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19 de ago. de 2018

Representatividades em Steven Universe

AC: SPOILERS até a quinta temporada.



Começo este texto dizendo que considero Steven Universe um dos melhores desenhos da atualidade e um dos melhores já feitos. Seu enredo, criado por Rebecca Sugar, inclui diversas representatividades numa fórmula única, e falarei sobre elas.

(Descrição de imagem: Steven, Garnet, Ametista e Pérola e o título da série)

Falando brevemente sobre o enredo principal para quem ainda não viu o desenho, a história é sobre Steven, que é meio-humano e meio-Gem, uma espécie alienígena com poderes. A trama segue o cotidiano de Steven à medida que ele aprende sobre si e seus poderes, as histórias das Crystal Gems - grupo que protege a Terra e composto por Garnet, Ametista e Pérola -, e mistérios como a mãe de Steven, Rose Quartz, e o passado das Gems no planeta.

Conforme a história progride aprendemos que as Gems são seres lidos como femininos, cada tipo (Pérolas, Rubis etc) possui habilidades únicas, e suas formas são projeções de luz com massa que podem ser mudadas ou escolhidas pela própria Gem.

Logo de início podemos ver que as formas das Gems são bem variadas. Elas se apresentam em muitos tamanhos e formatos, nunca se preocupando com beleza ou padrões, e sempre satisfeitas com a própria aparência. Existem até Gems com um aspecto lido mais como masculino, como Jasper e as Topázios. O próprio Steven é um menino gordinho e não demonstra se importar com isso, além de ter uma boa autoestima.

(Descrição de imagem: à esquerda, Connie lutando com duas Topázios fundidas; à direita, Jasper)

Na sociedade Gem fusões só são permitidas entre Gems do mesmo tipo. Garnet, uma fusão entre uma Rubi e uma Safira, foi condenada por isso. Fusões entre diferentes tipos de Gems podem ser vistas como metáfora para relações fora das normas (aquileanas, sáficas, diamóricas etc).

(Descrição de imagem: "Nascimento" de Garnet)

Embora as Gems não tenham sexo ou gênero, as relações entre elas podem ser vistas como lésbicas/sáficas. Rose Quartz é considerada bi/pan por muites fãs por ter se relacionado com Pérola e homens, o último sendo Greg, pai de Steven.

(Descrição de gif: Beijo de Rubi e Safira no casamento delas e retorno de Garnet)

Essas representatividades não são surpresa visto que Rebecca é bissexual, e colocou parte de suas vivências afetivas nas personagens.

(Descrição de gif: Rose Quartz e Pérola se fundindo em Quartzo Arco-Íris)

(Descrição de imagem: Rose Quartz e Greg dançando)

Rebecca se revelou recentemente mulher não-binária, e com isso também afirmou que todas as Gems são representações de sua experiência de gênero. Ela completou dizendo que as Gems não se importam em serem vistas como mulheres.

(Descrição de imagem: Rebecca Sugar)

Além de tudo isso, temos uma visibilidade não-binária para dues personagens: Stevonnie e Quartzo Fumê. Na língua original elus são referides por outres personagens com o pronome neutro they e não têm gênero definido.

Stevonnie é a fusão de Steven e Connie, enquanto Quartzo Fumê é a fusão de Steven e Ametista. Na lusosfera optou-se por utilizar a linguagem a/ela/a para ambes personagens; o que, na minha opinião, é até válido por não seguir a norma de neutralidade com linguagem "masculina".

(Descrição de imagem: Stevonnie com escudo e espada)

(Descrição de imagem: Quartzo Fumê com seu iô-iô e Peridot atrás delu)

Um outro detalhe sobre Stevonnie é que elu, teoricamente, tem um corpo único e supostamente hermafrodita (não realmente intersexo), sendo a combinação de um menino e uma menina cisgêneros (presumidamente) perissexos. Mas creio que elu ainda poderia ser usade como uma analogia para corpos fora dos padrões, incluindo intersexos.

A sexta temporada será lançada ainda esse ano. Se querem uma animação boa, com um enredo que combina ação e fofura, com toda essa representatividade, e ainda curtem uma temática alienígena, façam um favor a si mesmes e vejam essa maravilha! <3

Se quiser ver online ou baixar, indico esse site: https://stevenuniverseportugues.wordpress.com.



23 de mar. de 2017

Disney e a visibilidade LGBT

Recentemente houve repercussão sobre a Disney ter colocado um personagem gay no novo filme de A Bela e a Fera. No entanto, personagens LGBTs ou personagens que se desviam dos padrões sociais (originalmente, "queers") nas produções Disney não são novidade.

A empresa nos apresentou um número considerável desses personagens, seja de maneira muito implícita ou mesmo explícita. Comentarei sobre eles, fazendo meus adendos.



Alguns vilões da Disney têm sua orientação sexual-afetiva questionada devido a seus maneirismos ou atitudes em situações específicas. Scar de O Rei Leão deve ser o exemplo mais famoso de vilões questionados: ele é afeminado e nunca mostra interesse pelas leoas. Na mesma franquia temos Timão e Pumba que, embora não sejam um casal, podem representar simbolicamente uma família homoafetiva por terem cuidado de Simba.



Ratcliffe, antagonista de Pocahontas, tem gestos e expressões característicos do estereótipo do homem gay extravagante e que se veste de maneira chamativa. Sem contar aquele cabelo...


Outro vilão muito citado em discussões sobre "personagens gays" da Disney é Hades, antagonista de Hércules. Não entendo exatamente o motivo. Deve ser pelo modo que ele fala com a personagem Maggie numa cena, pois ele tem o mesmo maneirismo de um gay moderno falando com uma amiga.


E para fechar a vilania, a vilã Ursula de A Pequena Sereia foi inspirada numa drag queen chamada Divine.


O comandante Li Shang de Mulan abriu uma série de discussões. A animação mostra bem sutilmente ele desenvolver aos poucos uma afetividade por Mulan enquanto ela fingia ser homem. No final ambos ficam juntos. A maioria considera Shang o primeiro bissexual da Disney. Mas afinal, Shang se interessava pelo gênero ou pela personalidade de Mulan? Por que não defini-lo como pansexual?


Pleakley, coadjuvante de Lilo & Stitch, se veste frequentemente com roupas femininas. Como seu gênero é masculino, ele é um exemplo de personagem que quebra imposições de gênero, no caso referente a roupas.


A gorila Terkina em Tarzan é outra figura muito comentada devido a seu jeito de "menina moleque", seu desgosto por roupas femininas e por nunca mostrar interesse nos gorilas machos. Isso não necessariamente indica que ela é lésbica (ou assexual), mas ela tem sua dose de visibilidade para quem se identifica com ela.


Muita gente fala sobre a Elsa de Frozen. Ela nunca mostra interesse por nenhum homem e termina sem um par. Isso prova que ela é lésbica? Eu diria: "talvez, não necessariamente". Elsa pode ter qualquer orientação alossexual e não estar no momento de querer alguém, não? Ela pode ser assexual também! A música "Let It Go" também é uma ótima analogia a todxs que vivem no armário e saem dele.


No mesmo filme o personagem Oaken, que aparece brevemente numa loja e oferece sua sauna para Anne e Kristoff, apresenta sua família: um rapaz e quatro crianças. A cena deixa muito implícito que o rapaz é seu cônjuge.



Merida de Valente é o mesmo caso de Elsa. Ela recusa seus pretendentes arranjados e quebra papéis de gênero. Mantenho as mesmas palavras sobre ela.


O único exemplo de um casal homoafetivo mostrado beeeeem explicitamente é Hugo e Djali em O Corcunda de Notre Dame. A gárgula Hugo não esconde seu interesse amoroso pelo bode Djali. Na sequência, o bode está mais recíproco com seus sentimentos.


Nossa diversidade começou sendo retratada em personalidades antagonistas, o que pode refletir a ideia da época de que o que era queer era "mau". Com o tempo surgiram retratações mais positivas junto com maior visibilidade para etnias negras e mulheres.

O LeFou de A Bela e a Fera foi um ótimo começo em um longa-metragem da Disney, que está acompanhando a modernidade e suas ideias. A empresa está preparando seu público, em especial o infanto-juvenil, para mais personagens LGBTs. E por isso meus mais sinceros parabéns a Disney!


Quem sabe dentro de alguns anos não teremos protagonistas assumidamente LGBTs?



31 de ago. de 2016

Famílias alternativas dos desenhos

O mundo sempre apresentou uma diversidade de famílias. Setores mais conservadores da sociedade defendem que família é somente "homem, mulher e a prole". Felizmente, famílias alternativas são representadas em muitas obras infanto-juvenis, inclusive de décadas atrás, o que nos faz perceber que a representação dessas famílias não é exclusividade dos tempos atuais.



  • Jonny Quest

Um clássico da década de 60 produzido pelo estúdio Hanna-Barbera. O protagonista, Jonny, é cuidado pelo pai e um amigo do pai. Embora nunca tenha sido confirmado, há sugestões que ambos eram na verdade um casal gay. Com isso, seriam o primeiro casal homoafetivo numa animação ocidental.


  • As Meninas Super Poderosas 

As meninas foram criadas pelo Professor Utônio enquanto ele tentava criar "garotas perfeitas". Elas nasceram de um acidente, e desde então o Professor passa a cuidar delas como filhas. Ele é tão próximo a elas que chega até a desafiar papeis de gênero, deixando as meninas o vestirem com roupas femininas.


  • Esquadrão do Tempo

A dupla do futuro Abelardo e o robô Larry acabam viajando acidentalmente para um orfanato no século XXI, onde conhecem um garoto chamado Otto. Como a missão deles é manter a história como ela ocorreu e Otto conhece muito dessa matéria, eles o adotam. O trio então passa a viajar por diversos períodos do passado.


  • Disney

Os filmes da Disney mostram muitas famílias alternativas:

- Geppetto, um entalhador, cria um boneco de madeira chamado Pinnochio e deseja que ele se torne um menino de verdade. Quando a Fada Azul dá vida ao boneco, Geppeto passa a criá-lo como um filho.

- Dumbo é criado apenas por sua mãe, que desde sempre aceitou suas grandes orelhas e sempre mostrou apoio.

- Aurora de A Bela Adormecida foi criada pelas três fadas Flora, Fauna e Primavera, que para ela são figuras maternas (embora ela as chame de tias).

- Bela de A Bela e a Fera vive sozinha com o pai. A história de sua mãe não foi mostrada na versão final, mas originalmente seria mencionado que ela morreu quando Bela era criança.

- Quasimodo, o Corcunda de Notre Dame, foi criado pelo juiz Frollo (apesar que ele não é modelo de pai para ninguém).

- Simba de O Rei Leão, após a morte do pai, foge de sua terra e é encontrado por Timon e Pumbaa. A dupla então passa a cuidar dele até ele crescer e se tornar um leão. Eles também são muito usados como uma analogia a um casal gay que adota uma criança.

- Em Lilo & Stitch, a personagem Lilo é cuidada por sua irmã mais velha, Nani, que passa a ser sua guardiã legal após ambas ficaram órfãs.

- Em Procurando Nemo, uma barracuda ataca Marlin e com isso ele perde a esposa e todas suas ovas, menos uma. O filhote sobrevivente é Nemo, que foi criado apenas por seu pai.

- Na história de Enrolados, Gothel sequestra Rapunzel e passa a criá-la sozinha numa torre. Apesar de sua ambição pelo poder mágico do cabelo de Rapunzel, ambas têm uma relação sincera de mãe e filha.

- Após a morte do pai e da mãe, as irmãs Anna e Elsa de Frozen passam a cuidar uma da outra, e se tornam mais unidas após os conflitos do enredo.


  • Steven Universe

Uma animação mais moderna e pró-LGBT, Steven Universe apresenta uma família bem diversificada. O protagonista Steven é cuidado pelas três Jóias de Cristal; Garnet, Ametista e Pérola. Elas todas na verdade são agênero e têm relações afetivas entre si.




Parabenizo a todas essas animações pelas histórias que possam fazer alguma criança se identificar, toda criança que foi criada fora do padrão pai-mãe. 

É importante sempre mostrar os vários arranjos familiares e ressaltar que o essencial é sempre o amor, e são os laços que realmente formam as famílias.



27 de fev. de 2016

Animação: Avatar: A Lenda de Aang

("I still believe that somehow, the Avatar will return to save the world")

Mesmo eu tendo interesse em todas as obras que falam de elementos, demorei muito para assistir essa. Um dia dei uma chance. Não me arrependo até hoje. Inclusive cheguei a ver duas vezes.

A história conta sobre Aang, um garoto encontrado congelado num iceberg por Katara e Sokka, uma garota e um garoto de uma tribo. O mundo da trama tem pessoas que controlam um dos quatro elementos - Água, Terra, Fogo e Ar - e pessoas comuns. O Avatar é a única pessoa que controla todos os quatro e tem a missão de manter a paz no mundo, além de ser uma ponte entre esse mundo com o mundo espiritual. Aang soube de sua missão e acidentalmente se congelou por uns 100 anos. Durante esse tempo, a Nação do Fogo decidiu ser soberana e atacou os demais povos. Agora Aang precisa aprender a ser o Avatar e acabar com a opressão da Nação do Fogo.

Embora seja uma fantasia com elementos, eles não são o verdadeiro foco, mesmo que sejam um dos aspectos que mais enfeitam o enredo todo. Aang é um garoto de 12 anos com muita responsabilidade nas mãos, e a história mostra seus desafios e seu crescimento. E é interessante também as questões morais abordadas, principalmente quando Aang pensa que matar o Senhor do Fogo é a única forma de acabar com o mal da Nação do Fogo. O lado espiritual da trama traz a influência do Oriente, com suas etnias seguidoras de crenças e doutrinas espiritualizadas. Apesar de ser um desenho para crianças também, a história tem seus momentos "pesados", mas nada tão violento ou mórbido. De fato, o desenho suaviza esses momentos o máximo que pode (sem desviar de sua proposta). Em meio a toda ação e drama presentes, existe comédia e momentos de descontração e amizade entre as personagens (o Time Avatar, em especial).

Demorei muito tempo para perceber a diversidade das personagens: temos um garoto e uma garota de pele negra e uma garota cega - representatividades contra racismo e capacitismo. O Time Avatar tem quase um equilíbrio entre os gêneros; 3 garotos e 2 garotas. Sokka é o único que não controla algum elemento, mas nem por isso deixa de ter participação, o que é uma atitude inclusiva. E nota-se também que o grupo inteiro tem suas questões familiares diversas, indo de perdas até famílias "complicadas".

A série está disponível na Internet, na TV e na Netflix. Não é difícil de achar. É uma história bonita, e bem-vinda para qualquer pessoa.



30 de mai. de 2015

Obras feministas de animação e ficção

Enganam-se vocês que pensam que o feminismo e suas ideias são recentes. O movimento nasceu oficialmente no século passado, apesar da luta das mulheres por seus direitos, por liberdade e por empoderamento não sejam novidades da tal "era moderna". 

Atualmente existem obras feitas e baseadas nessa ideologia. Algumas podem até ter passado despercebidas, mas na maioria é evidente a mudança da retratação das figuras femininas. Essas obras apresentam essas figuras como poderosas, corajosas, independentes, íntegras e humanas, e estão cada vez mais explorando o senso de sororidade (a "irmandade feminina"). Todos esses atributos sempre pertenceram mais às figuras masculinas. Agora... Não pertencem mais :D.

Segue algumas obras mais famosas e conhecidas:



  • As Meninas Super Poderosas

Sempre gostei do desenho e nunca parei para pensar o quanto ele é feminista, o quanto ele quebra vários os padrões e regras estipulados pela sociedade. Primeiro de tudo, as Meninas são as heroínas e as personagens mais poderosas do desenho; isso coloca todas as figuras masculinas como dependentes delas. 

As três e o Professor Utonium quebram padrões de gênero e família: o Professor desempenha o papel de pai e mãe para elas, e as Meninas não poupam socos e chutes em todas as lutas. O Professor tinha uma mente tão aberta que até deixou as Meninas o vestirem de menina. Já as três costumavam fazer piadas e questionamentos sobre papeis de gênero e sobre masculinidade, como quando as três, curiosas sobre um novo vizinho, vão checar o quintal do mesmo. Lindinha vê um aparelho de levantamento de peso e conclui que deveria ser um homem, e Florzinha rebate afirmando que mulheres também levantam peso. Fantástico!


Uma vilã interessante foi a Femme Fatale, uma ladra que roubava apenas moedas de Susan B. Anthony (uma feminista do século 19), que questionou a escassez de super-heroínas autênticas na ficção (tanto que as Meninas só se lembraram da Mulher Maravilha). Apesar das ideias feministas, a personagem queria ficar livre dos crimes por ser uma das pouquíssimas vilãs da cidade. E, no final, as próprias Meninas deram uma lição de feminismo e a jogaram na cadeia.


As três também são muito diferentes: Florzinha é a líder e a mais inteligente, Lindinha é a mais sensível e dócil, e Docinho é a mais temperamental e uma menina-moleque. Lindinha é considerada como a mais feminina, enquanto Docinho é a mais masculina. E, apesar disso, elas lutam do mesmo jeito, e também já manifestaram lados mais brutos e mais sensíveis de suas personalidades.



  • Mulan

A Disney se baseou na lenda de Hua Mulan, uma mulher que se infiltrou no exército (exclusivamente masculino) para lutar. A ideia é fantástica, e a obra não é só feminista pelo fato de Mulan ser uma mulher e lutar com uma espada, mas também pela atitude da personagem e pelo fato de ela ter dado uma lição de que mulheres têm tanta capacidade quanto os homens. Na animação feita pela Disney sua motivação é tomar o lugar do pai, que mesmo doente teria que atender à convocação para a guerra contra os hunos. Ela supera todos os limites e se torna uma lutadora tão boa quanto seus parceiros. Um dos melhores desenhos da Disney na minha opinião.




  • Kill Bill

Alguns podem pensar: o que tem de feminista numa história sobre uma mulher matando geral? Bom, deixando a vingança e os litros de sangue de lado, Kill Bill apresenta um grupo de assassinos, as Víboras Mortais, composto por dois homens e quatro mulheres. A protagonista, Beatrix Kiddo, é uma dessas mulheres e sabe artes marciais e lutar com uma katana. Entre as outras três mulheres, duas pertencem a uma etnia diferente dos americanos: uma japonesa (sino-americana) e uma negra. Todas as mulheres do grupo são tão mortais e habilidosas quanto os homens, e se mostram independentes e imponentes em seus estilos de vida e atitudes.




  • Alice no País das Maravilhas

Alice retorna depois de anos ao País das Maravilhas (ou Mundo Subterrâneo) para enfrentar a Rainha Vermelha e seu monstro, Jabberwocky. No mundo de cima, Alice, insegura e pressionada pela sociedade, precisa enfrentar uma proposta de um casamento forçado. Ela foge e acaba novamente caindo num buraco que a leva para o outro mundo. Lá os acontecimentos e a expectativa dos personagens por seu heroísmo acabam tirando-a daquele estado de insegurança, fazendo-a acreditar em si mesma e que ela, somente ela, poderia traçar seu destino. Ela retorna renovada  ao mundo de cima, recusa o casamento, taca o foda-se pra todo mundo e decide navegar pelo mar em busca de novas descobertas, seguindo os passos do pai. O filme tem uma maravilhosa cena de luta com Alice vestida em armadura e vencendo o monstro da Rainha com estilo. Destruidora!




  • Once Upon a Time

Série maravilhosa que deu às histórias de fantasia um aspecto mais humano, e também feminista. A série contem uma variedade de personagens femininas fortes e independentes. É muito difícil ver uma personagem sendo discriminada apenas pela condição de mulher. A protagonista, Emma Swan, é a heroína principal da série, que vive ajudando e salvando as pessoas, sempre mostrando coragem, perseverança e força. Regina, a Rainha Má da Branca de Neve, é tida como uma das personagens mais poderosas da série, competindo apenas com Rumpelstiltskin, o homem mais poderoso da série. A Branca de Neve jogou fora seu lado princesinha e, para fugir de Regina, torna-se uma fugitiva revolucionária que consegue escapar sempre da Rainha e inspira a população do reino a se revoltar contra a bruxa.


Praticamente todas as personagens femininas, sejam heroínas ou vilãs, possuem personalidade e valores próprios, e lutam com unhas e dentes pelo que querem ou acreditam. Elas são persistentes e únicas e não deixam nenhum homem desvalorizá-las. E, claro, não posso deixar de elogiar todas as vilãs por serem as opressoras malvadas e divas que elas são! *---*


Há outros casos que vou citar. A avó de Ruby (Chapeuzinho Vermelho) não hesita em armar-se com sua besta para defender sua neta e as pessoas ao redor. Marian, esposa de Robin Hood, não permitiu que o marido a defendesse numa cena, dizendo que ela podia se defender sozinha. Já Belle (de A Bela e a Fera) é uma personagem criticada e tida como fraca, mas sua luta na verdade não requer magia, armas ou golpes; ela acredita que Rumpelstiltskin (a Fera) possa ainda ter bondade dentro dele, e por isso não desiste dele. Embora ela ainda seja a garota intelectual (cercada de gente burra menos intelectual) das fábulas, ela auxilia o elenco com pesquisas e investigações. Ela é tão importante quando as demais personagens, e tem sua própria luta para travar, mesmo que seja inteiramente emocional.



  • Avatar: A Lenda de Korra

A protagonista da nova série de Avatar é uma mulher negra e bissexual (essa parte foi revelada só no final). O mundo de Avatar mostra uma sociedade muito mais igualitária, com mulheres ocupando altos cargos e sendo amadas e admiradas por seus atributos, como força e inteligência. Korra, a nova Avatar, nunca é discriminada pelo fato de ser mulher. Até porque a existência de mulheres Avatares comprova que sexo e/ou gênero não significam nada. A dificuldade que Korra enfrenta é justamente seu dever como a nova Avatar, a mesma dificuldade que seus antepassados tiveram. Sem contar algumas cenas de batalha onde as personagens femininas lideram os demais.

No time Avatar, Korra, Mako, Bolin são dobradores, enquanto Asami não é. E mesmo assim ela auxilia nas batalhas com a mesma eficiência das demais pessoas, fazendo uso de artes marciais e tecnologia. A série pecou um pouco em (tentar) fazer um romance entre Korra e Mako, sendo que Mako, em duas temporadas, se envolve com ela e Asami. Mas um fator muito positivo foi o fato de elas não terem se tornado inimigas apenas por terem tido o mesmo namorado. Pelo contrário, a amizade delas foi cada vez mais se tornando mais sólida. Korra cometeu erros ao longo da série, mas isso faz parte da natureza humana. Quem não erra, né?


Para finalizar, o maior acontecimento, que serviu para fechar a série, foi a revelação do amor de Korra e Asami (sim, a amizade evoluiu para amor *---*). Os produtores da série confirmaram o envolvimento amoroso das duas (que já estava implícito desde a 3ª temporada). Além de tudo já mencionado, a série (dentro do possível) representou o amor lésbico. Fantástico!



  • Valente

Valente conta a história de Merida, que desafia o costume antigo de sua família de casá-la com um dos filhos de três famílias aliadas. Merida mostra que é uma garota de personalidade e vontade própria, exibindo seu talento com arco e flecha (que humilhou o "talento" de seus três pretendentes) e rebelando-se contra a obrigação de casar-se com alguém que nem conhece. Ela busca a ajuda de uma bruxa e acidentalmente transforma sua mãe, Elinor, num urso. A mãe tenta fazê-la aceitar o destino de ter que casar-se. E, agora transformada em urso, necessita da ajuda da filha para voltar ao normal. O filme mostrou a luta que Merida trava para salvar a própria mãe e o vínculo forte que elas criam após os acontecimentos. No fim ambas tornam-se inseparáveis e a mãe aceita a filha como ela é.




  • Frozen

Frozen fez sucesso pela mudança do padrão Disney de 'príncipe e princessa'. Embora Mulan tenha feito isso também, Frozen foca mais no amor fraterno das irmãs Elsa e Anna. O filme mostra a sororidade que quase nunca havia aparecido nas obras Disney. Anna teve um total de dois interesses amorosos, mas um deles, Príncipe Hans, ela tinha acabado de conhecer, enquanto com jovem Kristoff ela teve mais tempo de convivência. No fim o rapaz simples acaba ficando com ela, enquanto Elsa prova que não precisava de um príncipe para ter seu final feliz. No clímax da história, Anna salva sua irmã de ser morta por Hans, e esse ato de amor quebra a maldição (lançada acidentalmente por Elsa) que estava aos poucos a convertendo em gelo. Isso desafiou o clichê da fantasia de príncipe salvando princesa e a regra de que atos de amor só aconteciam entre um homem e uma mulher num envolvimento amoroso.


O filme ainda fez uma tirada ótima sobre os casamentos precoces dos contos de fada. Elsa diz para Anna que ela não poderia casar com um cara que acabou de conhecer (muitas princesas da Disney infartaram depois dessa XD). Além da sororidade, o filme também trouxe uma dose de realismo sobre relacionamentos.



  • Malévola

Seguindo a onda de Frozen, Malévola também apresenta o amor entre mulheres. A história mudou radicalmente, mostrando o passado de Malévola e alterando muito trajeto do enredo original. Malévola é uma fada de uma floresta que se apaixona por um garoto de um reino próximo. Na fase adulta, o garoto é enviado para matá-la. Ao invés disso, ele coloca sonífero na bebida e corta seu par de asas, como prova de sua morte. A cena em que ela acorda e percebe a falta das asas é forte, e até foi comparada a situação de um estupro. O garoto torna-se rei e Malévola segue um caminho sombrio, dominada pela decepção e pelo ódio contra seu antigo amor. Como vingança, ela amaldiçoa a filha do rei, Aurora, que é posta aos cuidados de três fadas.


As fadas são descuidadas e despreparadas demais para cuidar de Aurora. Então Malévola, querendo que a maldição seja devidamente cumprida, passa a cuidar da garota nas escondidas. Em uma cena Malévola tenta espantar a garota e no fim cede ao seu pedido de pegá-la no colo. Esse tempo de 16 anos fez Malévola criar sentimentos maternos por Aurora e até a fez repensar sobre suas ações. Para sua infelicidade, a maldição acaba se cumprindo, mas quem desperta Aurora é a própria Malévola, com um beijo materno em sua testa. O filme mostrou que duas mulheres, mesmo numa situação de inimizade, podem ter um vínculo fraterno, e também tentou passar uma mensagem de superação a respeito de traição (no caso, causada por um homem).



Espero que tenham gostado. Aguardemos cada vez mais obras que mostrem mais a humanidade das figuras femininas, igualdade de gêneros, sororidade e empoderamento feminino.