por quem consegue encontrá-lo. E um lado meu adora observar casais, sejam conhecidos ou desconhecidos.

Mas quando os vejo, uma sombra me preenche. Ela é um pecado bem famoso. Eis meu maior pecado: inveja.

Eu invejo os sorrisos deles, invejo suas declarações de amor, invejo suas fotos juntos, invejo o afeto e a união dos dois, invejo só a ideia de imaginá-los se beijando ou transando enquanto fico mofando neste quarto solitário, sonhando com amores que nunca acontecerão, rejeitado por quase todos.

Não que eu fique desejando a separação do casal ou conflitos entre ambas as partes. Não sou esse monstro também. Mas invejo eles. E a inveja... bom, a inveja é uma merda.

"Por que eles conseguem e eu não?", "Como conseguiram isso?", "O que preciso fazer para ter o mesmo", perguntas que martelam minha mente enquanto a inveja perfura minha alma.

Claro, já apareceu gente interessada em mim. Só que um interesse superficial - sexual. E mais nada. Nada de amor, paixão, afeto e carinho para mim. Só sexo. Só. Amor, não. "Eu não mereço?!"

Tem dias que a amargura é tanta que não posso imaginar um casalzinho e só consigo formular um futuro sem ninguém, sem nunca ser tocado com amor, sem nunca ter um homem para chamar de namorado. Um futuro de solidão e... inveja.

"Que inveja desse amor", penso nos bons dias e nos maus dias. "Mas talvez não seja pra mim."

Gostaria de ter esperança em encontrar um amor, de vivenciar o mesmo que esses casais tão fofos, de pensar que quando menos esperar alguém vai aparecer. Porém, a vida não sorri para mim. E só me sobra uma coisa: inveja.

O que farei quando, por milagre, aparecer alguém e eu só tiver apenas inveja para dar?



2 de abr. de 2017

Educação sexual

Outro tema que gera polêmica entre famílias é se deve ou não incluir educação sexual nas escolas. Sim, nós aprendemos sobre anatomia e reprodução humanas antes da puberdade. Mas o que falta para as instituições é explorar a dimensão psicológica e social do sexo, não apenas o biológico.

Nessa nossa era da informação (ou deveria ser) crianças e adolescentes são constantemente expostos a temas como esse. Muito se fala sobre sexo, tesão e prazer. Mas pouco se fala sobre uma vida sexual saudável e controlada. E prevenção deveria ser abordada com mais insistência, e estar acessível a todas as camadas sociais.

Com que idade deve-se abordar sobre sexualidade na escola? Bem, acredito que um pouco antes da puberdade é aceitável; entre 11 a 13 anos. Alguns países fazem isso. Porém, falar de sexualidade dentro de casa não tem uma idade específica. Às vezes a criança vê e pergunta. Normal. E por que não responder com sinceridade que aquilo é algo que "adultos fazem"?

Nenhuma criança ficará traumatizada por descobrir como ela foi gerada. Aliás, a geração infanto-juvenil atual vê coisas muito piores na televisão e na Internet. É inevitável. O que não for falado em casa e/ou na escola será aprendido na Internet ou por aí fora de casa.

Crianças precisam aprender que existe sexualidade. Até porque elas mesmas têm sua própria sexualidade, mesmo que ainda não aflorada. E adolescentes precisam aprender que sexo não é brinquedo. Deve-se haver proteção e controle para evitar doenças (algumas incuráveis), distúrbios e gravidezes indesejáveis.

Se continuarmos tornando a sexualidade algo pecaminoso, feio ou proibido, a repressão sexual só aumentará, o que só serve para estimular os índices de disfunções e transtornos sexuais em jovens e pessoas adultas e idosas. É uma questão de saúde ao longo da vida!

E não apenas falar de sexo e prevenção, mas também precisamos abordar a diversidade sexual. Do que adianta promovermos uma educação melhor e falar sobre a heterossexualidade se deixarmos jovens homossexuais, bissexuais, pansexuais e assexuais na inexistência, sem referências ou respostas?

A mesma educação que fala de sexo reprodutivo pode também falar sobre sexo não reprodutivo. Todas as formas de relações sexuais devem ser explicadas e normalizadas para adolescentes terem vidas sexuais conscientes e plenas.

Fazer tabu sobre a sexualidade é manter a ignorância. Educar não é incentivar, e sim informar! Não educar é o que realmente incentiva jovens a matarem suas curiosidades de forma descuidada e prejudicial. Informação é a salvação dessa geração.



15 de jan. de 2017

Confissões

Eu era invisível. Eles não olhavam para mim. Talvez nem me ouviriam se eu falasse, ou mesmo gritasse. Nunca fui uma alternativa nem a vigésima opção. 

O milagre aconteceu: fui notado! Uma onda de alegria me inunda! "As coisas vão mudar?"

Alguém finalmente olhou para mim e percebeu que existo! Conseguiu ver alguma beleza em mim. Mostrou interesse em mim. Como não ficar feliz com isso?

Não é desespero. Só é algo surreal após tanto tempo sendo um... nada.

"Então chegou minha hora? A hora que falaram para eu esperar? O momento de viver um romance, andar de mãos dadas, ter uma companhia para o cinema?"

Eu quero ser esse garoto. Por que não? É errado querer isso?

Se há gente que consegue, por que não eu?

Porém o milagre se torna um fardo quando percebo que minha existência só serve para prazeres breves. Para curtição. Não me procuram para me conhecer, não se imaginam me namorando. Eu sou mera curtição.

Bateu o tesão e me enxergam. Não era isso que pedi! Não era essa atenção que eu queria!

"Só quero sexo casual." 
Sempre querem...
"Você parece ser bem legal, mas não procuro nada sério agora." 
Nunca procuram quando falam comigo.
"Curti você, Bora trocar nudes? Tem local?" 
Só meu corpo que importa aqui, né?
"Na verdade, eu namoro. Mas é relacionamento aberto." 
Oba, vou ser peguete de relação aberta!

Eu serei apenas um ficante, serei apenas um contatinho, serei aquela boca que beijou e na semana seguinte nem lembra o nome. Sexo. Eu só sirvo para sexo. Ou para nada.

Nessas horas acabo desejando que o milagre se desfaça, e eu volte a ser invisível. Porque ser visível também me mostrou que o amor não é para mim. Nunca me querem de verdade. 

Que inveja tenho desses garotos com sorte no amor! Continuem com os textos do Facebook e as lindas fotos do Instagram. Permanecerei aqui, na solidão do quarto, adorando e invejando tudo isso.

Por que nunca posso ser o garoto do romance, das mãos dadas, da companhia para o cinema?

Acho que mereço isso também. Não sirvo só para dar prazer, sabe.



27 de out. de 2016

Confissões

Eles são lindos, não são? Lindos juntos e lindos separados. Formam um casal tão fofo e doce. Conquistam a audiência, são comentados nas redes sociais, viram modelos para as pessoas reais.

Eles se conhecem ao acaso. Ou já se conhecem. Podem ser amigos ou apenas colegas da mesma escola. Trocam olhares e se apaixonam, um romance típico. Tão... lindos.

Mas eu não sou igual a eles. Eu não consigo ser como eles.

Não sou o garoto de corpo forte e malhado. Nem sou aquele de corpo magro, de barriga retinha. Quem dera ter aquele rostinho bonito e aquele charme natural. É do ator ou do personagem?

São lindos, ao contrário de mim... 

A paixão é bem mais intensa quando há beleza. E, claro, ficamos animados quando chega aquela cena mais... picante. Pode ser só um toque ou uma transa. Que sortudos! Sorte daqueles que são lindos, que são ícones da mídia, que aparecem nas revistas.

Eu não sou o garoto da obra. Eu sou aquele que consome a obra e fica desejando aquele romance. Almejo ser como os protagonistas.

A obra conta sua história. Praticamente todas seguem o mesmo estilo, como se todo romance gay fosse exatamente aquilo.

Cadê meu romance?

A obra condiz com a realidade? Condiz com a realidade de todos? É fácil assim ser flertado, desejado e viver uma aventura afetiva? É fácil para eles!

Eu queria ser lindo que nem eles. Olha, são tão felizes! Eu queria ter alguém lindo como eles! Veja, são inseparáveis!

A culpa é minha por não ser lindo como eles.

O problema sou eu? Ou é mídia?



21 de jul. de 2016

Confissões

Eles desaparecem. Somem sem deixar rastro. Aconteceu algo? Morreram? Foi de propósito?

Você e ele se conhecem. Vocês conversam. O papo flui lindamente, vocês têm afinidade.

"Tudo vai dar certo", você pensa. Dizem para não criarmos expectativas, ainda mais nesses tempos modernos de relações líquidas, sentimentos artificiais e interesses efêmeros.

Como não criar expectativa quando tudo está caminhando bem? 
Como não criar expectativa sendo que o que desejamos no fundo é que o melhor aconteça?
Ninguém aqui quer ser pessimista!

Você acorda numa bela manhã. Pega o celular e abre o WhatsApp. A foto dele sumiu.

"Que estranho..."

Não demora muito até você perceber que ele te excluiu. Excluiu o número e também das redes sociais. Se desapareceu mesmo, deve ter te bloqueado nelas.

Seu mundo despenca. Você fica sem chão. Um fluxo de negação, tristeza, indignação e frustração te inunda por dentro, até transborda. "O que houve?" Você ainda fica um tempinho sem entender.

 "O que fiz de errado?"

Se é horrível com quem estava criando ainda um vínculo, imagine para quem estava num relacionamento?

Ok, as coisas já não estavam muito boas, o contato estava distante, houve uma ou duas brigas bobas... Mas porra, avisa! Diga: "Não quero mais nada". Nem que seja apenas isso!

Nem precisa ter um vínculo enfraquecido. Acontece até com quem estava bem! Estava tudo um paraíso e, na manhã seguinte, um inferno.

 "O que fiz de errado?"

Deram o nome de "ghosting" para isso.

Isso é cruel. Isso demonstra covardia e imaturidade. Isso é a manifestação do mau-caráter.

Sumir da vida de alguém sem mais nem menos, sem nem avisar, mesmo que não revele os motivos. Se bem que no mínimo deveria dizer os motivos. Ninguém aqui é vidente!

Me pergunto até hoje: quem faz isso sente remorso depois? Quem faz isso pensou, nem que por um instante, no dano que causaria?

O seu sumiço dói. 
Dói mais ainda quando fico nessa dúvida: "O que fiz de errado?"



23 de abr. de 2016

Tipos de crush

Todxs nós temos crush por pessoas. Isso é comum, normal, parte do ciclo da vida humana, um fenômeno intrínseco da natureza. Sofremos de paixão por crush (de qualquer gênero), vivemos um amor bobo e frágil não correspondido e muitas vezes platônico.

Falemos um pouco sobre os tipos de crush que temos e vivenciamos nos tempos atuais:



1- Do metrô/ônibus/rua
Esse é doloroso por ser temporário. Você o vê lá, tranquilo, lindo e maravilhoso, e logo se separam. A paixão se vai com a mesma rapidez com que começou. Seus sonhos de casar e/ou construir uma família são destruídos. Prepare as músicas depressivas para mais tarde.

2- Da sua sala na escola/faculdade/curso ou do serviço
Esse é doloroso por ser duradouro. Você o vê todos os dias praticamente. Você procurou o Facebook e todas as informações possíveis na Internet. Se você consegue se aproximar, sinta-se com sorte. Se não consegue... porra, que coisa horrível gostar de alguém do seu cotidiano e nunca chegar na pessoa!

3- Das redes sociais
Aquela pessoinha das redes sociais, geralmente popular. Vocês podem até ter algum contato, depende de você e das circunstâncias. Mesmo assim, e mesmo morando na sua cidade, ele pode não estar acessível para ti, pois deve ter muita gente sedenta por ele e/ou ele namora. O pior é quando ele é solteiro e mora em outra cidade ou estado.

4- Da sua família
Putz... esse é polêmico. Geralmente é um primo, porque né, primos são aqueles parentes que sentimos vontade de dar uns pegas. Mas em compensação pesquisas amadoras indicam que esse é o crush mais provável de pegar.

5- O famoso
Ah, quem nunca se apaixonou por uma celebridade? Seja ator, cantor, compositor, etc. Ou até mesmo figuras da Internet, como Youtubers ou blogueiros. Pena que são os mais improváveis de termos nem que seja um contato mínimo.

6- Aquele-que-não-te-nota (ou ignora mesmo)
Não importa o que você faça; ele simplesmente não repara em você. O tipo mais cruel que existe, uma estaca flamejante no coração. Você é inexistente no mundo dele e não há chances de ser existente. Sugiro que pare de tentar e siga em frente.

7- Friendzone
Você tem contato com ele, mas não fala seus desejos e sentimentos. Tenta se aproximar mais, tenta ser uma figura presente em sua vida, tenta fazê-lo ver a relação entre vocês como algo mais... profundo. Mas não, ele só quer sua amizade. Só que vale ressaltar que ter a amizade de uma pessoa que você gosta é ótimo! Talvez isso possa evoluir (ou não).

Obs: se você não aceita a friendzone e corta a relação, então você não tinha amizade com a pessoa, apenas tesão.

8- O ficante
Ele te notou, te curtiu e vocês ficaram! Uhul!!! Mas então deu algo errado e se separaram... Dependendo do caso, o crush passa a ser mais uma figura odiada em sua lista (junto com algum ex). Uma história de amor com final infeliz.

9- O perfeito
Ele te notou, te curtiu, vocês ficaram, e estão juntos. Ou ficaram juntos por um bom tempo. Parabéns, você zerou a vida ao conseguir essa façanha!



E vocês, quais desses tipos de crush já tiveram? E quais já foram?
(se você for o número 6, nem fale comigo, ok?)



20 de abr. de 2016

Confissões

Ele é maravilhoso!

Como não ficar afim? Como não se interessar? Como não se apaixonar?

Como não começar a fantasiar e acabar criando expectativas?

Eu reúno toda minha coragem para me aproximar dele. "Talvez eu faça o tipo dele. Talvez nós temos afinidades. Talvez queremos a mesma coisa." Afinal, é errado querer tanto alguém, mesmo não conhecendo a pessoa?

E então me aproximo.

Quantas possibilidades podem ocorrer após isso: receber a atenção que quero, receber uma atenção diferente, não receber atenção nenhuma, conhecer a pessoa e me interessar mais, conhecer e me decepcionar...

Sempre queremos as melhores possibilidades. Contudo, as piores são as mais frequentes. Mesmo após ter se acostumado, elas ainda ferem um coração ainda quente.

"Mais um fracasso pra minha lista?"

Ele não se interessa por mim. O desinteresse é nítido. Às vezes vem acompanhado de certa pitada de desprezo. "Eu devo ser um nada pra ele. Ele deve pegar caras bem melhores."

Ele quer apenas minha amizade. Deixa claro que me quer como amigo. "Mas ele pega caras mais feios e desinteressantes do que eu", penso com prepotência (ou seria verdade?). "O que eles têm que eu não tenho???"

E quando ele é maldoso? Te dá a falsa impressão de estar te correspondendo e depois destrói cruelmente essa miragem. Tem tantos assim nos dias de hoje...

Às vezes dá medo de se aproximar daqueles garotos mais bonitos e populares. A maioria tão... esnobe.

Se ele já estiver conversando com outro além de mim, ah, nem devo perder meu tempo! Serei sempre trocado. A outra opção é sempre melhor.

O contato se rompe. Não porque eu quis. Mas porque é o melhor para mim.

"Ele também não manterá contato."

Eu digo a mim mesmo: "Me fecharei para o amor, pois ele nem deve existir. Não vou mais me aproximar dos caras. Cansei da decepção! Tornarei meu coração numa pedra de gelo!"

Até aparecer uma nova paixonite.



9 de abr. de 2016

Meu querido "P"

Fracasso amoroso faz parte da vida. Às vezes criamos expectativas demais, confiamos demais, nos agarramos à esperanças de que tudo pode melhorar quando uma relação começa a ruiu. O importante é aprendermos e seguir em frente.
O poema de hoje é para meu segundo ficante, aquele com quem tive meu primeiro encontro.



Meu querido "P", sempre te achei bonitinho e interessante.
Nunca parei para me aproximar de ti, por mais que fosse tentador.
Eu acompanhava seu espírito de ativista, mesmo distante.
Talvez algum dia conversaremos, eu falava em meu interior.

Meu querido "P", depois de tanto tempo você me deu um sinal.
Pensei duas ou três vezes até tomar coragem enfim.
E eu te correspondi, apesar de dias antes ter sofrido por um homem do mal.
Falar com você me fez pensar que o Destino havia sorrido para mim.

Meu querido "P", que rápidos fomos nós, marcando aquele encontro nosso.
Apesar de minha empolgação, tentei ao máximo manter os pés no chão.
Era meu primeiro encontro, e ao vê-lo só quis beijá-lo, "será que posso?"
Ver o filme e sair de mãos dadas contigo só me fez pensar na próxima ocasião.

Meu querido "P", oh que desgraça!, o afeto e o contato foram caindo mais e mais.
Suas atitudes e seu silêncio mostraram seu pior, "será que de novo fui eu a errar?"
Você disse que a culpa não era minha, e me ofereceu apenas amizade, amor jamais.
Mostrei meu apoio e te ofereci amizade, e você nada fez além de me desprezar.

Meu querido "P", afinal pus um basta em minha tristeza e me livrei de ti, "que alívio".
Fiz questão de devolver o livro e o dinheiro do cinema, meu coração agora tinha vaga.
E com xingamentos e ameaças numa madrugada você retornou do oblívio.
Com compostura te acalmei e marcamos uma conversa, "me livrarei dessa praga!"

Meu querido "P", afinal fui ao seu encontro, para te ouvir e as coisas esclarecer.
Dissimulado, isso tu é, agiu como se nada tivesse acontecido, pareceu um terror de tevê.
Espero que dessa vez você desapareça, pois eu ainda tenho muito a viver.
Que fique de experiência para eu nunca conhecer outro demônio como você.



Meu querido "P", escrevi esse texto para retirá-lo definitivamente de dentro do meu ser.

Siga sua vida e eu segurei a minha.

Paz ✌



24 de fev. de 2016

Virgindade

Isso já foi um assunto mais polêmico, principalmente quando referente às mulheres. A religiosidade e as supostas boas morais e costumes sempre cobraram castidade delas até o casamento.

E dos homens... bem, teoricamente deveria ser cobrada pelos mesmos princípios. Na prática, nunca foi tão cobrada assim. O arquétipo que a sociedade construiu do homem é que ele é um tremendo bicho reprodutor. E por isso a sexualidade masculina (hétero) sempre foi mais livre de restrições e julgamentos.

Nesses tempos pós-modernos as novas gerações não fizeram questão de se prender a esses dogmas e quebraram várias barreiras. Não é incomum jovens que acabaram de atingir a puberdade (geralmente aos 13 anos) já iniciarem vida sexual, de alguma forma. A juventude atual abriu a mente para fazerem o que quiserem e quando quiserem, sem nem esconderem. E nosso querido mundo virtual abriu várias portas para as pessoas, incluindo as dos encontros rápidos e do sexo casual.

Eu percebo que existe uma cobrança sobre a vida sexual alheia, uma cobrança de que jovens sejam bem bem bem transantes, ainda mais por serem jovens. A juventude é a fase da fertilidade, das aventuras sexuais, do gozo, do prazer, enfim, já entenderam hahaha. Há virgens que mentem para terem aceitação na rodinha dos atores pornôs mirins da escola. E há também quem transa mais por pressão de outrem.

Não tenho nenhum problema em dizer que sou virgem. Não é nada vergonhoso ou assombroso. E sim, sou virgem aos 22 anos. Como isso é possível, ainda mais no mundo atual? Bem... por opção.

Assim que revelo isso, há quem se surpreenda e há quem aparenta indiferença. Quem se surpreende, bem, é compreensível o motivo. Como eu já disse, as pessoas já transam assim que começa a bendita puberdade. E também, convenhamos, é fácil achar uma foda casual por aí.

Até hoje só um colega meu me encheu o saco sobre eu transar logo. Mas tentei levar mais na zoeira. O que me incomoda mais é quando virgindade vira piada na Internet (virjão), quando usam como "ofensa", ou quando associam virgens a pessoas que fazem certas nerdices (como jogar LoL). E o que me assusta é quando virgens viram fetiche de pessoas mal-intencionadas.

"Mas afinal, por que optou por isso até agora?"
Confesso que já tentei me abrir para o sexo casual. Foi com o menino com quem tive meu primeiro beijo. Ficamos só nos beijos. Acho que não nasci para coisas casuais, pois não consigo separar o sexual do afetivo. Há quem consiga, e não é meu caso. Não suporto a ideia de transar com alguém e ficar apenas nisso, mais nada, sem sentimento ou um envolvimento mais profundo.

Até o presente momento não me apareceu alguém, a "pessoa certa". Não estou procurando mais um príncipe encantado que será meu parceiro pelo resto da vida. Nem procuro "a transa". Só quero que seja com alguém que eu goste e que goste de mim, alguém que faça eu me sentir à vontade. Essa é minha conduta, não quer dizer que seja a correta. É a correta para mim.

Para quem teve a primeira vez como quis e está feliz com isso, parabéns.
Para quem teve e não está feliz, tudo bem. Não deixe isso te abalar e continue sua vida.
E para quem ainda não teve, meu melhor conselho é: faça quando realmente quiser e com quem se sentir à vontade.

Beijos virgens para todxs!



23 de jan. de 2016

Por que não gostamos da escola?

Jovens e crianças sempre reclamam da escola. Por que será que isso acontece?

Claro que não são todxs que já reclamaram da escola. Mas com certeza não existe uma pessoa sequer que nunca tenha questionado o sistema ou o funcionamento da escola. Ainda há uma crença popular de que jovens e crianças nunca têm razão sobre apontar um aspecto negativo na instituição de ensino. Será mesmo?

O que mais há em escolas são burocracias. Contudo, não são apenas elas que cansam. O estresse pela exigência que você seja excelente em tudo, a competitividade negativa, as perguntas que nunca são respondidas, as respostas incompletas, a ausência ou pouca argumentação, a falta de direção que boa parte sente... tudo isso cansa.

A escola age mais como uma prisão do que como um centro de conhecimento. Temos a obrigação de assistir horas seguidas de aula em carteiras, com apenas um intervalo de menos de meia hora. Temos que obedecer às diversas regras, incluindo aquelas que não fazem sentido (exs: não mascar chiclete ou não usar boné). Não há muita liberdade, e isso sufoca as pessoas.

E não importa seu cansaço, insatisfação ou tédio; você tem que aprender! Mesmo aquela matéria que ninguém te explica o motivo de estar sendo ensinada. Vivemos mais de memorização do que de processamento de informação.

Nosso sistema de ensino se baseia em notas. E nossa tendência é acreditar que quem não tira a nota suficiente tem um "intelecto inferior". Óbvio que isso está longe de ser verdade. Temos exemplos de gênios que não eram bons na escola ou até que a abandonaram. E as provas só medem o preparo da pessoa para aquele dia.

E o ensino? Bom, o ensino brasileiro não é um dos melhores. Muita coisa falta. Algumas matérias importantes para o desenvolvimento infanto-juvenil estão excluídas (ex: música), aulas que deveriam ser divertidas acabam sendo chatas (ex: educação física), e a escola não faz questão de ensinar assuntos básicos - linguagem de trânsito, a estrutura do governo, como funciona uma nação, técnicas de primeiros-socorros, diversidade religiosa e respeito, entre outros. Sem contar que há adolescentes que começam a pensar no que farão na faculdade, porém encontram dificuldade devido as matérias não conseguirem lhes apontar um rumo.

É importante observar que falar sobre o governo poderia ser abordado em História. Entretanto, vivemos sob um governo corrupto demais, e é conveniente a população ser ignorante. Pelo menos a Internet compensa faltas como esta.

Como se não bastasse tudo isso, ainda há muitas famílias que não entendem que existem pessoas ruins em todo lugar, e que professores, diretores, e outras autoridades não fogem disso. Acham mesmo que não há por aí gente tomando uma advertência injusta, um esporro desnecessário, ou até passando por alguma humilhação? Eu já passei, colegas já passaram, e aposto que a maioria pode dizer também que passou e/ou conhece gente que passou.

Vou fazer um adendo sobre professores porque sei que a grande maioria leciona por gostar do que faz. É difícil para elxs também. Comecei a entender isso só no meu último ano de ensino médio; professores chegam a sofrer tanto quanto alunxs. Seja pelo salário, pela desvalorização diária e constante, ou por também questionarem o sistema.

Se nem pessoas hétero-cis conseguem ficar sem reclamar, imaginem LGBTs? Quem é LGBT sabe perfeitamente que a educação brasileira ou não aborda o tema ou aborda brevemente e de maneira errônea.

Não há quase nenhuma citação sobre nós na matéria de Ciência (Biologia). O ensino expõe o mundo como se houvesse apenas homens e mulheres cisgêneros e heterossexuais. Podemos até aparecer em Sociologia, mas em questões sobre "o que você pensa a respeito de gays?" ou "você acha que gays merecem os mesmos direitos que os héteros?" (sim, 'gays' ainda são sinônimo de LGBTs). Vale lembrar que o tabu feito sobre o tema também é culpa da forte influência cristã no país (embora sejamos um Estado Laico ¬¬).

Lembro-me de uma questão de Sociologia na minha classe que pedia para salvarmos apenas seis entre um grupo de pessoas. Uma das opções era um homem homossexual de 40 anos. Ninguém o salvou alegando que ele "não iria procriar". (wtf?)

Não vou dizer que um ensino falho é exclusividade do Brasil. Muitas escolas fora do país são assim também. Quem frequenta uma escola sempre acaba sentindo carência de algo. Há quem consiga aturar e seguir a vida escolar tranquilamente. E há quem se revolte e se torne rebelde (não é todo caso!).

Precisamos muito melhorar nossas escolas. Melhorando-as também podemos melhorar as futuras gerações. E no mundo atual precisamos muito de pessoas melhores - mais felizes, informadas, questionadoras e direcionadas.



16 de jan. de 2016

Confissões

Sinto-me inseguro quase sempre. Pode parecer bobagem para muitos, mas não é.

Precisamos de autoestima e confiança para nos aproximar de alguém que nos interessa.

Eu o avisto; às vezes está com um grupo ou parado em algum lugar - sentado numa cadeira ou encostado numa parede.

Normalmente as pessoas pensariam "vou lá". Aquelas abençoadas com autoestima e confiança!

Aquelas que têm menos se questionam:"vou ou não vou?"

Quando a resposta é "não vou", a razão é a mesma: medo de receber o não.

Será que sou bonito para ele? Será que sou interessante? Será que eu tenho o que ele procura? São tantas perguntas que jamais serão respondidas enquanto não aprendermos a ler a mente das pessoas.

Mas aqueles que têm ousadia em seus corações podem até pensar "vou lá!". E então logo em seguida recuam pela mesma razão.

Por que ele iria me querer? Por que devo tentar se é certeza que vou levar um não. Não sou como a maioria.

E por qual motivo tenho medo de receber um não, se na vida haverá tantos nãos?

Talvez o verdadeiro medo não seja receber a resposta negativa. Mas sim medo do sofrimento de receber mais uma resposta negativa.

Quem não se encaixa nos padrões atuais têm altas chances de receber o não. "Eu me encaixo nos padrões? Não."

Olha eles; bonitos, esbeltos ou malhados, estilosos, cheios de brilho, sociáveis, transmitindo espontaneidade e despertando desejo, não parecem ter receio, parecem ter tudo que querem.

"Eu não sou como eles", penso. "Talvez nunca serei."

Aquele complexo de inferioridade, típico de adolescente, fica me alfinetando dizendo-me que não mereço o que nunca serei. É assim que a vida funciona.

Volto para casa frustrado, deito a cabeça no travesseiro, me lamento por não ser o que o mundo atual quer que eu seja. E é provável que o ciclo se repita numa próxima noite.

Mais uma vez retorno do mesmo jeito que saí: inseguro.



2 de jan. de 2016

Pensamento do dia

Dizem que nunca ficamos com nosso primeiro amor. Pois nosso primeiro amor é justamente a primeira pessoa pela qual temos nosso primeiro sentimento afetivo ou amoroso. Talvez isso signifique que nosso destino é nunca ser "feliz para sempre", como nos contos de fada.

A fase da juventude é um pacotinho cheio de necessidades, questionamentos e vivências. Coisas que podem parecer estúpidas ou triviais nas fases posteriores. Namorar ou apaixonar-se é frequente na grande maioria dxs jovens.

Sortudx é quem consegue ter uma relação com quem quer. Abençoada seja essa pessoa, que pode viver a paixão com quem deseja.

A grande maioria das pessoas não consegue quem quer. E não ter quem queremos é uma dor insuportável.

Essa dor é ainda pior quando a pessoa que desejamos já namora. Ver sua pessoa amada nos braços de outra pessoa produz muitas emoções e sentimentos. Desperta também nosso pior lado; quando desejamos separação, ou até mesmo a morte da pessoa que está chupando nossa metade da laranja.

Lidar com amor correspondido é um dos maiores desafios da vida. A maturidade e a experiência podem nos dar respostas ou maneiras de enfrentar isso da melhor forma. Mas acredito que mesmo a pessoa mais madura e experiente não consiga vencer isso tão facilmente.

Não nascemos para ter nosso primeiro amor. Porém, lutamos e persistimos para ter nossos amores posteriores, seja o segundo, terceiro, décimo, vigésimo, enfim.

Acreditamos que temos o direito de sermos felizes com quem queremos estar. Mas a vida não dá esse luxo para todo mundo. Quem consegue, ótimo! Quem não consegue... bem, supere e parta para a próxima. Ficar remoendo um amor não correspondido nem vale a pena.

Existem várias maneiras de lidar positivamente com o amor não correspondido. A questão é: qual é a melhor maneira?

Se afastar? Tentar destruir o amor por dentro? Fingir que nada está acontecendo? Confessar para a pessoa?

Não há um consenso sobre como lidar com isso, nem uma receita universal para colar nossos pedaços de coração e fazê-lo bater de novo. A única certeza aqui é a dor, dor que nos corrói, que queima nossa alma. Dor que faz parte da vida.



9 de dez. de 2015

Relações atuais

Por que é tão difícil namorar atualmente?
Por que é tão difícil fazer novas amizades atualmente?
Por que é tão difícil conversar atualmente?
Por que é tão difícil manter contato atualmente?

Eu sempre sonhei em encontrar um príncipe encantado: um homem carinhoso, inteligente, lindo, forte, interessante, fiel, companheiro, que estaria sempre lá para me salvar, que estaria sempre esperando por mim, aquele com quem eu pudesse compartilhar meu mundo.

Ele e eu seríamos as duas metades de um só coração. E estaríamos unidos por um laço que nenhuma pessoa, desafio ou distância poderia romper. Nem mesmo a morte.

Talvez já tenha existido uma época em que essa idealização fosse possível. Atualmente ela é vista como uma mera fantasia, um devaneio louco. Alguém (além de mim) ainda acredita nisso? Será que não há uma pessoa assim, ou próxima disso?

E as amizades? Quase a mesma coisa... Assim como a maioria não quer mais namoro, fazer amizades também está ficando menos comum. Não apenas entre homens gays, mas hoje em dia as novas formas de amizades funcionam com um sistema de troca; a pessoa precisa ter popularidade, dinheiro ou beleza. Se bem que o primeiro quesito pode ser consequência do segundo e do terceiro.

Isso é perceptível dentro e fora das redes sociais. O cara bonitão que tem milhares de fãs no Instagram, aquela sub-celebridade que tem centenas de curtidas num "oi" que posta no Twitter, aquele ator que todo mundo quer seguir no Facebook.

Conversar parece um grande esforço. Mesmo que a tecnologia possibilite uma comunicação mais rápida e ampla com uma ou mais pessoas, nos dias de hoje o ato de conversar (no sentido mais verdadeiro da palavra) está se tornando cada vez mais incomum.

Mesmo havendo ainda quem aprecie falar pessoalmente, olho no olho, cara a cara, as pessoas em geral estão acostumando-se a viver mais e mais dentro de uma bolha. Lá é uma zona de conforto, um escudo contra a convivência. Por que as pessoas não querem mais conviver? Talvez seja porque ninguém nunca se satisfaz com o que a outra pessoa tem a oferecer (se ela tiver).

Contatos se perdem com o tempo quando a ligação entre as pessoas não é forte. Quantas pessoas cumprem com o que falam? "Vamos manter contato". A frase soa como piada de mau gosto para quem tem essa experiência. Não adianta nada você tentar manter o contato quando a outra pessoa não quer.

Por que as relações estão difíceis atualmente?



2 de dez. de 2015

Meu primeiro encontro

Muitas pessoas devem estar pensando "finalmente aconteceu!"; outras, provavelmente, "uau, nem acredito!". Pois bem, finalizo o ano de 2015 contando essa experiência.

Logo após uma (outra) decepção amorosa, na mesma semana, numa calorosa tarde de sábado, puxei conversa com um garoto que eu conhecia só por nome. Como ele chamou minha atenção, senti-me corajoso para chegar nele. Podia dar certo, podia dar errado (de novo)... mas algo dentro de mim disse: vai!

Imaginei que era novamente minha consciência me mandando para mais uma decepção desse ano. Porém, milagrosamente, o que aconteceu foi totalmente o oposto.

Eu e ele conversamos, tudo fluiu harmonicamente, senti que estávamos numa boa sintonia, e eu, louco como sou, simplesmente o chamei para sair. E ele, sem pensar muito, aceitou. Fiquei verdadeiramente surpreso! Ele simplesmente aceitou! Não houve questionamento, desculpas, ou uma pausa para pensar. Ele disse... "sim"! Foi o melhor "sim" que tive esse ano.

Mantivemos contato até a quinta-feira. Combinamos certinho o local e o horário de nos encontrarmos. Ele demorou um tempo. Durante a espera, por um instante, pensei no pior: que eu havia levado um bolo! E como de costume iniciei meus draminhas mexicanos na cabeça "oh, será que cometi um erro???", "ah, por que os homens são tão cruéis comigo?", "há, foi bom me iludir, foi bom pensar que alguém se interessaria por mim".

E então ele apareceu e tudo voltou ao seu estado perfeito e radiante. Quase dei pulos de alegria. Só não fiz isso porque as pessoas na rua me olhariam e ele teria vontade de sair correndo hahaha.

Fomos no cinema do Shopping Frei Caneca. Tivemos conversas legais no caminho e na espera para o filme. Tive receio de me abrir e de falar de coisas ruins, como a decepção da semana passada. Mas no fim falei de tudo. Ele me retribuiu da mesma forma. E, como eu esperava (vindo de uma pessoa madura), ele me aconselhou sobre meus erros.

De fato, talvez meu lado infantil fosse uma das causas dos homens nunca me levarem a sério e me tratarem como lixo. E criar expectativas também não me ajudava muito. Decidi que daquele momento em diante eu procuraria mudar.

O filme começou. Estávamos lá no escurinho do fundo do cinema. Eu nem acreditava. Estava um tanto nervoso (desde que ele chegou), mas eu aguardava alguma ação, fosse da minha ou da parte dele. Até que num belo momento ele me beijou. De maneira dominante até, porque nem consegui mover direito a boca. E a língua dele entrou com tudo hahaha.

Assistimos ao filme, e de momentos em momentos beijávamos e trocávamos algumas carícias. Estar com uma pessoa, estar com aquela pessoa, começou me causar mudanças. Notei que comecei a mudar minha forma de enxergar e sentir o mundo. E embora transbordasse de felicidade e de estar me sentindo realizado, fiquei intrigado por eu não estar apaixonado.

Quando fiz uma autoanálise, percebi que eu não estava ardendo de paixão, ficando tonto, e vivendo nas nuvens. Por um instante fiquei com medo de ter me tornado oficialmente insensível. Mas depois tudo ficou claro: eu estava vivendo a realidade! Talvez eu já estivesse amadurecendo. Aquilo é viver um sentimento real; gostar da pessoa, querer conhecê-la, e depois a paixão viria. O contrário é a fantasia em que eu estava preso até aquele dia.

Após o filme, andamos de mãos dadas na rua. "Devo ter enlouquecido", pensei. Mas logo em seguida liguei o foda-se e aproveitei o momento. Eu não queria me despedir dele, mas não foi algo difícil. Na verdade eu ansiava pela minha cama. Ele me ensinou coisas naquele dia, e me estimulou a ser mais ousado, a me mostrar mais para o mundo. Por mais que eu me declare um ativista, ele me fez reparar que, na prática, ainda vivo muito no armário.

Sinceramente, não esperava que eu terminasse o ano de 2015 tendo meu primeiro encontro. Pensei que ficaria para o ano que vem, ou depois... (talvez nunca)

O que valeu aqui não foram apenas os beijos, afeto, a presença dele, etc. Aprender e experimentar as maravilhas da espontaneidade também foram pontos importantes. E, claro, interagir com outra pessoa, dividir meu mundo e meu ser com ela, e deixá-la fazer o mesmo. Dei um passo grande como pessoa, e não posso negar que sinto gratidão. Gratidão a quem? Ao Universo e a mim mesmo, talvez à vida em si. Desde esse dia passei a acreditar que as coisas vêm na hora certa.

Não importa se no fim vai rolar ou não um namoro entre nós. Ao contrário do meu primeiro beijo, posso afirmar que meu primeiro encontro foi um acontecimento especial, e não me arrependerei dele. Dessa vez eu agi com consciência e sem perder minha essência.

Beijos nas almas de todxs 



4 de nov. de 2015

Decepção virtual

Este ano parece que todo mundo quis me fazer de trouxa.

Tentei me aproximar, tentei me socializar, tentei manter contato, tentei compreender as pessoas... resultado: nada. Puro e simples nada.

Fazer um Twitter esse ano foi uma novidade. Conheci novas pessoas com o passar desses meses.

Interagi com essas pessoas, querendo formar novos vínculos, criar novas amizades. Nada.

Algumas pessoas interagiram comigo, querendo tudo, menos uma amizade de verdade. Novamente, nada.

Por que os caras me bajularam, me elogiaram, me deram atenção? Na minha perspectiva, o que eles queriam de verdade era apenas me pegar, ou apenas me paquerar. Todos perderam o interesse em alguns dias. 

Me senti num aplicativo de novo: homens interagindo comigo apenas com segundas intenções. E quando não conseguem o que querem, me deixam, me descartam rápido.

Esses ainda são os caras que gostei ou até consegui suportar. Ainda teve uns doidos que mandaram/pediram nudes ou chegaram fazendo perguntas íntimas que odeio. Eles faziam eu me sentir um pedaço de carne. Canalhas que parecem animal no cio, sempre procurando uma presa...

No Facebook não foi tão diferente. Todas as pessoas novas que conheci esse ano fazem questão de não falar mais comigo. Até mesmo aquelas que aparentemente simpatizaram comigo, se identificaram comigo, e disseram "conte comigo sempre".

Calma, eu não levo isso ao pé da letra. Sei que a pessoa do outro lado tem a vida dela. Apenas gostaria de saber o motivo de minha mensagem nem ser visualizada, sendo que a pessoa tem atividade constante na rede... Estranho, não?

E, para completar, tem algumas pessoas que adicionei do Twitter. Uma parte nunca falou comigo e já me deixou no vácuo. Outra parte falou por um tempo e agora finge que nem existo.

Deste desabafo melancólico só posso concluir que as pessoas das redes sociais adoram mentir e adoram preencher o mundo virtual com decepções.

Será que ainda há pessoas diferentes?