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4 de set. de 2019

Fatos sobre a comunidade bi

AC: monossexismo.



Setembro é o mês da visibilidade bi. Interessante notar que visibilidade tem "bi" no meio. Por isso deveria ser mês da visiBIlidade apenas.

Tá, piadinhas (sem graça) à parte, vim aqui só pra dizer uns fatos sobre a atração bi e pessoas bi:



- Bi é atração por dois ou mais gêneros, e isso desde 1990

- Pessoas podem ser bi e não se atrair por homens e/ou mulheres

- Pessoas bi podem ter preferência por um gênero

- Bimisia existe e monossexismo é uma opressão estrutural

- Bi não é uma identidade conflitante com pan

- Existem pessoas bi monogâmicas e pessoas bi não-monogâmicas

- Existem pessoas a-espectrais e bi

- Existem pessoas fluídas que podem ser bi

- Existe casal bi <3

- Pessoas não-binárias podem ser bi

- Há pessoas que antes de se descobrirem bi se entendem como mono, e não há problema nisso

- Não há como provar que alguém não é bi (#polêmica)

- Leitura bi existe, mas não de uma forma positiva

- Ficar bêbade na baladinha e beijar todo mundo por diversão não te faz bi ;)



Outros textos que indico para um maior aprofundamento:






1 de out. de 2018

Precisamos discutir monossexismo

AC: monossexismo, opressão e discriminação contra pessoas multi, menção a suicídio.



Por definição, o monossexismo é a opressão específica contra toda pessoa que não sente atração apenas por um gênero. Por isso se discute tanto no segmento bi e demais segmentos multi.

No caso de multi, não importa por quais gêneros ou a frequência e intensidade dessa atração. O monossexismo resulta em ideias, ações e atitudes que invalidam, apagam e discriminam toda atração por mais de um gênero.

Quando vemos as pesquisas sobre a saúde mental de pessoas bissexuais (talvez multi em geral), podemos encontrar muites bis escondendo sua sexualidade por diversos motivos - o que inclui o monossexismo, além de altos índices de depressão e suicídio.

Ah, e vale ressaltar que quando dizemos "bissexuais estão se escondendo mais e se matando mais", não estamos dizendo que "foda-se os índices de suicídio de gays e lésbicas e foda-se se estão no armário". Como vivo dizendo, podemos falar sobre várias opressões ao mesmo tempo e nenhuma diminui a outra. Vamos falar de homomisia e lesbomisia e também de monossexismo.

O monossexismo é um sistema específico dentro de outro sistema opressivo: o heterossexismo, cujos alvos são todas as pessoas heterodissidentes.

A questão maior do monossexismo é que ele não é praticado exclusivamente por pessoas heterossexuais, mas também pelas pessoas homossexuais. Pessoas com atração por um gênero estão sujeitas a cometer essa opressão, mesmo que sem consciência. Ela está muito enraizada, assim como o heterossexismo.

O apagamento bi é bem evidente em espaços ditos LGBTs e nos discursos de pessoas até da própria militância. Eu percebia até quando me identificava como gay. É muito comum pessoas citarem homomisia, lesbomisia, e transmisia, mas não a bimisia. É muito comum citarem gays, lésbicas e trans, mas não bi. A letra B parece um enfeite constantemente.

E essa opressão pode ser mais ampla ainda e reforçar a discriminação contra pessoas a-espectrais. Como o monossexismo prega que só existe atração por um gênero, consequentemente prega que pessoas sempre têm atração frequente e constante; ou seja, são alossexuais.

Podemos ainda interseccionar o monossexismo com o exorsexismo, algo muito mais evidente nos discursos contra pessoas pan, e isso pode partir também de pessoas bi cuja atração é exclusiva pelos gêneros binários. A atração pan é muito discriminada pela descrença em mais gêneros além de mulher e homem.

Não sei dizer se é pior ou não. Mas se pessoas já discriminam a atração pelos únicos dois gêneros validados pelo sistema, imaginem pessoas cuja atração também inclui ou é exclusiva por pessoas não-binárias. Temos uma discussão bem maior aqui.

Precisamos muito conscientizar pessoas mono (héteros, gays e lésbicas) e também pessoas multi e a-espectrais sobre esse tópico. Falar sobre a importância de não reproduzir o monossexismo, e sobre a importância de respeitar todas as pessoas monodissidentes, que são tão parte da comunidade LGBTQIAPN+ como todo o resto.

Pessoas monodissidentes precisam de mais voz em espaços "gerais" e na militância atual. Não vamos derrubar o heterossexismo só atacando um dos pilares dele. E ainda há outros para atacar. Por ora, fica essa reflexão. E não vamos esperar sempre o mês de setembro para discutir isso.



7 de mar. de 2018

Passabilidade hétero

Dentro e fora da comunidade bi se fala em passabilidade hétero. Embora seja um tanto autoexplicativo, vou definir o que é: esse termo se refere a quando homens ou mulheres bi conseguem ser lides como héteros, e com isso têm acesso aos "privilégios hétero".

Monossexistas argumentam muito que essa passabilidade desmente a existência do monossexismo. Não é apenas um argumento furado como também nem todes bissexuais têm essa passabilidade.

A simples existência dessa passabilidade comprova o monossexismo violento na sociedade, que até tem uma conexão com a cisnormatividade. Vou explicar.

É muito comum pressuporem que um homem é hétero por ter uma expressão de gênero masculina ou bem normativa. O mesmo ocorre com a mulher. Essa ideia cisnormativa combinada com o apagamento bi faz com o que a população geral divida, mesmo que em pensamento, as pessoas em: hétero ou homo.

Então a passabilidade hétero só existe porque as atrações multi são apagadas. Onde está o privilégio em ter sua atração invalidada, desconsiderada? É mesmo um privilégio ser confundide com hétero enquanto sua própria orientação é discriminada? Opressão também atinge os corpos psicológico e emocional das pessoas.

Temos índices altos de depressão e suicídio em jovens bi justamente por esse apagamento todo, e mais as outras discriminações, incluindo rejeição e acusações de promiscuidade - feitas em função da bissexualidade. Mas bimisia não existe, né?

E enquanto essas discriminações ocorrem tanto com homens quanto com mulheres, as mulheres ainda têm de enfrentar relações abusivas com parceiros, namorados, maridos etc; o que torna o tal privilégio de parecer hétero mais absurdo.

Passabilidade hétero até existe. Mas não é um privilégio. Não é algo bom. É mais uma forma de apagamento, portanto uma discriminação.

O mesmo raciocínio serve para a passabilidade cis, ou qualquer outra passabilidade que possa existir. Não é privilégio ume oprimide parecer ser de um grupo opressor. Talvez seja até bom essu oprimide ter uma segurança física (coisa que todes deveriam ter, né), mas opressão não é só física. E assim que a pessoa é "descoberta", essa segurança acaba imediatamente.

Além disso tudo, precisamos muito falar de homens afeminados e mulheres bofinhos que são bissexuais, e que são invalidades principalmente por causa da não-conformidade de gênero. A tal passabilidade não se aplica a elus - afinal se homem e mulher normatives são hétero, não-normatives são o quê? O "contrário" de hétero, né?

No fim essa história toda de passabilidade é mais um esforço para diminuir uma opressão existente. Poderíamos até apontar essa mesma passabilidade sobre gays e lésbicas mais normatives. Mas é evidente que o problema aqui é só com as pessoas bi/multi mesmo.