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25 de nov. de 2019

Conceito: orientação afinitiva e amativa

No começo do ano foram cunhados termos para falar de duas categorias de orientações: afinitivas e amativas.

  • Orientação afinitiva: descreve por qual ou quais gêneros você sente ou não atração. Temos como exemplos gay, lésbica, bissexual, panromântique, assensual, entre outros.
  • Orientação amativa: descreve como funciona sua atração. Temos como exemplos muitas orientações a-espectrais, como demi, gris, cupio, etc.

Podem ser conceitos úteis para separar melhor identidades de atração, e também para normalizar mais as orientações amativas, pois ainda é frequente que muita gente veja mais sentido ou validade em orientações que especificam atração por determinados gêneros.

Enquanto orientações mono e muitas orientações multi são essencialmente afinitivas, orientações a-espectrais, fluídas e indefinidas são amativas num geral. E, claro, assim como há identidades que podem ser multi e fluídas, há aquelas que podem pertencer às duas categorias (ex: duo).

15 de abr. de 2018

Não-binariedade: Orientações

Assim como os gêneros, há rótulos de orientações criados especificamente para não-bináries. Isso se deve ao fato de que suas atrações têm particularidades, tanto pelo gênero quanto por estarem fora das concepções sociais de relações "hétero", "gay" e "lésbica".

A identidade hétero foi criada para pessoas binárias e não contempla nenhuma pessoa n-b. Já as identidades gay e lésbica têm uma história muito importante, e atualmente estão acessíveis a pessoas de outros gêneros masculinos/femininos e que tenham atração exclusiva ou maior por homens/mulheres, assim como por gêneros iguais ou similares. Mesmo assim há outros rótulos de orientações mono.

E sobre as orientações multi, quase todas são accessíveis para todo mundo. Mas aqui haverão rótulos mais específicos também.

Segue abaixo as orientações mono e multi:



Cetero (ou Medisso): atração exclusiva por não-bináries.
*Obs: é controverso pessoas binárias usando essa orientação, pois pode facilmente ser um caso de fetichização.


Novo: pessoa gênero-fluído (ou que esteja vivenciando uma fluidez de gênero) que muda sua atração quando seu gênero muda (ex: a pessoa é bi quando agênero, ou hétero quando mulher, ou gris quando andrógine etc).


Onigay (ou Onique): pessoa que muda sua atração quando o gênero muda, de modo que ela seja sempre atraída pelo mesmo gênero que vivencia no momento.


Feminamórique (ou Femina): atração (qualquer uma) exclusiva por mulheres binárias. É uma alternativa menos controversa do que a orientação gine (que poderia ser associada à atração por vagina).


Viramórique (ou Vir): atração (qualquer uma) exclusiva por homens binários. É uma alternativa menos controversa do que a orientação andro (que poderia ser associada à atração por pênis).


Proqua: pessoa feminina que sente atração exclusiva por outras pessoas femininas. Usada por pessoas n-b que não se sentem à vontade com a conotação binária de lésbica.


Proquu: pessoa masculina que sente atração exclusiva por outras pessoas masculinas. Usada por pessoas n-b que não se sentem à vontade com a conotação binária de gay.


Martesique: atração exclusiva por homens e pessoas alinhadas com o gênero masculino.


Venusique: atração exclusiva por mulheres e pessoas alinhadas com o gênero feminino.


Terrarique: atração exclusiva por outres não-bináries e pessoas alinhadas com gêneros n-b.




Esses são os rótulos criados até agora. Se houver mais vou atualizar a lista.



3 de mar. de 2018

Espectro multi

Falar sobre atrações multi - atrações direcionadas a mais de um gênero - é falar sobre uma imensa diversidade, não apenas de identidades, mas de experiências também. Enquanto há orientações multi mais fixas e constantes, há orientações mais fluídas e orientações com condições específicas.

Já abordei sobre as diferenças entre bi, poli e pan e sobre terminologias usadas pela comunidade bi. Hoje vou falar sobre mais identidades multi.



Bi: a definição mais atual é atração por mais de um gênero. Atualmente bi é uma identidade bem ampla, e só deve ser escolhida por quem a quiser.


Poli: geralmente a definição é atração por muitos gêneros. A pessoa pode escolher essa identidade se identificar atração por três gêneros ou mais.


Pan: a definição mais usada é atração independente de gênero. Algumas pessoas pan falam ter atração por todos os gêneros.


Oni: atração por todos os gêneros. Como há pessoas pan que usam essa definição, por isso podem se dizer oni também. No entanto, há pessoas que preferem oni do que pan por motivos de: a) não encaixam na definição de "atração independente de gênero" e valorizam a atração por gêneros em sua identidade; b) há onis que defendem que sua atração não se limita a humanes, e que poderiam se atrair por outras raças (ex: alienígenas).


Penúlti: atração por todos os gêneros, menos seu próprio gênero.


Paro: atração por múltiplos gêneros, porém a atração funciona de forma diferente para os gêneros lhe atraem (por exemplo: a pessoa sente atração forte por um gênero, uma atração condicional por outro, uma atração menos frequente por outro etc).


Abro: uma atração muito fluída ou sentimentos em relação a ela que mudam constantemente, por isso não pode ser especificada. Há pessoas abro que dizem que sua orientação às vezes é bi, às vezes é homo, às vezes é pan, e etc. Há pessoas abro que não conseguem se definir, pois sua atração muda de forma muito rápida e confusa. E há pessoas abro que passam por esses dois estados.


Duo: ter duas ou mais orientações específicas e trocar entre elas. Tem alguma semelhança com abro, mas a experiência é mais bem definida e compreendida. 


Sans: uma orientação muito fluída que não segue linhas de atração. Geralmente é definida também como "sem orientação".


Ambi: atração exclusiva por homens e mulheres ou também atração por pessoas do mesmo gênero e de um gênero diferente.


Tri: atração por três gêneros. Às vezes definida como fluir entre bi, poli e pan.


Quade: atração por quatro gêneros, podendo ser fixa ou fluída.


Quinte: atração por cinco gêneros, podendo ser fixa ou fluída.


*Nota: em relação às atrações tri, quade e quinte, deve-se respeitar o fato da pessoa querer quantificar suas atrações. Querer jogar essas identidades como "basicamente poli" é errado.

Multi: geralmente é um termo guarda-chuva para todas as orientações que definem atrações por mais de um gênero. Mas também pode ser uma identidade por si só, atração por múltiplos gêneros, sem uma especificação ou mais explicações.


Min: atração por pessoas masculinas - que associam seu gênero ou sua aparência com masculinidade.


Fin: atração por pessoas femininas - que associam seu gênero ou sua aparência com feminilidade.


Nin: atração por pessoas neutras ou mesmo andróginas - que associam seu gênero ou sua aparência com neutralidade ou androginidade.


Lin: atração por androginia ou pessoas de aparência andrógina, embora não necessariamente por pessoas de gêneros andróginos.


Neu: atração exclusiva por pessoas agênero.


*Obs: as atrações min, fin, nin, lin e neu podem ser consideradas como atrações mono dependendo das experiências e perspectivas da própria pessoa.

Netúnique: atração por mulheres, agêneros, e todes não-bináries que não são de identidades masculinas ou conectades com masculinidade.


Urânique: atração por homens, agêneros, e todes não-bináries que não são de identidades femininas ou conectades com feminilidade.


Outras orientações fluídas e que utilizam sufixos específicos incluem:

- fluxos: esse sufixo é utilizado para especificar que a orientação da pessoa é fluída dentro dela mesma. Orientações fluxo são caracterizadas pelas mudanças na intensidade das atrações; há períodos que a pessoa sente maior atração por um gênero, em outros sente atração igual por todos que lhe atraem, e em outros pode ter uma atração fraca pelos mesmos.

Abaixo estão as bandeiras bifluxo e panfluxo.


- flexíveis: as duas orientações flexíveis são controversas nas comunidades multi, principalmente na bi, pois essas identidades são frequentemente utilizadas propositalmente por pessoas mono para apagar ou de zombar das atrações multi. Vamos levar em conta que a diversidade é imensa, e que pode sim existir uma atração entre mono e multi.

Heteroflexível ou Ela: uma pessoa hétero que sente essa atração na maior parte do tempo, mas às vezes pode abrir exceções. Recentemente criou-se "ela" como uma alternativa para o termo.

Abaixo estão a bandeira heteroflexível e a bandeira ela.


Homoflexível ou Aniso: uma pessoa homo que sente essa atração na maior parte do tempo, mas às vezes pode abrir exceções. Recentemente criou-se "aniso" como uma alternativa para o termo.

Abaixo estão a bandeira homoflexível e a bandeira aniso.




Existem algumas outras identidades multi além dessas. Quem não conseguir se encaixar e quiser outra identidade, pode falar comigo e ajudarei nisso.

Para quem entende inglês, aqui está o site Pride-Flags, que foi de onde tirei a maioria das identidades: https://pride-flags.deviantart.com/gallery/.



31 de jan. de 2018

Minhas identidades

Meu aniversário foi ontem. Agora tenho 24 aninhos. Sabem o que isso significa? Bom, nada. Apenas que envelheci mais e estou mais próximo da morte biológica.

Então pensei em falar sobre minhas identidades atuais. Não vejo melhor maneira de celebrar mais um ano de vida falando da minha essência e de minhas lutas.

Gay: bom, minha primeira descoberta e minha vivência principal. Pois foi através da minha orientação fora da normatividade que fui buscando cada vez mais lutar pelo meu segmento, pelos outros segmentos da comunidade LGBTQIAP+, e até mesmo pelos demais grupos minoritários. Com seus altos e baixos, o gay fez parte das maiores lições que tive como pessoa.

Embora gay seja e sempre será minha identidade individual, social e política, o termo aquileano esteve me contemplando também. Não apenas por abranger a vivência gay, como também esteve me fazendo enxergar a possibilidade de me atrair por várias masculinidades e mais identidades masculinas fora do binário.



Transexpressivo: enquanto eu tentava entender melhor meu gênero, percebi também que eu trocava minha expressão de tempos em tempos; tinha dias que eu era mais masculino, tinha outros que eu era mais feminina, e uns dias que eu era apenas neutro. Enquanto ser gay não me era suficiente para abraçar a identidade queer, a transexpressividade fez eu me sentir mais queer. E explorar várias formas de ser fez eu me sentir completo.


Não-binário: desde ano passado estava percebendo que eu não estava muuuito de acordo com o homem binário moldado e imposto pela sociedade. Até que depois de pesquisas e reflexões percebi que sou um homem, mas fora do binário de nosso sistema cisnormativo. Descobri a não-binariedade dentro de mim, que estava tentando emergir, e a aceitei dentro do meu gênero. Me sinto melhor e mais livre comigo mesmo. E agora posso abraçar de verdade um mundo que me interessava e no qual eu realmente faço parte.



Ainda nesse tópico, quero explicar brevemente o porquê não levanto a bandeira trans por mim mesmo. Porque dentro do contexto brasileiro, as pautas de pessoas trans binárias ainda são urgentes, e falar apenas em trans ainda traz essas pautas. Então prefiro priorizar mais a minha própria não-binaridade do que a transgeneridade em si. Mas digo e repito: pessoas não-binárias são trans! Então quando estou levantando a bandeira não-binária, estou também levantando a trans por trás. Esse é meu pensamento. Pessoas n-b que quiserem levantar também a bandeira trans têm todo o direito e super apoio.

Queer: minha identidade queer é puramente política; pessoalmente não fico me definindo como queer, pois já estou satisfeito com a identidade de homem não-binário gay. Minha face queer surgiu na combinação de minha sexualidade-afetividade, minha expressão de gênero e meu gênero. Logo após a não-binaridade abracei o queer. Quando misturo tudo e ao mesmo tempo manifesto minha revolta e minha rejeição às normatividades, sou queer, e muito queer.


Parabéns para mim e para minhas identidades, tão lindas, tão únicas, tão poderosas.

Sem elas eu não seria quem sou! 🌈



10 de jan. de 2018

Terminologias novas e inclusivas

Comunidades virtuais, principalmente aquelas de pessoas não-binárias, estiveram se reunindo e desenvolvendo nomenclaturas para assim abranger mais a diversidade. As terminologias recentes podem ser usadas como identidades ou apenas adjetivos descritivos. Outros termos surgiram também como formas de incluir pessoas multi ou do espectro A.

Diamórique: o termo serve tanto como identidade quanto descritor. Uma pessoa diamórica é alguém que prioriza as identidades e as relações não-binárias em sua vida. Somente pessoas n-b podem usar o termo como identidade. Quando numa relação há uma pessoa não-binária ou se todas as partes são não-binárias, essa relação é diamórica.

Se uma pessoa n-b estiver numa relação com uma pessoa binária e ainda quiser que a relação seja definida como hétero/gay/lésbica, não há problema algum; somente as partes podem definir sua própria relação.

Na bandeira diamórica a cor verde simboliza a não-binariedade. E a flor de murta é sagrada para Afrodite e Adonis, cuja relação pode ser chamada de diamórica.

(Bandeira diamórica)

Aquileane: termo referente a homens que se atraem por e se relacionam com homens, exclusivamente ou não. Pode ser acessível para pessoas alinhadas com o gênero masculino. Uma relação aquileana é aquela onde todas as partes são homens.

O termo é bem amplo e contempla os gays. E também contempla homens/pessoas n-b de identidades masculinas de atração fluída, multissexuais ou do espectro A que têm alguma atração por gêneros masculinos. Ou seja, um casal com um gay e um bi é aquileano, homens assexuais homorromânticos são aquileanos, um hétero tendo uma experiência com outro homem é uma experiência aquileana, e etc.

Na bandeira aquileana a cor azul simboliza alegria e a qualidade masculina. O cravo verde era um símbolo de associações gays na Roma Antiga e na Inglaterra no século 19. O autor Oscar Wilde popularizou o cravo verde alfinetado na lapela dos ternos dos homens da época.

 (Bandeira aquileana)

Sáfique: termo referente a mulheres que se atraem por e se relacionam com mulheres, exclusivamente ou não. Pode ser acessível para pessoas alinhadas com o gênero feminino. Uma relação sáfica é aquela onde todas as partes são mulheres.

O termo é bem amplo e contempla as lésbicas. E também contempla mulheres/pessoas n-b de identidades femininas de atração fluída, multissexuais ou do espectro A que têm alguma atração por gêneros femininos. Ou seja, um casal com uma lésbica e uma pan é sáfico, mulheres arromânticas numa relação queerplatônica são sáficas, uma mulher transando com uma travesti é um sexo sáfico, e etc.

Na bandeira sáfica a cor rosa simboliza o amor e a qualidade feminina. E violeta era um presente que mulheres lésbicas ou multi davam umas às outras como uma forma de cortejo e para expressar desejo, algo popular entre as décadas de 1910 e 1950.

(Bandeira sáfica)

Comentários: Sobre os termos aquileane e sáfique, os mesmos também são ótimas alternativas para se nomear casais onde ambas as partes são de diferentes orientações, visto que chamar um casal de homens/de mulheres de gay/lésbico sendo uma dessas partes bi é excludente com essa identidade. Casais de pessoas bi podem muito bem definir sua relação como bi - casal bi, romance bi etc. Mas caso queiram, os termos estão disponíveis.

Pluraliane: alguém que se atrai por mais de um gênero, não importa sua própria identidade de gênero. Pode ser um termo usado por uma pessoa que prioriza sua atração por múltiplos gêneros ou que se orgulha dessa atração.

É um termo que contempla todas as pessoas de orientações multi, sejam binárias ou não-binárias. Por isso as comunidades multi (bi, poli, pan etc) podem também se chamar de pluralianas.

Na bandeira pluraliana a cor roxa simboliza neutralidade ou a combinação da atração múltipla. A cor branca representa a falta de preferência ou priorização dos gêneros que atraem a pessoa. O lírio foi escolhido por ser uma planta "bissexual", capaz de reproduzir com qualquer outra planta da espécie. E o lírio é amarelo para incluir não-bináries (pois o roxo poderia implicar numa exclusão).

(Bandeira pluraliana)

Enebeane (ou embiana): ume não-binárie que sente atração (exclusiva ou não) por outres não-bináries. O termo pode ser também outra palavra para não-binárie, pois vem da pronúncia em inglês de n-b. Uma relação enebeana é aquela onde todas as partes são não-binárias.

Na bandeira enebeana a cor roxa e suas tonalidades representam a diversidade não-binária. A lua amarela representa as mudanças de sentimentos  e autopercepções das pessoas, assim como a fluidez de gênero; e o formato crescente remete ao fato de que as identidades n-b estavam "escondidas" até certo ponto. E a esfera branca representa tudo que é entendido, mas não pode ser explicado, pois a identificação pessoal transcende à linguagem humana.

(Bandeira enebeana)

Estejam cientes de que adotarei esses termos agora. E reforço a importância de falar neles e espalhar seu uso, para assim aumentarmos a inclusão da diversidade. Sintam-se à vontade para utilizá-los se quiserem.