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27 de abr. de 2017

Existe independência?

Uma vez há muito tempo me perguntei: será que podemos mesmos ser independentes? É mesmo possível? Ou é uma utopia?

Quando falamos em independência, no que pensamos? Ter uma casa, sua própria renda, capacidade de se sustentar, liberdade. Mas que liberdade seria essa? Seria o poder de fazer suas próprias escolhas e seguir o caminho que quiser.

Podemos ter nossa própria casa, podemos arrumar um emprego que pague bem suficiente para vivermos até com luxo, podemos seguir o caminho que quisermos. Mas isso é independência?

Tem gente que diz que ser independente é não precisar de ninguém. É possível não precisar de ninguém? Podemos nos isolar numa espécie de ilha e ter uma vida tranquila e digna com nossa própria companhia?

Sei que parece uma visão fútil, mas ter amizades é essencial. Criar vínculos com as pessoas nos permite ter vantagens e um porto seguro.

Não é ótimo ter alguém para te indicar numa vaga de emprego que paga muito? Não é ótimo ter alguém que te dê um presente que você não podia comprar? Não é ótimo ter um telefone para ligar caso precise de uma carona?

A partir daqui a tão sonhada independência começa a ser abalada. Vínculos facilitam nossa vida. Além disso, o ser humano é naturalmente um animal social. Ficar na solidão total ou isolar-se da sociedade nos faz adoecer, até enlouquecer.

Agora, como seria possível viver numa sociedade sem precisar de alguém? Você produz seu próprio alimento? Você fornece sua própria energia em casa? Você faz suas próprias roupas? Você paga seu próprio salário?

Não, temos grupos e instituições para tudo isso. Não se envergonhe, as coisas são assim. E não há nenhum problema nisso (tirando o capitalismo desenfreado e as questões que ele traz, mas isso fica pra outro artigo).

Bom, você pode resolver todas essas questões vivendo numa fazenda, plantando o que quiser e criando animais, tendo uma vida rústica e simples sem eletrodomésticos, e reunindo materiais e tendo técnica para fazer suas roupas. Porém, países te cobram para viver num pedaço de terra... Foda, né?

Supondo que exista uma maneira de evitar isso, aí sim seria a tão maravilhosa e inquestionável independência? Pode até ser. Agora, responda mais uma perguntinha: você consegue produzir água?

Não importa como vivemos, onde vivemos ou em que época vivemos, seremos sempre dependentes de uma força maior: a natureza. E, como foi dito, precisamos ao menos ter contato com pessoas. É... independência é uma fantasia. Pode admitir sem medo. Não tem problema.



8 de jan. de 2017

Diversidade na Natureza

Conservadores e gente preconceituosa adora falar de Biologia para atacar e anormalizar a diversidade humana de sexualidade, gênero e até sexo biológico. "A natureza é perfeita", dizem. "Só existe macho e fêmea, e ambos se completam, e assim deve ser". Só concordo com a primeira frase.

Vamos ver o que a própria Natureza tem a dizer ou nos mostrar sobre isso?

Comportamento homossexual/bissexual foi observado em diversas espécies. Entre essas espécies estão leões, carneiros, girafas, pinguins, muitos tipos de aves, e até macacos e golfinhos, dois animais que, além do ser humano, transam por prazer.

Existem casais homoafetivos de pássaros que passam juntos a vida toda. E já houve casais homoafetivos de pinguins que adotaram filhotes sem família. Até o modelo de família tradicional foi desafiado aqui.

Deixemos a sexualidade de lado. Falemos dos papeis do parzinho tradicional macho e fêmea. A fêmea é aquela que cuida da prole, certo? Na maioria sim. Menos no caso de pinguins, emas, sapos e rãs, e saguis; o macho é quem cuida dos filhotes. Bom, a fêmea é aquela que sempre dá à luz, né? Sim... com exceção dos cavalos-marinhos.

Todas as espécies se dividem apenas em macho e fêmea? Os seres hermafroditas discordam - eles têm os dois sexos. Exemplos? Minhocas, caracóis, lesmas, e alguns peixes. Quase todas as plantas que dão flores possuem nelas órgãos reprodutores femininos e masculinos.

E afinal, para que se limitar a ser macho ou fêmea a vida toda? Peixes como a garoupa e peixe-palhaço possuem órgãos de ambos os sexos, então seguem se desenvolvendo num sexo, mas depois seus órgãos convertem-se no outro. As bactérias do gênero Wolbachia infectam diversos insetos e fazem os machos se tornarem fêmeas mudando seu código genético.

Ok, existe animal hermafrodita. Mas no fim só encontramos dois sexos biológicos. Mentira, o protozoário Tetrahymena thermophila tem sete sexos.

Se a própria natureza é diversificada, por que a diversidade humana deveria ser discriminada? A diversidade está em quase todas as espécies. O preconceito só existe em uma.



27 de nov. de 2016

Jesus

Parece extremamente ridículo a ideia de um bebê nascer de uma mulher que nunca teve relação sexual. Parece mesmo, concordo. Segundo o cristianismo, essa é a origem de sua maior figura, Jesus.

Afinal, como poderia ter existido um homem nascido de uma mulher virgem???

Antes de você abrir a boca e dizer que é "cientificamente impossível", ou até mesmo que não existe nada disso em toda a natureza, preciso falar sobre duas coisas:

1- Partenogênese é o fenômeno de quando ocorre desenvolvimento embrionário a partir de um óvulo que não foi fecundado. Pode ocorrer numa rara ocasião onde dois óvulos se fundem e ativam a fecundação. Nunca foi observada na espécie humana e também não foi comprovada ser impossível de acontecer na mesma.

2- Síndrome de la Chapelle é uma variação genética rara onde um bebê é XX, (logo deveria nascer do sexo feminino), mas acaba desenvolvendo sexo masculino. Não entrarei em detalhes, mas devo observar que essas pessoas podem viver tranquilamente sem estarem cientes dessa condição.

Mesmo que a partenogênese ocorra no ser humano, o bebê teria cromossomos XX. E Jesus, sendo uma pessoa do sexo masculino, deveria ser XY. Essa contradição poderia ser resolvida pela síndrome mencionada.

Claro que não reuni todas essas informações numa busca épica de provar que Jesus existiu (nem cristão eu sou). Até acredito nele enquanto figura histórica. Apenas escrevi tudo isso para mostrar que, às vezes, somos tão prepotentes e achamos que sabemos tudo que fechamos nossa mente para possibilidades que, a princípio, parecem absurdas.

Supondo que a partenogênese tenha acontecido alguma milagrosa vez num bebê humano, quais seriam as chances de ocorrer simultaneamente com uma síndrome rara? As chances seriam muito próximas de 0%.

Entretanto, acho não podemos mais afirmar com total certeza de que jamais existiu ou existirá um ser humano que tenha nascido de uma reprodução assexuada. Até lá aguardamos esse verdadeiro milagre (cientificamente explicável) ser confirmado ou acontecer.



4 de mai. de 2016

XX e XY

[clique aqui para um artigo mais atualizado]

Que simples é o mundo das pessoas cissexuais, que acham que a humanidade se resume a "homens (quem tem pênis) e mulheres (quem tem vagina)". Como é fácil definir o gênero baseando-se no que a pessoa tem entre as pernas!

A biologia está aí para apoiar a ideia, afinal existe só XX e XY, né? Hm... não. O mundo não é dividido apenas em mulheres cis XX e homens cis XY.

Alguém aqui não estudou biologia. Na natureza encontramos também X0 (Síndrome de Turner), XXY (Síndrome de Klinefelter), XYY, XXX, entre outras variações cromossômicas. Existem até mulheres cis com células XY (Síndrome da insensibilização androgênica) e homens cis com células XX (Síndrome de la Chapelle)!

Afinal para que servem os cromossomos sexuais? Apenas para definir a anatomia da pessoa.

Eu costumo dizer que define a pessoa como "o macho ou a fêmea" da espécie humana. O ser humano ainda é um animal. E macho e fêmea só determinam o papel de cada parte na reprodução. Porém, o ser humano é complexo demais para se limitar a sexos de nascença e instintos básicos como a reprodução (e não transamos apenas para reproduzir!).

Sem contar que não existe apenas macho e fêmea, existe também a intersexualidade - pessoas intersexuais são aquelas com genitália ambígua ou indefinida. A ciência ainda trata essa diversificação como uma anomalia, infelizmente.

Não importa se a pessoa nasceu macho ou fêmea ou intersexual, ela pode mudar seu corpo se quiser ou sentir necessidade. Sua autopercepção vem de sua mente, não de seu corpo. Sua genitália não define sua identidade!

Eu gostaria de perguntar para essas pessoas transfóbicas, que adoram usar os cromossomos sexuais como argumento, como ficariam essas variações citadas e as pessoas intersexuais? Vai definir como o gênero dessas pessoas? A mulher X0 é "meio-mulher"? O homem cis XX não é homem? A pessoa intersexual é "metade mulher e metade homem"?

Quem define o gênero de alguém é a própria pessoa!

Agora se vier com o argumento de que não se pode mudar nosso "estado natural", que isso é contra a natureza e blábláblá, lembre-se das mudanças que pessoas cis sempre fizeram em seus corpos: silicone, bronzeamento artificial, plástica, tintas e tratamentos capilares, lentes de contato etc. Se pessoas cis podem mudar, por que pessoas trans também não podem? Menos hipocrisia, tá? ^^

A diversidade humana não está apenas na identidade de gênero e na anatomia, mas também  a nível cromossômico! Não somos animais simples, somos animais extremamente complexos e diversificados.

Agora repita comigo: cromossomos não definem o gênero de ninguém.



16 de abr. de 2016

Luz e Trevas

Quando estou imerso em meu mundo, fico filosofando comigo mesmo sobre diversos temas.

Um dia parei para refletir sobre o conceito de Luz e Trevas. Eu até acredito que realmente ambas existem em nós, no mundo, ao nosso redor. Se bem que as pessoas, creio, são complexas demais para serem separadas em "pessoas da Luz" e "pessoas das Trevas".

Nada e nem ninguém é 100% Luz ou Trevas. Aqui não existe 100%. Apenas existem porcentagens variadas, onde uma pode ser mais que a outra. Talvez até exista um equilíbrio.

Fisicamente falando, a luz é um fenômeno eletromagnético, composta por partículas chamadas fótons, que agem simultaneamente como partículas individuais e como uma onda de energia. As trevas, ou melhor, a escuridão é apenas a ausência da luz (ou até podemos dizer a ausência de cores).

O conceito de Luz e Trevas é basicamente o mesmo de Bem e Mal. Apesar que quando aplicamos o conhecimento do Yin-Yang, vemos que não apenas o 100% é inexistente como também o quão limitante é separar tudo entre bom e ruim. Segundo o Yin-Yang, a própria Luz tem uma fração de Trevas dentro dela, assim como as Trevas também têm uma fração de Luz.

Seria loucura dizer que dentro da Luz há coisas positivas e negativas, assim como nas Trevas há coisas negativas e positivas? A cada dia acredito que não é.

Foi então que parei para pensar: nós tratamos Luz e Trevas como duas forças separadas. E talvez isso esteja errado. Não há de fato essas duas forças. Tudo no Universo funciona a base de proporções de Luz. Onde há maiores proporções, definimos mais como Luz. E onde há menores, definimos mais como Trevas.

Aqui não medimos Luz ou Trevas. Só medimos a quantidade de Luz. Apenas Ela é o parâmetro de comparação. O mesmo vale para o mundo físico; não existe uma força da natureza específica para Trevas, ou melhor, para a escuridão.

Por isso mesmo que eu adoro o sistema de alinhamentos dos jogos de RPG. Eles não separam as personagens entre boas e ruins, mas sim em muitas categorias, que não são nada mais que proporções diferentes de Luz.

No fim das contas, tudo que existe no Universo se baseia em Luz.



27 de jan. de 2016

Cores, sons e cheiros

Quando somos crianças, aprendemos de todas as formas a interagir e entender o mundo ao nosso redor. Tudo é uma novidade, um oceano de possibilidades, um Universo de sensações.

Mas nunca deixamos de usar nossos sentidos, mesmo depois de atingirmos a maturidade.

Os três sentidos que ainda mais uso (e adoro usar) até hoje são visão, audição e olfato.

As cores nos chamam muito a atenção. Um mundo cheio de cores é um mundo vivo. E pensar que existem mais cores que nosso olho não consegue captar.

Podem ser cores mais fortes ou mais fracas, elas são sempre belas. Todas as cores têm sua beleza. Sempre gostei de observar as cores, e de pintar também. As tintas simplesmente me hipnotizavam, me davam vontade de colorir tudo. Mas claro que minha cor favorita, vermelho, sempre teve seu destaque, fosse numa maçã, num papel de presente, numa rosa, ou até mesmo no sangue.

Ouvir nós ouvimos desde a barriga da mãe. Depois do tato, esse deve ser o sentido mais presente no bebê até seu nascimento. Não há dúvidas que o bebê escuta a voz da mãe dentro do útero. E quando ainda não sabemos o que é cor, os sons se tornam um guia para identificar nosso meio.

O som que vem das pessoas, da natureza, dos objetos, do ambiente, o som de tudo é fascinante. Eu aprecio passos nas calçadas, água ou líquidos sendo colocados num copo, madeira ou carvão queimando, batidas numa porta de madeira, e até o mastigar de coisas crocantes. Nem preciso falar das músicas, né? As músicas nos causam todo tipo de sentimento e fenômeno. Elas podem nos fazer sentir uma felicidade que não precisa de explicação ou nos fazer recordar de uma situação passada.

Sentir cheiros pode complementar qualquer visão maravilhosa que temos. Pode parecer doideira, mas as pessoas se atraem pelo cheiro (os famosos ferormônios). Ademais, esse sentido está muito relacionado ao paladar (já perceberam que quando estamos com o nariz entupido sentimos bem menos os sabores?).

É comum farejarmos odores que nos despertam sentimentos (explicáveis ou não) ou memórias, seja cheiro de chuva, terra molhada, alguma comida exótica, um perfume de alguma fruta ou flor, às vezes até cheiro de couro, de livro novo ou de elevador velho. Comigo não é diferente. Até mesmo cheiros ruins podem ter esses efeitos (embora eu prefira evitá-los hahaha).

Eu realmente adoro esses três sentidos. Me fazem lembrar, pensar, refletir, me fazem experimentar o mundo ao meu redor de uma forma saborosamente subjetiva. Talvez esses sejam os momentos em que mais me entrego ao lado emotivo do que o racional. E querem saber? AMO.



3 de dez. de 2014

Pensamento do dia

O que é a beleza?

A beleza existe apenas nos olhos de quem vê?

Não seria ela, talvez, um conceito criado pelo ser humano?

Poderia o ser humano, em sua insignificância, sendo uma minúscula parte na Natureza, detentor do direito de dizer o que é ou não beleza?

Não falo de atração física. Não falo de animais fofinhos, de plantas de flores coloridas, de ditadura da beleza, nem nada disso. Nem falo exatamente sobre pessoas. Falo de tudo.

A Natureza com certeza é uma fonte ilimitada de beleza. Ela é perfeita, uma inteligência acima da compreensão, uma força que se adapta e se renova constantemente.

Ela deve ser a maior beleza de todas. Incomparável e incopiável (inventei essa palavra, não sei por que não está no dicionário).



O que a torna tão bela?

Bem, tudo. Absolutamente tudo. Ela tem a capacidade de originar a vida. E por que não dizer que ela é onipresente? "Ela está presente até mesmo no interior de um prédio de uma metrópole?" Claro que sim! Ela é a atmosfera, o ar, até mesmo o concreto do qual foi o prédio. Ela é você! Não importa se você é uma boa pessoa ou uma má pessoa; ela está em todo seu ser.

Sem contar que dependemos da Natureza. Precisamos dela. Atualmente muitos se esqueceram disso. Esqueceram completamente que ela é a provedora de tudo.

E tudo que pertence a ela também tem sua beleza. Seja uma pedra, rios e lagoas, um dia chuvoso, o matinho de um gramado, os trovões que espantam tanta gente, os fungos, e claro os animais. Todos os animais.

Tem gente que acha o ornitorrinco um bicho feio. Feio para quem? Feio por quê?
O ornitorrinco é lindo!!! Quem somos nós para ditar o que ele é ou deve ser?

(Não dá vontade de apertar? *---*)

Seria loucura demais enxergar a beleza até mesmo em terremotos e tsunamis? Eles, com todo seu poder destrutivo, ainda parte da Natureza. Não pensem que desastres naturais ocorrem por influência do ser humano ao longo dos tempos. Como o próprio nome diz, eles são naturais XD

Quando vamos enxergar a verdadeira beleza de toda Natureza que nos cerca, que nos rege, que nos constrói? Quanto tempo demoraremos para isso?

Quando vamos apreciar a verdadeira beleza do nosso mundo?