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11 de dez. de 2019

Isso não faz parte da comunidade!

AC: pedofilia, menciona zoofilia e necrofilia.



Não é de hoje que surge aleatoriamente na vastidão da Internet uma mentira ultrapassada e ainda famosa: que há uma grande quantidade de pedófiles (usando o termo "pedossexual" ainda) reivindicando que são de uma orientação sexual marginalizada, e que, portanto, deveriam estar na comunidade LGBTQIAPN+; sendo acrescentades como um outro grupo da letra P (ao lado de poli e pan).

Muito bem. Por que pedofilia não é uma orientação sexual?

Bem, só são reconhecidas como orientações todas as atrações que envolvam gêneros e condições que as despertem. Da mesma forma que ninguém especifica orientação por determinada etnia ou por um tipo físico e outros exemplos problemáticos e questionáveis, uma atração definida por uma faixa etária não faz o menor sentido.

Mas o problema maior nem é esse. Pedofilia envolve o desejo por crianças e infantes; ou seja, pessoas incapazes de consentir para sexo e relações, e que nem são biologicamente maduras para tais atos. E, claro, querer envolvimento com esse grupo de pessoas é crime e nada além de abuso. E a comunidade jamais admitirá isso, sendo que todas as pautas sobre afetividade e relação são apenas sobre pessoas capazes de consentir e desenvolvidas para tais atos.

Nem toda pessoa pedófila vai cometer um abuso. Porém, esse desejo é um distúrbio e recai em práticas criminosas. Isso não tem lugar na diversidade. E o melhor que posso recomendar a pessoas assim é tratamento imediato.

Tudo que foi dito vale da mesmíssima forma para zoofilia e necrofilia. E, sim, também se espalha ocasionalmente por aí que praticantes desses outros dois distúrbios querem um "devido lugar" na comunidade. Não!

E quem espalha esses rumores? Bem, principalmente pessoas e grupos que odeiam a comunidade e tentam de toda forma desmerecê-la com mentiras e distorções. É de praxe que setores conservadores associem pessoas heterodissidentes e até pessoas trans com pedofilia; o que, na minha opinião, é mais uma projeção que fazem pra tirar a atenção dos inúmeros casos de pedofilia e abuso cometidos pelos ilustres "cidadãos de bem" ou "pais de família" ou "homens de Deus". E há muitos grupos organizados para criar "campanhas" (como incluir pedossexuais) através de contas falsas, utilizando conhecimento de propaganda e sobre a comunidade para parecerem convincentes.

Tais rumores atingem bem seu objetivo com parcelas da população que são alienadas e ignorantes sobre a comunidade e questões relacionadas, ainda mais quem já odeia a comunidade por simples convenção social. Mas há também pessoas da própria comunidade que fomentam esses rumores; geralmente pessoas "LGBT-" que são contra a inclusão QIAPN+ e acreditam que inclusões legítimas abrirão brechas para as parafilias, ou gente que também cai nas campanhas falsas de trolls e reaças.

Concluindo, aqui está uma explicação do por que esses distúrbios não fazem parte da comunidade, nem farão parte, e a comunidade jamais aceitará nada disso como parte da diversidade sexual e afetiva. Não caiam nesses rumores ou nessas campanhas ocasionais pela Internet. E quem tiver um ou mais desses desejos, recomendo que procure urgentemente ajuda psicológica.

29 de mar. de 2018

Os limites

Qual é a linha que traça o limite entre uma relação consentida e uma relação abusiva? Entre o flerte e o assédio? Entre o sexo e o estupro? Quem traça essa linha? Como traça?

Aqui estou falando de crimes contra a liberdade sexual e contra o corpo e a moral de pessoas. Parece pesado, né? Mas infelizmente tais crimes ainda são muito naturalizados e relativizados. E como já abordei sobre isso em redes sociais, decidi escrever algo mais elaborado.

Não é preciso estudo científico para ver que o ser humano tem todo um conjunto de linguagens corporais e expressões faciais que demonstram suas emoções do momento. Por isso que não desculpo nenhum assédio feito pessoalmente. É evidente quando as pessoas estão incomodadas, desconfortáveis, com medo, repulsa, enfim. 

Se a pessoa não consegue ler esses sinais, ela com certeza tem algum problema moral. E se ignora conscientemente os sinais, é gente da pior espécie.

As pessoas em geral têm uma ideia do que é um assédio. Como julgam isso? Pela reação de quem está recebendo o ato - seja um toque e/ou palavras. Porém, antes de olhares de terceiros, temos o olhar da própria pessoa.

Não importa qual seja o ato, ou se ele foi pedido ou não; se a pessoa aceita esse ato, ele foi consentido, logo, não fere a liberdade individual. Mas se a pessoa não o aceitar, sim, isso fere a liberdade individual. Simples, não? Sim, é simples assim.

E não importa o motivo que levou a pessoa a aceitar. Não importa se foi porque era parceire, amigue, colega; ou porque a pessoa era bonita; ou por algum interesse obscuro. É assim que funciona. Só nós mesmes decidimos quem feriu ou não a nossa liberdade.

Existem situações em que uma pessoa é invasiva. Ou seja, ela aborda a outra de uma maneira que é inconveniente, incômoda, enfim. Não dá para já apontar o dedo e acusar de assédio, porque muitas vezes as pessoas não percebem quando estão sendo invasivas. Então o que podemos fazer é alertar. Dizer o não. Ponto final.

Agora, se depois do não a outra parte persistir, sim, é um assédio declarado e com todas as letras. E como tal não deve ser relevado nem desculpado, tem que ser apontado e recriminado.

Resumindo, quem decide o que foi o ato é a própria pessoa. Somente ela. E o dever de todes nós é nos policiarmos para não desrespeitar a outra parte. Temos que saber parar e aprender a entender o não mesmo quando é dito de outra forma. É uma pena que o sistema educacional falha em abordar essa questão como deve ser abordada.

Para reforçar, aqui está o vídeo de uma analogia bem didática: https://www.youtube.com/watch?v=D5l3ks5O_Hw.