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23 de jun. de 2020

Um ano depois...

Há um ano eu estava numa das maiores festas do mundo, comemorando o que sou, e sentindo-me em grande comunhão com meus iguais.

Há um ano eu vi você bem ali, no mesmo bloco que eu.

Há um ano eu tive um dos melhores momentos da minha vida, e não foi apenas a festa.

Há um ano você me correspondeu e fez eu me sentir maravilhosamente bem.

É engraçado quando lembro. Parece até um desses romances que tiro sarro pelos clichês. Conversamos. Beijamos. Você pegou meu contato e foi se divertir. Disse que me encontraria depois. E eu esperei você por muito tempo. Nada.

Continuei o dia pensando em você. Esperei mais um dia. Não aguentei e cacei você nas redes sociais por horas. Acredita que achei seu perfil no Linkedin? Acredita que fiz uma conta lá só pra te mandar mensagem?

(sim, já tive Linkedin, e foi apenas pra procurar uma pessoa que fiquei afim haha)

E então, mais uns dias depois, estava lá eu na casa de uma amizade minha, seguindo com vida e esperança, quando recebo sua mensagem. Que lindo dia foi aquele.

E conversamos. Não tanto quanto eu gostaria, porque você tinha seus problemas e seu trabalho. Eu entendia. E foram uns dias, acho que quase duas semanas de conversa.

Minha vida estava mudando. Eu ia morar um tempinho na casa lá do litoral. Foi uma experiência curta, aliás. Pena que você jamais saberá. E eu decidi te dizer isso: vou passar um tempinho numa cidade a duas horas daqui.

Você reagiu com alguma surpresa. Fui explicando a situação. Percebi que você não visualizava as mensagens. Devia estar fazendo algo, pensei. Uns minutos depois descubro seu unfollow no Instagram. E sua foto some.

Que dia horrível. Que dia mais merda. Que dia absurdamente deprimente.

Você não quis conversar comigo. Você não esperou eu me explicar.

E eu demorei horas pra digerir aquilo. Uma coisa que não acontecia há muito tempo e pensei que não aconteceria mais. Lembrei dos aplicativos. Lembrei das conversas de um dia. Lembrei das pessoas que me encantaram e depois sumiram.

Parabéns por ter sido apenas mais um exemplo.

E eu fiquei dias, semanas, meses, ainda relembrando aquele bloco. Eu demorei pra sair daquele bloco. Eu pensei que era só dar um tempo e você voltaria. Eu fantasiei com realidades alternativas onde aquilo não havia ocorrido. Eu desejei um milagre que nunca veio.

Hoje faz exatamente 1 ano disso. E eu apenas queria que você soubesse que eu enfim superei. Eu voltei pra realidade, eu segui em frente. Eu finalmente saí daquele bloco, que agora é apenas uma lembrança distante.

Não sei por que você fez o que fez. E acho que não me importo mais. E saiba que não quero seu mal. Talvez você apenas não queria ser feliz. Talvez você tivesse medo de me perder e se autossabotou.

Mas... eu preciso viver. E eu iria viver com ou sem você. Uma pena que, no fim, foi sem.

13 de mai. de 2020

Prazer, essu sou eu

Sei que não sou a pessoa mais agradável do mundo, nem a figura mais gostável.

Sei que muita gente me detesta por inúmeros motivos, que muita gente agora detém “provas definitivas” de minha maldade inerente e irreparável, que meu nome é falado por aí seguido de críticas e/ou xingamentos e/ou reações de nojo e regurgitação. Devo me orgulhar disso? Não. Mas não vou mentir: acho tudo isso um pouco... engraçado. Divertido, eu até diria.

Isso não é um fenômeno de agora. Isso vem desde muito tempo, desde antes de entrar pra militância em 2014, desde antes de me envolver com política.

Mas quem sou eu, né? Eu, sobrevivente de um ataque virtual em massa de milhares de reaças. Eu, que não sou série da Netflix, mas fui cancelade recentemente. Eu, que provavelmente devo dividir opiniões por aí em conversas ou numas postagens variadas nas redes sociais, como aquela do pássaro azul. Boa pergunta. Não é do interesse de muita gente me fazer essa pergunta. Por isso, podem perguntar por aí, e vai ter gente usando toga escura e peruca branca (simbolicamente falando) (ou não) pra afirmam categoricamente que eu sou uma pessoa horrível.

Ah, com certeza sou uma pessoa horrível, claro! Do tipo que derruba velhinhes da escada, rouba doce de crianças, e faz sabão com animaizinhos de rua. Sou, sim! Um verdadeiro monstro! Mua há há há.

Okay, falando sério agora. Eu entendo uma grande parte do ódio que recebo e atraio. Tirando as pessoas com motivos legítimos pra isso (afinal, já vacilei e já fui tóxique), eu percebo que quem me odeia são pessoas que: odeiam os grupos identitários que faço parte; são despolitizadas e alienadas e preferem me rotular de elitista, problemátique, etc do que tentar entender minhas ideias; defendem o status quo de alguma forma, mesmo sendo de grupos marginalizados; e brigam comigo por coisas fúteis ou questões ideológicas, e como não são fãs de diálogo ou não sabem defender o que pensam, escolhem apenas me excluir e desprezar.

E, pois é, já teve uns acontecimentos estranhos (e cômicos, de certo modo), como pessoas conversando comigo num dia e me bloqueando/excluindo um tempo depois, ou pessoas me elogiando virtual ou pessoalmente e depois subitamente me detestando. Gostaria de saber explicar, sinceramente.

Paciência, né? Mas, olha, que bom que essas pessoas me odeiam! Afinal, são exatamente elas que não faço questão de agradar. E são elas que quero ver rolando e esperneando no chão, tendo “surto”, se rebaixando as suas próprias insignificâncias. Quando me vejo diante de ódio vindo de gente higienista, reducionista, medíocre, hipócrita, intolerante e irrelevante, eu sinto que estou fazendo certo.

E tudo bem que por aí tem prints de postagens minhas falando merda. E tudo bem que tem postagens antigas printadas em contas escrotas e páginas de ódio. Que façam bom proveito! Que imprimam e distribuam nas ruas, que façam outdoors! É só isso que essa gente tem: o meu pior, mesmo que tenha ficado pra trás, mesmo que tenha pedidos de desculpas não-vistos (ou convenientemente ignorados), mesmo que tudo que faço e falo atualmente mostre mudanças. Que usem tudo isso pra atrair um rebanho de gente igualmente irada buscando projetar e descontar sua raiva do mundo em qualquer infeliz que falou uma merda. Porque pra essa pseudo-militância tóxica, recheada de gente perfeita e infalível cuja carne fora esculpida em mármore, o que importa é nosso passado, não nosso presente – nosso, me refiro a nós, pobres mortais feites de barro, não mármore.

Mas quem sou eu, afinal de contas, né? Eu, ordinárie e esquisite como sou? Eu, aquelx pessoe (como gente anti-neolinguagem adoraria dizer) que fala das trocentas identidades estranhas criadas no Tumblr, que defende que sexo é construção social, que acha que vai mudar a sagrada língua portuguesa, que não acredita que as pessoas nasçam com uma orientação e identidade de gênero destinadas? Eu, ume Joane ninguém, uma mera pessoa desconhecida, que mora no centro de São Paulo, que pode passar o dia digitando groselhas na Internet?

Verdade, né? Quem sou eu perto dessa quantidade imensa de arautos da desconstrução, sentados no trono da superioridade moral, que nunca erraram e nunca falam merda, né? Quem sou eu perto dessas reencarnações de Marsha Johnson e Sylvia Rivera? Quem sou eu diante dessas personificações da revolução e queda do cis-tema, que passam o dia nas redes sociais xingando qualquer ume por qualquer comentário minimamente leigo, que adoram lacrar e cancelar (podem me chamar de reaça por usar assim esses termos, não ligo também), que num momento falam sobre misoginia e no outro chamam o presidente de filho da puta, que falam sobre capacitismo e depois dizem que homofobia é doença mental, que colocam em caracteres especiais na bio “agender elu/delu com orgulho” e depois reproduzem retóricas de feminismo radical, etc etc etc?

Quem sou eu?

Bem, ninguém melhor do que eu mesme pra dizer quem eu sou (pois tenho local de fala sobre minha existência): sou uma pessoinha que está constantemente estudando, aprendendo, refletindo, revendo, buscando fazer alguma mudança, procurando fazer uma militância que presta, preparando território para as próximas gerações, usando de meus privilégios e do que está ao meu alcance no momento para difundir informação e conhecimento. Não, não sou a merda que falei ontem, anteontem, em janeiro, ou umas postagens reaças de 2013 (todo mundo seguia o MBL nessa época, tá?), ou as ideias que tive na adolescência. Eu sou meu presente. E meu presente é uma baita metamorfose ambulante, por mais que o tribunal na Internet diga o contrário.

Uau, escrevi esse textão inteiro só pra me exaltar? Não, não acho que fiz isso. Mas, mesmo assim, qual o problema? Por que não devo reconhecer minhas qualidades, coisa que faço com pouca frequência? Aliás, já experimentaram fazer isso? É bom. Recomendo.

Ah, eu sei que muita gente gosta de mim, sim! Pareceu um texto todo negativo de alguém odiade por todos os lados, mas estou ciente de que essa não é minha realidade. Quem gosta de mim continua do meu lado e me apoiando. Muita gente aprende comigo e vê meu melhor. Sou grate, muito grate por isso. E me sinto verdadeiramente privilegiade por fechar junto com essas pessoas uma militância real – autocrítica, produtiva, sensata, tolerante, e comprometida. É essa militância que promove as verdadeiras mudanças.

E só pra constar: não quero o perdão de ninguém, e não tenho que me redimir com ninguém também. Não sou ume pecadore se martirizando e esperando os anjos anunciarem meu arrebatamento. Errei, me desculpei, e ainda posso cometer outros erros; como toda pessoa. Eu faço isso por mim agora. Isso é pra mim, pra eu parar logo de ficar me culpando pelos meus erros e achando que não posso mais ser diferente. Passei meses fazendo "coisas boas", "me comportando", tudo afim de provar pra alguém invisível que sou uma pessoa decente. Tomei vergonha e parei com isso.

E se alguém quiser se desculpar comigo por qualquer coisa, também. Não sou ninguém pra distribuir perdão e redenção. Apenas melhore e procure não cometer os mesmos erros. E se alguém que teve experiência com cancelamento quiser uma dica, aqui vai: cancele a culpa e a autopiedade, tome vergonha, aguenta firme, e continua a viver e militar.

A todes dessa pseudo-militância tóxica, que persegue e condena e vive separada do mundo real, eu desejo apenas uma coisa: melhorem. (pensaram que eu ia digitar algo raivoso ou ofensivo, né?)

Parabéns pra quem leu até aqui, seja você alguém que me ama, que me odeia, que tem sentimentos mistos, ou que não sabe o que sentir. E como diria o icônico Pernalonga: por hoje é só, pessoal!

Prazer, Vitor Rubião. Essu sou eu.

9 de mai. de 2020

Um desabafo sobre coisas que odeio

AC: muita negatividade, palavrões, menções a coisas ruins.



Cá estou de volta des mortes pra desabafar. Afinal, o blogue é meu e eu posto o caralho que eu quiser. Vou falar um monte de coisa que odeio. Se alguém se identificar, plis, odeie junto comigo, e se quiser, compartilhe seu ódio comigo.

Eu odeio o presidente.
Eu odeio bolsominions.
Eu odeio a extrema-direita.
Eu odeio reaças.
Eu odeio reducionistas.
Eu odeio higienistas.
Eu odeio aceitabilidade.
Eu odeio respeitabilidade.
Eu odeio assimilacionismo.
Eu odeio as normas.
Eu odeio o binário de gênero.
Eu odeio a heteronormatividade.
Eu odeio as classificações e os discursos médicos sobre sexo.
Eu odeio qualquer miserável que me venha com discurso médico sobre sexo, gênero e orientação.
Eu odeio radfems.
Eu odeio transmeds.
Eu odeio neoliberais.
Eu odeio fascistas.
Eu odeio neonazis.
Eu odeio patriotismo.
Eu odeio a esquerda contra pautas identitárias.
Eu odeio progressistas que chamam tudo que não entendem de pós-modernismo.
Eu odeio a """militância""" lacradora e canceladora.
Eu odeio quem não lê a bio.
Eu odeio quem não lê as coisas até o fim e já quer discutir.
Eu odeio quem quer discutir coisas complexas numa postagem de 240 caracteres.
Eu odeio gente que defende autoverdades e opiniões como se fossem fatos.
Eu odeio fake news.
Eu odeio quem faz fake news.
Eu odeio propaganda que aparece no meio do vídeo no YouTube.
Eu odeio as grandes corporações.
Eu odeio o sistema democrático.
Eu odeio gente que acha que as pessoas ou apoiam democracia ou apoiam ditadura.
Eu odeio ditadura.
Eu odeio qualquer discurso superficial a favor da comunidade que seja sobre amor e love is love.
Eu odeio o quanto assédio é naturalizado.
Eu odeio todo tipo de moralismo.
Eu odeio a monogamia.
Eu odeio qualquer página que diz ser "LGBT+" e só fala de LGBTs.
Eu odeio qualquer página que diz ser LGBT e só fala de gays cis.
Eu odeio a minha escola.
Eu odeio gente que até hoje me dá desculpa pra não respeitar minha linguagem de gênero.
Eu odeio gente que rebate fatos com opiniões.
Eu odeio gente que se gaba por não entender as coisas e fica se autodepreciando.
Eu odeio qualquer conteúdo que insiste em dizer que atração é por sexo.
Eu odeio a descrição de linguagem [pronome]/d[pronome].
Eu odeio despolitização e alienação.
Eu odeio meus privilégios.
Eu odeio fanatismo religioso.
Eu odeio falácias da lógica e malabarismos argumentativos.
Eu odeio gente que chega me fazendo um questionário sobre minhas identidades e vivências.
Eu odeio o fato de ter que rejeitar interações com pessoas porque me veem como homem cis.
Eu odeio a quantidade de gente que chega me flertando e me maldenomina e me trata como homem.
Eu odeio qualquer discurso anti-queer.
Eu odeio gente que chama meu conteúdo de elitista, inacessível, blá blá blá.
Eu odeio o modo como tanta gente fala comigo como se eu não entendesse do que falo.
Eu odeio críticas rasas.
Eu odeio o fato que não posso ter um exame de cariótipo e ver meus cromossomos.
Eu odeio o Twitter.
Eu odeio todo mundo que me seduziu e depois agiu escrotamente comigo.
Eu odeio a estrutura binarista da língua portuguesa.
Eu odeio que todas as grandes redes sociais não fazem nada contra discurso de ódio.
Eu odeio gente que me explica o que já sei porque acha que não sei.
Eu odeio quando falam comigo no diminutivo.
Eu odeio quase toda organização LGBT(+?) brasileira.
Eu odeio meu desemprego.
Eu odeio o fato de que nunca terei a aparência que gostaria de ter.
Eu odeio pensar que um dia vou morrer.
Eu odeio quando desabafo e vem gente reclamando do meu desabafo.
Eu odeio quase sempre quando recebo opiniões não-solicitadas.
Eu odeio panelinhas.
Eu odeio gente que fala pelas minhas costas em vez de se resolver comigo.
Eu odeio os pop-ups quando vou ver série em saite clandestino.
Eu odeio bilionários.
Eu odeio bancos.
Eu odeio a história da humanidade.
Eu odeio o modelo familiar.
Eu odeio a polícia militar.
Eu odeio o fato que muita gente com quem quero um sexo gostoso está inacessível.
Eu odeio obscurantismo.
Eu odeio gente anti-ciência.
Eu odeio os Estados Unidos.
Eu odeio imperialismo.
Eu odeio o capitalismo inteiro.
Eu odeio gente pra quem não dei intimidade nenhuma vindo em mim com intimidade.
Eu odeio um monte de gente das gerações anteriores.
Eu odeio a criação que tive.
Eu odeio a tela rachada do meu celular.
Eu odeio quando tentar me obrigar ou me coagir a algo.
Eu odeio o quanto me seguro pra não xingar, explodir, criticar ou falar o que penso.
Eu odeio pacifismo.
Eu odeio o quanto demonizam ódio e raiva.

Ufa. Terminei. Porra!

31 de ago. de 2019

Mudança

Dessa vez não falo de mudanças no blogue ou mudanças internas. Falo de mudança de casa rs.

Recentemente minha avó me propôs ficar morando um tempo aqui na nossa casa de Peruíbe, a mesma casa onde morei de 2002 a 2005, na cidade onde tive a melhor parte da infância.

Como São Paulo não me oferecia mais nada de novo, aceitei logo a proposta.

Deixei mis gates e algumas pouquíssimas amizades na grande selva de concreto, mas não tenho motivos para luto ou tristeza. São Paulo me saturou e eu não encontrava felicidade lá. Minha vida estava bem estagnada.

Claro que uma cidade litorânea com cara de interior não tem as mesmas oportunidades e a mesma agitação de São Paulo, mas não posso reclamar daqui. Tenho tudo que preciso para uma boa estadia e para começar enfim a planejar meu futuro.

Eu tenho meus planos pra cá, e um deles envolve trazer ativismos. Se isso será possível ou não, ainda não posso dizer. Preciso avaliar com calma o cenário daqui, se há demandas, meus limites, enfim.

Também não sei dizer se irei criar raízes aqui ou não. Tenho intenção de voltar para São Paulo futuramente. Tudo vai depender de como as coisas vão prosseguir aqui. Se tudo der muito certo, quem sabe?

Mudanças são sempre momentos bem emotivos. Com certeza estou ansiose, talvez com um pouco de receio do que está por vir. Mas também estou bem animade e motivade a realizar coisas aqui. E eu não sentia essa animação e motivação em São Paulo. Penso que aqui será uma fase de me reenergizar e me reorganizar.

Veremos o que posso trazer para Peruíbe e o que Peruíbe trará para mim.

31 de out. de 2018

O que é sexo?

AC: menções a sexo e genitálias, descrição de atos sexuais, menção a abuso.



Ano passado participei de uma roda de conversa com pessoas não-binárias e a-espectrais. E chegamos a entrar no tópico sobre sexo e sexualidade. A princípio achei um pouco estranho pessoas assexuais e do espectro puxarem esse tema. Mas teve um diálogo fantástico.

Discutimos justamente a pergunta do título do artigo. O que torna o sexo sexo? O que é sexo de verdade? Existem critérios para determinar um ato como sexo ou somos nós que decidimos se nossos atos são sexo?

Uma das pessoas lá, que era demi e gris, disse que considerava um carinho na cabeça algo tão prazeroso que poderia ser comparado ao sexo descrito por alossexuais. E isso me fez pensar no quanto construímos uma noção tão limitada de sexo baseando-se numa perspectiva alossexual. Uma participante enriqueceu bem mais a conversa adicionando construções do patriarcado e todo o mecanismo da pornografia em padronizar o sexo.

Já sabemos o quanto é problemático considerar sexo apenas quando há penetração. Porque isso invalidaria as relações de praticantes de gouinage, principalmente pessoas com vagina. E poderia ser usado como argumento para invalidar certos casos de abuso. Mas então veio meu questionamento: precisamos tocar a pessoa?

Eu já havia feito sexo virtual duas vezes e eu senti como se tivesse transado "fisicamente" com a pessoa. Pra mim aquilo foi válido, foi real. Me conectei com a pessoa e gozamos através de estímulos visuais entre nós. Como isso não pode ser de verdade?

Foi refletindo sobre outras coisas que fiz antes da minha "primeira vez" (que aconteceria dois meses depois dessa roda) que me fizeram perceber que virgindade nem tem sentido. Eu não soube mais dizer quando foi a tal da primeira vez. Mas claro que isso não apaga o fato de que o que fiz dois meses depois foi algo marcante, pois foi bem diferente de sexo virtual ou masturbação mútua. O primeiro sexo oral e o primeiro sexo anal ainda têm um peso na memória.

Saí dessa conversa sem saber o que exatamente define sexo, mas saí dela com uma visão mais ampla que permite várias respostas à pergunta. Sexo não precisa ser físico, não precisa nem ter ejaculação. E se você quiser considerar que o sexo começou no beijo ou na simples troca de olhares, você pode. É a sua relação, é a sua vivência.

Mesmo agora acreditando que o sexo não necessita ser físico, não é todo flerte ou toda carícia que o considero como tal. É um tanto confuso, sinceramente. O que pude tirar da roda de conversa e reflexões posteriores é que precisamos redefinir nossa concepção de sexo. E precisamos estudar mais a assexualidade e o espectro assexual; assim explorando horizontes até então impensáveis sobre intimidade, prazer e o ato sexual em si.



10 de fev. de 2018

Sejam Bem Viados

No domingo minha avó veio de súbito aqui no meu quarto e perguntou da plaquinha que coloquei na porta. Na plaquinha está escrito Sejam Bem Viados num fundo de rosas vermelhas. Achei até que demorou pra alguém dessa casa reagir. E acho natural que surgisse alguma reação.

Ela veio me perguntando, meio desconsertada meio incomodada, o motivo de eu colocar aquilo. Eu ri porque achei engraçado ter causado essa reação nela.

Daí expliquei que aquilo é uma espécie de brincadeira, um bordão LGBT. E que não me importo de mostrar aquilo, afinal é a porta do meu quarto. Sei que ela não aceitou totalmente, mas ela nem discutiu, e eu deixei claro que não vou retirar.

E isso me inspirou a escrever. Engraçado também que essa semana mesmo vi uma situação quase idêntica, mas foi com um tapete com a mesma frase, e o síndico do prédio da pessoa reclamou, alegando que a frase é "ofensiva" e que lá tem crianças e idoses.

Sejam Bem Viados não é ofensivo, não é só pra chamar a atenção ou incomodar gratuitamente, e muito menos uma tentativa de "incentivar" as pessoas a serem gays (tem gente que acredita nisso).

Sejam Bem Viados é resistência, é desafiar um sistema que diz que viado é errado e não pode existir. E quando pode existir, tem que ser escondido, longe dos olhos dessa "sagrada" sociedade.

Porque a plaquinha não pode. Então acatamos e tiramos a plaquinha. Daí em seguida não querem que levamos nosse parceire em casa. Depois não podemos falar mais sobre nossa orientação e/ou identidade de gênero. Quando menos esperamos, voltamos para o armário, para a obscuridade, para a invisibilidade.

O sistema é violento. Ou nos quer mortes ou nos quer invisíveis. Em todo caso existir não é opção. Por isso precisamos reagir. E se acham a plaquinha exagero, não viram nada! Vai ter plaquinha, muita plaquinha, e tapete, e até outdoor se possível!

Eu sei que não é a minha avó que a plaquinha revolta. É esse sistema heteronormativo. Esse mesmo sistema que faz pessoas como ela rejeitarem a diversidade quando a mesma se torna evidente, quando a mesma reage.

Temos que marcar presença, sim! Temos que falar a palavra viado, mostrar que viado pode existir! Temos que aparecer, que nos "exibir", que colorir e enviadar nosso redor!

Além disso, a mensagem está lá para quem quiser aceitá-la. Quem não quiser, tudo bem. Vejo muitas mensagens por aí - "Aceite Jesus", "Venha visitar nosso hotel", "Compre nosso mais novo depilador de pernas" - que apenas ignoro porque não tenho interesse nelas. Simples, não? ^-^

E para finalizar: Sejam MUITO Bem Viados! 🏳️‍🌈




30 de dez. de 2017

Retrospectiva 2017

O que seria um fim de ano sem uma retrospectiva, né? No caso aqui será minha retrospectiva, porque se for falar dos acontecimentos do ano, não vai ter nada de bom para contar. Mentira, o ano teve também seus bons momentos. Poucos, mas teve.

Segue aí com todo amor e carinho os acontecimentos mais relevantes. Se preparem para o textão.

No começo do ano passei um mês inteiro em Peruíbe. Não foi tão bom quanto eu esperava, pois o ócio me seguiu até lá. E como a vida é uma troll, caí de um conjunto de bicicletas que eu liderava, estava junto de minha prima e dois priminhos. Ainda bem que só eu caí. Não foi nessa encarnação que escapei da marca de uma queda rs. Também aproveitei uma oportunidade e corri pelado pela casa. Recomendo. E por fim meu afilhado teve sua primeira vez na praia, e ainda filmei tudo. Vida de padrinho, né?

Voltei para São Paulo sem causa ou rumo. Comecei a pós-graduação. Eu queria Farmácia Magistral, e para minha frustração não tinha o curso. Optei por Fitoterapia clínica. Interessante, mas vi só uma aula. Desisti da pós-graduação.

Coloquei aparelho de novo, dessa vez fizeram um trabalho decente.

Fiz colação de grau. E muito feliz por estar vendo minha turma tão desunida e infantil pela última vez. Mantenho contato com umas amigas e só. E com isso me despeço da instituição onde passei 5 anos da minha vida.

Comecei a fazer academia. Quero ficar fortinho, malhadinho, padrãozinho, pra ir nas baladas e tirar a camiseta no meio da pista... Mentira, só fui por questão de saúde. E estou indo bem. Tem dias que me dá preguiça, mas vou.

Esse ano tive um contato maior com a APOGLBT, o grupo que organiza e promove a Parada LGBT de São Paulo. Fui no Ciclo de Debates da APOGLBT, que foi maravilhoso, e vi as reuniões da próxima Parada. E finalmente comprei minha própria bandeira LGBT.

Excluí todo conteúdo pornográfico do meu notebook. Não foi nada demais, apenas uma coisa íntima e espiritual minha. E passo muito bem.

Tive o prazer de conhecer muitos grupos que lutam pela causa HIV, em especial o Pela Vidda e a Fundação Poder Jovem. No PV vou nas reuniões de quinta-feira, todas com temas diferentes e muita conversa produtiva. E sou membro do PJ, onde ajudo em eventos para arrecadar fundos e acompanho o pessoal em outros eventos. Também participei de um workshop sobre juventude, saúde e ISTs. Foi uma surpresa, pois eu não sabia que eu ficaria num lugar o dia inteiro e por dois dias seguidos.

Com isso também entrei no GT da Juventude. Tive o prazer de participar de uma ação coletiva para crianças numa casa de abrigo. Foi uma ótima experiência. Ah, e conheci um dos meus dois ficantes nesse grupo. Como não amar o GT? xD

Não consegui escapar de colocar óculos. Descobri que tenho miopia. Mas felizmente os óculos me deixam sexy.

E o acontecimento mais esperado: transei. E só. Foi uma experiência inusitada, lógico, mas nada de tão fantástico. Aliás, há colegas e amigos dando mais importância a isso do que eu. E também tive a experiência de beijar meus dois ficantes em dias seguidos. Não, nunca tinha feito isso. E fiquei com o segundo ficante mais de uma vez. Não, nunca tinha feito isso. Muitos dizem que "comecei a viver". Besteira.

Acompanhei um amigo na Santa Ceia dele. Tive aquele receio de entrar na igreja e minha pele queimar, mas nada ocorreu. Suportei por ele, pois era importante para ele e ele precisava de companhia. Descobri que esse ano sou capaz de pensar nos outros, incrível.

Conheci Tath, administradore do site Orientando. Fizemos amizade. Fui em sua casa duas vezes, e na segunda tomamos uns drinks, quase fiquei bêbado. E comi coxinha de jaca. É deliciosa, sério.

Se tem uma coisa que fiz muito foi comprar livros. Foram dezenas de livros. A Saraiva devia me dar um belo desconto, só acho. Agora preciso ler!!!

Como não trabalhei ou estudei, esse ano participei de muitas rodas de debate e palestras LGBT+. Muitas mesmo. Tive contato com outras militâncias e aprendi muito com elas. Minha militância foi renovada com essas experiências e pelo Orientando.

E meu fim de ano teve dois fatos incômodos: meu celular e meu carregador de notebook pararam de funcionar. Simples assim. Consegui logo um celular novo, pois minha tia tinha um reserva. Está tudo bem. Descobri que quase tudo que faço no notebook posso fazer pelo celular. Agora só aguardo meu novo carregador chegar.

Fechei o ano participando de um Natal Comunitário. Foi uma experiência muito bonita, fez bem a minha alma. Abri mão de uma reunião "em família" (pessoas que nem gosto, mas hoje estamos de bem). E entrei para o coletivo Arouchianos. Parece ser um coletivo interessante, tem uma proposta bem inclusiva e se preocupa com as populações periféricas e de rua. Isso pra mim mostra uma ótima índole.

Esse foi meu ano de 2017. Tirando ócio, tédio, e uns boys bem esquisitos, foi um ano de aprendizado e conhecimento, saí mais do meu mundo e tive um contato humano que realmente não tive nos anos anteriores. Mudei. Não uma, duas, três, mas várias vezes. 

Estou indo para o próximo ano mais direcionado com o que quero e pretendendo ser cada vez melhor. Que venha 2018!



10 de dez. de 2017

Minhas primeiras vezes

O título é muito sugestivo, né? Primeiras vezes? Quais primeiras vezes? (tem mais de uma primeira vez?)

Sim, hoje vou falar de primeiras vezes. Das minhas primeiras vezes. Esse é o trecentésimo artigo e acho justo dedicá-lo apenas a essa maravilhosa pessoa que sou eu.

Sim, o artigo será mais descontraído. Militantes precisam de descanso também, viu?

Posso falar de tantas primeiras vezes. A primeira vez que fui na praia, a primeira vez que fui no cinema, a primeira vez que joguei um videogame, a primeira vez que andei de bicicleta, a primeira vez que madruguei fora de casa, a primeira vez que fui numa balada, enfim, são tantas!

Tem aquelas primeiras vezes que são bastante peculiares. Como a primeira vez que dormi pelado (foi esquisito, mas depois me acostumei), a primeira vez que cozinhei minha própria comida (e estava deliciosa!), a primeira vez em que acordei cedo para ir à escola (ai que horror), a primeira vez que fumei maconha (engasguei com a fumaça), a primeira vez que comprei algo inútil com meu dinheiro (aquela sensação de gastar por gastar), ou a primeira vez que comi uma coxinha de jaca (para minha surpresa é saborosa).

Mas chega disso tudo porque sei que muitxs de vocês devem estar querendo ler sobre coisas mais íntimas. Ok, vou agora para as primeiras vezes mais... pessoais. u.u

A primeira vez que vi um pornô foi ótima pela novidade, mas tensa pelo medo de ser flagrado. A primeira vez que me masturbei foi maravilhosa, melhor ainda sem o sentimento de culpa. A primeira vez que mandei nudes foi muito espontânea, taquei o foda-se para a insegurança. A primeira vez que beijei foi boa, porém expectativas romantizadas foram quebradas. A primeira vez que fiquei pelado na frente de outra pessoa foi gostosamente impulsiva. A primeira vez que fiz sexo virtual foi cheia de tesão, libertei minha safadeza interna. A primeira vez que fiz sexo físico foi estranha e engraçada, nem boa ou ruim.

Se espero mais primeiras vezes? Clarooo! Tem tanta coisa que quero fazer, tantas comidas e bebidas a serem experimentadas, lugares para ir e explorar, livros para ler, enfim. E ainda aguardo meu primeiro sexo a três (p-o-l-ê-m-i-k-a).

É isso? Sim, é isso. Os maiores detalhes guardo para minha alma. =^.^=

Um brinde a todas as minhas primeiras vezes. Pois se não fossem por elas eu não teria histórias para contar. Pois sem elas eu não teria vivido. Pois caso não tivessem ocorrido, então não seriam primeiras (óbvio).



30 de nov. de 2017

Expectativas familiares

Genitores, principalmente pais e mães tradicionais, costumam planejar roteiros de vida para seus bebês, antes ou pouco tempo depois de nascerem, criando muitas expectativas sobre o que eles serão e farão.

De todas as expectativas, há três que já vi com frequência e sinto necessidade de problematizar:

- Que sigam a carreira que não puderam seguir
- Que cresçam para cuidar na velhice
- Que tenham filhos para assim terem a experiência de serem avôs

Tá, vamos analisar cada item.

Primeiro item. Talvez a pessoa tenha prazer e consiga sucesso na carreira que seus genitores não puderam seguir. Mas impor isso é, antes de tudo, ir contra o direito de escolha da pessoa. Sem contar que esperar que os filhos compensem por seus fracassos e frustrações é uma atitude tóxica para ambos os lados.

Sobre o segundo item, é sim louvável e uma demonstração de gratidão os filhos atenderem às necessidades dos genitores na velhice. Agora, colocar isso como uma das principais expectativas é um ato de muito egoísmo. Afinal, querem criar pessoas ou cuidadores? Não seria melhor planejar uma velhice saudável e independente, que é totalmente possível atualmente? E mais, o que garante que viveremos até a fase idosa? Ninguém sabe o dia de amanhã.

E finalmente, o item que parece mais inofensivo e na verdade é o pesadelo de muitxs jovens LGBTs: esperar que a pessoa procrie. Pensar nos bebês do bebê é um pensamento fundamentalmente heteronormativo. Além de que pode haver homens ou mulheres hétero-cis que não desejam procriar. Ou de repente podem não ter capacidade reprodutiva.

Ainda sobre o terceiro item, muitas famílias, mesmo com toda essa discussão e abordagem recentes sobre diversidade, ainda esperam que as crianças nasçam heterossexuais cisgêneros perissexos. Podem até dizer que não, mas a maioria tem essa idealização. Mesmo que sem intenção ou consciência, essa idealização pode causar alguma pressão na criança.

É comum algumas pessoas falarem que não querem que as crianças se descubram LGBTs porque "não querem que sofram". Sei que não é a intenção, mas essa frase é muito problemática. Primeiramente, e repito, genitores não têm que querer nada relacionado com a intimidade dos filhos. E segundo, não querer que alguém seja de um grupo alvo de discriminação por sofrer discriminação é querer se livrar do efeito, e não a causa. Que tal lutar contra as discriminações?

Enfim, minha mensagem é que as famílias criem pessoas e se preocupem com a felicidade pessoal delas. Deixem-nas fazer o próprio roteiro de vida. Deixem-nas ser quem são.



30 de set. de 2017

Pensamento do dia

Nós, seres humanos, e nossa doce ilusão da imortalidade.

Queremos viver como se não houvesse amanhã. Quando fazemos aniversário falamos "mais um ano de vida". Gostamos de pensar num futuro e não no fim. Planejamos coisas para daqui a anos.

Adoramos falar sobre juventude. Que a velhice está no espírito, que podemos permanecer jovens. Que não podemos deixar a idade nos envelhecer, que é apenas um número.

Vemos pessoas falecendo. Animais de estimação falecendo. Plantas falecendo. E não queremos pensar que um dia teremos o mesmo destino.

Essa é uma das maiores sabedorias antigas que as gerações passadas passam (ou tentam passar) para as gerações atuais: a única certeza dessa vida é que vamos morrer.

Realmente, o que podemos saber além da morte inevitável?

O que sabemos sobre a vida? Ou o que achamos que sabemos? Não falo da vida biológica (que também é um mistério), falo da vida existencial - nossa mera existência nesse mundo caótico e de infinitas possibilidades.

Não digo também para pensarmos na morte o tempo todo. Para que pensar em algo que sabemos que algum dia chegará? Apenas digo: esquecer da morte não traz imortalidade.

O que acontece depois da morte ninguém sabe responder. As inúmeras religiões e crenças nos fornecem explicações que não podem ser comprovadas. O ceticismo ainda diz que nada acontece. Mas talvez o real significado da vida esteja na própria morte.

A morte é o oposto da vida? Faz parte dela? Ou é apenas um lado da mesma moeda?

Às vezes penso que talvez a morte nem exista. O que chamamos de morte é uma visão limitada para uma parte da vida que não podemos tocar.



16 de set. de 2017

Transexpressão

Esse é um conceito bem novo. Cada vez mais assuntos como identidade de gênero e transgeneridade têm ganhado espaço e atenção. Mas hoje o assunto é sobre expressão de gênero.

A transexpressão é quando a expressão de gênero de uma pessoa muda periodicamente, mas seu gênero permanece estático. Ou seja, nada tem a ver com pessoas gênero-fluído. E quando se fala expressão pode ser nas roupas e/ou no comportamento.

Então, tanto pessoas cis quanto pessoas trans podem experienciar a transexpressão. Uma pessoa com um determinado gênero pode sentir que sua expressão varia entre masculina, feminina, andrógina, neutra e alguma outra fora desse espectro.

Isso não quer dizer que todas as pessoas transexpressivas variam entre todas essas qualidades. Podem ser entre duas ou mais delas.

Decidi abordar sobre o assunto porque eu mesmo me descobri um homem cisgênero transexpressivo há pouco tempo. Não sei quando exatamente, mas comecei a reparar em mim mesmo mudanças de expressão. Há períodos em que me percebo como um homem masculino; em outros, um homem feminino; e em outros, homem neutro.

Eu não sabia explicar isso porque não sou gênero-fluído. Até que uma pessoa não-binária que é muito informada sobre a diversidade de gênero me apresentou o conceito. E finalmente pude explicar minha vivência.

É possível fazer uma comparação entre transexpressão e "não-conformidade de gênero" (gender non-conforming - GNC). Para quem não sabe, GNC é quando uma pessoa "não expressa seu gênero da forma socialmente esperada" - por isso foi muito utilizado para homens afeminados e mulheres masculinizadas.

O conceito de GNC não me agrada e não considero apropriado para ninguém. Mas ainda há pessoas da comunidade que utilizam o termo (não de uma forma pejorativa). Isso deve ser respeitado.

Concluindo, não temos apenas diversidade de identidades de gênero, como também de expressões de gênero. A formação de conceitos como esse é importante para que outras pessoas se encontrem. E você? É uma pessoa transexpressiva?



20 de jul. de 2017

Pensamento do dia

Às vezes temos aquela vontade súbita e louca de fazer algo que normalmente não faríamos.

Pegar algum meio de transporte e sair pela cidade sem rumo. Vestir alguma roupa extravagante e ir em algum lugar. Comer alguma comida estranha. Pintar coisas pelas paredes da residência.

Acho que temos um pouco de loucura dentro de nós.

Ou o que chamamos de loucura talvez seja nada mais do que um aspecto natural nosso.

Mas não seria legal entrar numa sala de aula e fingir ser um professor substituto? Ou simular um tiroteio no meio da rua usando armas de tinta colorida? Já imaginou que incrível seria poder entrar numa casa aleatória e passar um dia lá?

Por que não fazemos essas loucuras? Falta de oportunidade ou por questões morais?

Já parou para se perguntar se você pudesse fazer loucuras, o que você faria?

Quanta gente não gostaria de assaltar uma loja e fugir da polícia? Ou ir num museu e brincar de estátua? Ou fugir para alguma mata e morar lá por um tempo?

Fico me perguntando se essas loucuras são alguma necessidade ou se são apenas reações a toda essa normalidade chata que nos cerca.

Vamos guardar nossas loucuras e continuar com a máscara de normais.



14 de jun. de 2017

Pensamento do dia

Cada pessoa é um grande livro, uma letra de música, uma série ainda em continuidade, um mundo para ser descoberto, um templo ainda em construção.

Quando estão vivas, são imagens em constante movimento, que podem nos dizer muito ou pouco. Podemos só observar ou interagir. Sempre da nossa perspectiva.

Quando estão mortas, são ecos do passado que podemos ouvir ou não. Quando ouvimos, não é certeza de que estamos ouvindo toda a verdade, afinal os mortos não contam sobre sua vida.

Elas podem deixar parentes, amizades, autobiografias e registros de suas ações em vida. Sempre usaremos tudo isso para julgá-la, seja para o bem ou para o mal.

Mas é possível conhecer a pessoa totalmente? Conhecer até aquilo que ela não fala?

Entre pequenas verdades, meias-verdades, mentiras e perspectivas diferentes, nunca saberemos a total e grande verdade sobre as pessoas. Só elas podem sabê-la. Só elas a possuem.

Somos donos de nossas verdades. Tão donos que não podemos revelá-las.

"Ninguém nunca saberá."

Vivas ou mortas, o que vemos, ouvimos e sabemos das pessoas é apenas uma ponta de um iceberg. Tudo que está mais oculto, na parte mais profunda, não podemos alcançar.

Talvez possamos nos entender sem precisar chegar nessa profundidade proibida. Talvez nunca precisemos cruzar essa linha, se for possível.

Mas temos sempre aquela curiosidade...

"O que essa pessoa está escondendo?"

Nunca saberemos.



7 de mai. de 2017

Pensamento do dia

O que estamos ensinando para as pessoas? Que exemplo estamos dando para o mundo?

Questionamos desde sempre o propósito da vida: afinal, para que viver? A vida faz sentido? Existe um jeito certo de viver?

Queremos experimentar vários caminhos para o futuro, queremos muita coisa, temos talentos e passatempos e curiosidades, mas pensamos no tempo. "Poxa, o ser humano vive pouco tempo". (Será?)

Queremos ter nossa própria identidade, construída ao longo dos anos por nossas vivências e tendo uma influência do meio. E aí tem uma parcela de gente dizendo que você deve ser.

O que queremos? O que você quer? O que eu quero?

Viver é adquirir felicidade? Mas como adquiri-la? O que é felicidade? Ela existe mesmo?

Na vida desejamos muita coisa: família, amizades, amores, dinheiro, bens materiais, comida. Tudo que achamos que não podemos viver sem. (tá, comida é essencial mesmo)

Contudo, conseguir tudo que queremos, no momento, preenche o nosso vazio?

Sempre queremos mais ou queremos algo diferente. Porque estamos tentando viver a vida.

Há quem diga que viver é fazer o que quer, ser independente. Ou que é ter muito dinheiro para ter o que quiser. Ou é explorar os prazeres e oportunidades que surgem. Ou se dedicar a ajudar as pessoas.

Quem tem razão? Não sei dizer. Tirando o lado problemático do dinheiro, talvez cada hipótese tenha seu fundo de razão.

Não seria ótimo ser livre para conseguir tudo que desejar e ainda poder ajudar as pessoas? Afinal viver somente para si sempre deixa um vazio. E ajudar quem precisa pode preencher esse vazio.

Não diga que não tem tempo, chance ou maneiras de ajudar. Sempre temos.

Se a sua vida estiver vazia, tente algo diferente. Apenas tente.

Tem sempre alguém por aí que precisa de algo que podemos oferecer. Pode não ser o único jeito de viver, mas você pode mudar a vida de alguém.



15 de abr. de 2017

Comidas afrodisíacas

Sexo é muito bom, mas já experimentou comer alimentos antes do sexo que podem te deixar com mais tesão, prolongar mais o ato e aumentar o prazer? A natureza dispõe desses artifícios na forma de frutas, verduras, cereais, entre outros.

Como é possível alimentos intervirem numa relação sexual? As explicações são fisiológicas: estímulo da produção de hormônios da libido, aumento da sensação de prazer na região do cérebro, produção de energia para os músculos, e aumento da circulação sanguínea (vasodilatação) nas genitálias.

Segue abaixo os alimentos e seus efeitos:

- Morango: rico em vitamina C e potássio, necessários na produção de hormônios sexuais.
- Banana: rica em vitaminais do complexo B e potássio, necessários na produção de hormônios sexuais.
- Abacate: rico em vitamina E, que aumenta a libido.
- Frutas cítricas: têm antioxidantes, que impedem a degradação dos hormônios sexuais.
- Vinho: vasodilatador e estimula a produção de estrogênio.
- Alho: aumenta a libido no sexo feminino e é vasodilatador.
- Gengibre: aumenta o fluxo sanguíneo para a genitália, o que pode prolongar a ereção.
- Pimenta: vasodilatadora, aumentando a temperatura e batimentos cardíacos.
- Manjericão: estimulante e aumenta o fluxo do sangue nos genitais.
- Cravo da Índia: estimula a libido e produção de energia no metabolismo.
- Ginkgo biloba: seu extrato é vasodilatador.
- Ginseng: estimulante sexual e regula a liberação dos hormônios sexuais (no hipotálamo).
- Hortelã: estimulante sexual.
- Noz-moscada: vasodilatadora.
- Mostarda: sensibiliza a genitália.
- Açafrão: sensibiliza a pélvis (cabeça do pênis).
- Jambu: tem efeito relaxante.
- Anis e mamão: ambos têm compostos estrogênios, que agem como os hormônios do sexo feminino.
- Alecrim: sua ingestão e seu aroma são estimulantes.
- Folhas verdes: ricas em magnésio e cálcio, que melhoram a circulação do sangue.
- Aspargo: estimula a produção de histamina (hormônio que estimula a libido).
- Aipo: libera androsterona, um hormônio masculino e aumenta a libido de quem for sensível a ele.
- Amêndoas, castanhas e nozes: vasodilatadoras e lubrificantes naturais.
- Amendoim: rico em vitamina E, aumenta produção de energia.
- Canela: estimulante sexual que é vasodilatador e tonifica os músculos.
- Catuaba: estimulante sexual que aumenta produção de energia no corpo e tonificação muscular.
- Aveia e cereais integrais: estimulam a produção de testosterona.
- Mel: tem vitaminas do complexo B (que estimulam testosterona) e boro (que metaboliza o estrogênio).
- Trufa (fungo): o aroma remete ao ferormônio masculino.
- Ostra: tem aminoácidos usados na produção de hormônios sexuais e lubrificantes vaginais. Deve ser consumida regularmente para ter seus efeitos garantidos.
- Lagosta: rica em fosfato, iodo e zinco, minerais que liberam energia e são lubrificantes.
- Chocolate: libera o hormônio serotonina, responsável pelo prazer.

Quem disse que comida e sexo não combinam? =^.^=



2 de abr. de 2017

Educação sexual

Outro tema que gera polêmica entre famílias é se deve ou não incluir educação sexual nas escolas. Sim, nós aprendemos sobre anatomia e reprodução humanas antes da puberdade. Mas o que falta para as instituições é explorar a dimensão psicológica e social do sexo, não apenas o biológico.

Nessa nossa era da informação (ou deveria ser) crianças e adolescentes são constantemente expostos a temas como esse. Muito se fala sobre sexo, tesão e prazer. Mas pouco se fala sobre uma vida sexual saudável e controlada. E prevenção deveria ser abordada com mais insistência, e estar acessível a todas as camadas sociais.

Com que idade deve-se abordar sobre sexualidade na escola? Bem, acredito que um pouco antes da puberdade é aceitável; entre 11 a 13 anos. Alguns países fazem isso. Porém, falar de sexualidade dentro de casa não tem uma idade específica. Às vezes a criança vê e pergunta. Normal. E por que não responder com sinceridade que aquilo é algo que "adultos fazem"?

Nenhuma criança ficará traumatizada por descobrir como ela foi gerada. Aliás, a geração infanto-juvenil atual vê coisas muito piores na televisão e na Internet. É inevitável. O que não for falado em casa e/ou na escola será aprendido na Internet ou por aí fora de casa.

Crianças precisam aprender que existe sexualidade. Até porque elas mesmas têm sua própria sexualidade, mesmo que ainda não aflorada. E adolescentes precisam aprender que sexo não é brinquedo. Deve-se haver proteção e controle para evitar doenças (algumas incuráveis), distúrbios e gravidezes indesejáveis.

Se continuarmos tornando a sexualidade algo pecaminoso, feio ou proibido, a repressão sexual só aumentará, o que só serve para estimular os índices de disfunções e transtornos sexuais em jovens e pessoas adultas e idosas. É uma questão de saúde ao longo da vida!

E não apenas falar de sexo e prevenção, mas também precisamos abordar a diversidade sexual. Do que adianta promovermos uma educação melhor e falar sobre a heterossexualidade se deixarmos jovens homossexuais, bissexuais, pansexuais e assexuais na inexistência, sem referências ou respostas?

A mesma educação que fala de sexo reprodutivo pode também falar sobre sexo não reprodutivo. Todas as formas de relações sexuais devem ser explicadas e normalizadas para adolescentes terem vidas sexuais conscientes e plenas.

Fazer tabu sobre a sexualidade é manter a ignorância. Educar não é incentivar, e sim informar! Não educar é o que realmente incentiva jovens a matarem suas curiosidades de forma descuidada e prejudicial. Informação é a salvação dessa geração.



12 de jan. de 2017

Pensamento do dia

Quando um ciclo se fecha, desejamos que no novo ciclo haja somente bençãos, sucesso, prosperidade, tudo de bom e melhor.

Passou das 0h ninguém mais se odeia, as mágoas ficam para trás, confraternizamos tanto quanto no Natal, fazemos retrospectivas, e tudo o mais.

Faz tanta diferença assim a transição de 23h59 para 0h?

Lembramos do que aconteceu de bom e ruim na trajetória do ano que se finalizou. O que é bom devemos usar como lembrança. O que é ruim devemos usar para reflexão e aprendizado. Assim segue a vida.

Não podemos querer que o novo ano seja diferente se formos iguais ao ano anterior. Quem tem que mudar somos nós, não apenas o número no calendário.

Temos também a mania de culpar o ano pelas desgraças e tragédias. "Que que está acontecendo com o ano de xxxx?" O problema não é o ano, somos nós - a humanidade.

O planeta apenas gira, completa uma volta em torno do Sol.

Um novo ciclo começa mesmo quando nós nos renovamos.

Renovem-se! Iniciem vocês seus próprios novos ciclos. E não precisa ser depois das 0h no último dia do ano. Pode ser a qualquer momento.

Espero que neste ano as pessoas se renovem.



8 de jan. de 2017

Diversidade na Natureza

Conservadores e gente preconceituosa adora falar de Biologia para atacar e anormalizar a diversidade humana de sexualidade, gênero e até sexo biológico. "A natureza é perfeita", dizem. "Só existe macho e fêmea, e ambos se completam, e assim deve ser". Só concordo com a primeira frase.

Vamos ver o que a própria Natureza tem a dizer ou nos mostrar sobre isso?

Comportamento homossexual/bissexual foi observado em diversas espécies. Entre essas espécies estão leões, carneiros, girafas, pinguins, muitos tipos de aves, e até macacos e golfinhos, dois animais que, além do ser humano, transam por prazer.

Existem casais homoafetivos de pássaros que passam juntos a vida toda. E já houve casais homoafetivos de pinguins que adotaram filhotes sem família. Até o modelo de família tradicional foi desafiado aqui.

Deixemos a sexualidade de lado. Falemos dos papeis do parzinho tradicional macho e fêmea. A fêmea é aquela que cuida da prole, certo? Na maioria sim. Menos no caso de pinguins, emas, sapos e rãs, e saguis; o macho é quem cuida dos filhotes. Bom, a fêmea é aquela que sempre dá à luz, né? Sim... com exceção dos cavalos-marinhos.

Todas as espécies se dividem apenas em macho e fêmea? Os seres hermafroditas discordam - eles têm os dois sexos. Exemplos? Minhocas, caracóis, lesmas, e alguns peixes. Quase todas as plantas que dão flores possuem nelas órgãos reprodutores femininos e masculinos.

E afinal, para que se limitar a ser macho ou fêmea a vida toda? Peixes como a garoupa e peixe-palhaço possuem órgãos de ambos os sexos, então seguem se desenvolvendo num sexo, mas depois seus órgãos convertem-se no outro. As bactérias do gênero Wolbachia infectam diversos insetos e fazem os machos se tornarem fêmeas mudando seu código genético.

Ok, existe animal hermafrodita. Mas no fim só encontramos dois sexos biológicos. Mentira, o protozoário Tetrahymena thermophila tem sete sexos.

Se a própria natureza é diversificada, por que a diversidade humana deveria ser discriminada? A diversidade está em quase todas as espécies. O preconceito só existe em uma.



4 de jan. de 2017

Recontando minha experiência com aplicativos

Retorno com esse assunto porque senti necessidade disso.

Vai fazer dois anos que parei de usar os aplicativos, dois anos após toda minha experiência inusitada com esse recurso para "conseguir alguém".

Já lancei aqui um artigo contando o que passei. Agora desejo contar de novo, mas de outra forma. Uma forma mais madura. E dessa vez vou apresentar melhor minhas falhas e meus aprendizados ao invés de fazer só papel de vítima desiludida.

Meu primeiro erro foi querer arrumar namorado. Simples assim. Se vocês ainda acreditam no merchan que fazem dizendo que encontrará "sua outra metade", recomendo que parem. Não romantizem o aplicativo, vai ser uma queda feia.

Não vou ficar me culpando por ter sido ingênuo. Quem nunca foi, né? Mas sim, a ingenuidade foi uma das causas do meu fracasso. Assim como de outras pessoas. A Disney, as telenovelas, os romances da ficção estragaram muita gente com uma visão irreal do que é amar alguém. Amor é construído com o tempo, com a convivência, e não é a mesma coisa que paixão.

Continuo tendo meus princípios de sempre, os quais expressei aqui no blog várias vezes. Não consigo ser muito liberal; sair por aí beijando vários e fazendo sexo com desconhecidos. E no momento em que percebi que apps eram um ambiente hostil para alguém como eu, o correto teria sido parar. Eu insisti...

As pessoas dos apps não sabem conversar. Isso é fato. Não sabem puxar e manter um assunto, o que colabora com o desinteresse rápido. Mas eu também pertencia a esse grupo.

Uma explicação para o desinteresse rápido é justamente devido à informação que vem rápido. Sabemos muito da pessoa em pouquíssimo tempo. Não desenvolvemos um diálogo. Sem contar que dialogar virtualmente não é o mesmo que pessoalmente. A tecnologia nos fez perder esse contato.

Embora eu reclamasse tanto dos homens que vinham falar comigo abordando só sexo e putaria, cometi esse mesmo erro com outras pessoas, durante e após essa experiência. Irônico, né? O problema não está em abordar o assunto, e sim focar nele. E abordá-lo muito rápido, gostem ou não, causa a impressão de que você só quer sexo, nada mais.

Não vou mentir: ainda sinto um pouco de ódio de todos que conheci. Por terem me ignorado e por terem se desinteressado rápido. Por me enganarem. Por não serem verdadeiros comigo. Mas agora vejo que eu deveria sentir pena dessas pessoas.

E não apenas delas. Há outras pessoas que encontram nos apps uma forma de mendigar um mínimo de atenção, por mais breve que seja. Sim, isso deve ser tratado, é um problema interno. Carência é uma questão atual bem frequente na juventude, a carentes tratam apps como uma saída ou remédio. A juventude atual prega ódio e descaso contra carentes, embora, no fundo, todo mundo tenha sua carência.

Mesmo hoje ainda me aparecem pessoas que trazem o mesmo comportamento para as redes sociais. Não sabem conversar, se interessam e desinteressam rápido, querem pra agora e sem esforço, cometem os erros habituais citados. É triste ver que apps não são o bastante. Facebook, Twitter, Instagram etc acabam sendo extensões dos apps.

Vamos agora largar de hipocrisia e admitir que apps são essencialmente superficiais. Por quê? Porque neles escolhemos mais pela aparência do que pela descrição de perfil. Não vem com essa de que você escolhe só pela personalidade, não minta para si.

Dificilmente você encontrará uma pessoa real lá. O que você mais encontrará em apps é: gente carente, gente querendo sexo, ou gente usando sem propósito. E boa sorte em combinar com a pessoa ou ela milagrosamente te chamar e vocês não estragarem tudo na conversa.

No fim das contas, os apps são um reflexo do que somos fora do mundo virtual. As consequências da era moderna pesam em todxs nós. Assim como as influências sociais (a cultura do desinteresse, por exemplo).

Houve gente que me sugeriu usar e usar até encontrar alguém. Sinceramente, não tinha e continuo sem ter condição psicológica para isso. O que passei foi suficiente. Pra quem fez isso e conseguiu o que queria, meus parabéns. Prefiro seguir sem apps.

Se recomendo apps? Bem, use por sua conta e risco. Se for para conseguir encontros casuais, se joga. Se for para arrumar alguém, talvez consiga, mas após muito sofrimento e decepção. Claro que isso não vale se você estiver dentro dos padrões de beleza, afinal nos apps você será julgadx por seu rosto/corpo e não sua descrição de perfil.

E assim começamos o ano de 2017. Beijos de luz!



31 de dez. de 2016

Nesse ano

Último artigo no último dia do ano. Que coincidência, não?

Então aproveitarei essa oportunidade para dizer algumas coisas positivas, negativas e talvez neutras desse ano. Sem retrospectivas ou citar acontecimentos específicos. Nem mesmo nomes.

O ano de 2016 foi um ano agitado, para o Brasil, para o mundo, e para minha pessoa.

Nesse ano teve mudança (golpe) na política brasileira. O povo mostrou sua face nas eleições, daqui e nos EUA. A hipocrisia e a indignação seletiva das pessoas continuam rolando à solta nas redes sociais.

Nesse ano muitas almas deixaram nosso plano de existência, muitas figuras conhecidas. A grande maioria adorada, algumas com controvérsias.

Nesse ano foi marcado por tragédias e violência. Falamos muito de violências específicas, mas a violência em si é uma criatura louca que pode ir além de alvos.

Nesse ano a arte entrou mais em evidência, a arte fluiu, desafiou, e falou sobre tolerância, sobre humanidade, sobre estigmas.

Nesse ano lançou muitas séries e filmes agradáveis de ver, que cativaram o público, e passaram mensagens de vida e mostraram inclusão de grupos pouco vistos.

Nesse ano as Olimpíadas tiveram lições e exemplos de superação e inclusão também. O Brasil alegrou-se e se destacou. 

E, por fim, esse ano foi um ano de queda seguida de ressurreição para mim. Depois de um período de conflitos internos, dificuldades, reclusão e amargura, consegui me levantar. Não deixei a depressão me corroer e me reergui, subindo de volta os degraus dos quais tropecei e rolei abaixo. Subi e continuarei subindo!

Para o ano que está por vir, eu desejo que o melhor aconteça para mim, para a humanidade, e para o mundo.  Não precisar ser um ano perfeito. Basta impulsionar o melhor das pessoas. No fim, quem tem que mudar somos nós, e não o número no calendário.

Feliz Ano Novo!