19 de dez. de 2019

Comentando uma notícia

AC: lesbomisia, violência heterossexista.



Há uns dias uma mulher lésbica e direitista que apoiou o presidente atual foi vítima de agressão motivada por heterossexismo.

Com isso, houve muitas reações. Focando na comunidade, houve uma divisão entre aquelus que se solidarizaram e aquelus que debocharam.

Bem, posso dizer que jamais apoiaria mensagens de ódio e aplaudindo o ocorrido. Considero algo desnecessário, revanchista-punitivista, e anti-estratégico. Mas não dá pra controlar essas coisas. E o que me irrita ainda mais é que a direita utilizará bem essas reações para dizer o quanto "a esquerda" é a "verdadeira intolerante".

E vi muita gente indo pelo caminho "paz e amor", colocando a pessoa como uma ignorante, uma coitada, ou alguém que deveria ser acolhida e receber solidariedade da comunidade, contudo e apesar de tudo, mesmo sendo alguém que se posiciona tão contra a comunidade toda; que deveríamos ser "diferentes" da direita.

Vamos lá....

Eu defendo e sempre defenderei o direito dessa pessoa de ser lésbica e não ser vítima de qualquer violência heterossexista. Não defender isso e ainda aplaudir a agressão seria hipócrita e contraditório de minha parte. Ponto. Agora, não me peçam solidariedade e nem pra acolher alguém como ela. Guardo solidariedade e acolhimento pra todes que são vítimas desse sistema que até pessoas como ela reforçam e sustentam.

Nem acho que deveríamos levar pro lado de que ela não merece acolhimento ou solidariedade. Ela nem quer essas coisas da comunidade. É bobagem achar que dá pra ser uma alma iluminada com toda vítima de alguma violência. Se ao menos o ocorrido tivesse mostrado a realidade e dado alguma consciência a ela, mas as atitudes posteriores dela mostram que ela continua a mesma pessoa.

Acredito que o caso dela deveria ser encarado como um reforço de que heterossexismo é uma realidade e não escolhe lados políticos. Poderia ser alguma conscientização para quem está ainda alienade ou que engole as retóricas falaciosas da direita de que heterossexismo não existe.

Minha conclusão em poucas palavras é: apanhou, não deveria ter apanhado, continua sendo um lixo, foda-se. Força pra minha comunidade LGBTQIAPN+.

11 de dez. de 2019

Isso não faz parte da comunidade!

AC: pedofilia, menciona zoofilia e necrofilia.



Não é de hoje que surge aleatoriamente na vastidão da Internet uma mentira ultrapassada e ainda famosa: que há uma grande quantidade de pedófiles (usando o termo "pedossexual" ainda) reivindicando que são de uma orientação sexual marginalizada, e que, portanto, deveriam estar na comunidade LGBTQIAPN+; sendo acrescentades como um outro grupo da letra P (ao lado de poli e pan).

Muito bem. Por que pedofilia não é uma orientação sexual?

Bem, só são reconhecidas como orientações todas as atrações que envolvam gêneros e condições que as despertem. Da mesma forma que ninguém especifica orientação por determinada etnia ou por um tipo físico e outros exemplos problemáticos e questionáveis, uma atração definida por uma faixa etária não faz o menor sentido.

Mas o problema maior nem é esse. Pedofilia envolve o desejo por crianças e infantes; ou seja, pessoas incapazes de consentir para sexo e relações, e que nem são biologicamente maduras para tais atos. E, claro, querer envolvimento com esse grupo de pessoas é crime e nada além de abuso. E a comunidade jamais admitirá isso, sendo que todas as pautas sobre afetividade e relação são apenas sobre pessoas capazes de consentir e desenvolvidas para tais atos.

Nem toda pessoa pedófila vai cometer um abuso. Porém, esse desejo é um distúrbio e recai em práticas criminosas. Isso não tem lugar na diversidade. E o melhor que posso recomendar a pessoas assim é tratamento imediato.

Tudo que foi dito vale da mesmíssima forma para zoofilia e necrofilia. E, sim, também se espalha ocasionalmente por aí que praticantes desses outros dois distúrbios querem um "devido lugar" na comunidade. Não!

E quem espalha esses rumores? Bem, principalmente pessoas e grupos que odeiam a comunidade e tentam de toda forma desmerecê-la com mentiras e distorções. É de praxe que setores conservadores associem pessoas heterodissidentes e até pessoas trans com pedofilia; o que, na minha opinião, é mais uma projeção que fazem pra tirar a atenção dos inúmeros casos de pedofilia e abuso cometidos pelos ilustres "cidadãos de bem" ou "pais de família" ou "homens de Deus". E há muitos grupos organizados para criar "campanhas" (como incluir pedossexuais) através de contas falsas, utilizando conhecimento de propaganda e sobre a comunidade para parecerem convincentes.

Tais rumores atingem bem seu objetivo com parcelas da população que são alienadas e ignorantes sobre a comunidade e questões relacionadas, ainda mais quem já odeia a comunidade por simples convenção social. Mas há também pessoas da própria comunidade que fomentam esses rumores; geralmente pessoas "LGBT-" que são contra a inclusão QIAPN+ e acreditam que inclusões legítimas abrirão brechas para as parafilias, ou gente que também cai nas campanhas falsas de trolls e reaças.

Concluindo, aqui está uma explicação do por que esses distúrbios não fazem parte da comunidade, nem farão parte, e a comunidade jamais aceitará nada disso como parte da diversidade sexual e afetiva. Não caiam nesses rumores ou nessas campanhas ocasionais pela Internet. E quem tiver um ou mais desses desejos, recomendo que procure urgentemente ajuda psicológica.

25 de nov. de 2019

Conceito: orientação afinitiva e amativa

No começo do ano foram cunhados termos para falar de duas categorias de orientações: afinitivas e amativas.

  • Orientação afinitiva: descreve por qual ou quais gêneros você sente ou não atração. Temos como exemplos gay, lésbica, bissexual, panromântique, assensual, entre outros.
  • Orientação amativa: descreve como funciona sua atração. Temos como exemplos muitas orientações a-espectrais, como demi, gris, cupio, etc.

Podem ser conceitos úteis para separar melhor identidades de atração, e também para normalizar mais as orientações amativas, pois ainda é frequente que muita gente veja mais sentido ou validade em orientações que especificam atração por determinados gêneros.

Enquanto orientações mono e muitas orientações multi são essencialmente afinitivas, orientações a-espectrais, fluídas e indefinidas são amativas num geral. E, claro, assim como há identidades que podem ser multi e fluídas, há aquelas que podem pertencer às duas categorias (ex: duo).