Mostrando postagens com marcador corporalidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corporalidade. Mostrar todas as postagens

16 de jul. de 2019

Proposta de bandeira

Recentemente fui na reunião de um coletivo que engloba corpos marginalizados em geral. Foi apontado que não existe uma bandeira de orgulho de pessoas gordas.

Pesquisei e confirmei. Não existe! (que absurdo)

O que achei em minhas pesquisas foi apenas uma bandeira de fetichismo por pessoas gordas (polêmica, mas aparentemente com uma aceitação considerável).

Pois bem. Tive umas ideias para uma bandeira de orgulho gordo, que acredito que possa também representar a positividade corporal em geral. Embora eu não seja gorde, positividade corporal me diz respeito e me senti na liberdade de propor algo.

Minha proposta:

(Descrição de imagem: uma bandeira composta por três faixas horizontais seguidas e um círculo branco na faixa do meio. As cores são, de cima para baixo; rosa, laranja, e amarela. Fim da descrição)

Simbolismo da bandeira:

Rosa: amor; em especial, o amor próprio.
Amarelo: a positividade (corporal).
Laranja: junção dessas qualidades, também motivação e encorajamento.
Círculo branco: unidade, perfeição, e totalidade; aqui representando também que todas essas qualidades estejam sempre infinitamente dentro das pessoas.

Recebi opiniões positivas. Estarei aguardando por mais opiniões, principalmente de outras pessoas gordas e do ativismo gordo/de positividade corporal. Era só isso.

Mesmo que não seja amplamente aceita, estou feliz com meu trabalho.

Quem tiver opiniões e sugestões, por favor comentar ou entrar em contato comigo.

11 de mai. de 2019

Gosto é pessoal

AC: gordemisia, racismo, outras possíveis exclusões.




Muita gente já deve ter ouvido e falado que gosto é pessoal, geralmente como defesa. Nossas preferências são particulares e como tais devem ser respeitadas e não questionadas.

Linda teoria. Mas há sim o que se questionar.

Já vou avisando com antecedência que não estou acusando ninguém e nem obrigando alguém a ter relações com determinado grupo. Isso é um artigo de reflexão.

É bem comum em aplicativos de relacionamento pessoas escrevendo em seus perfis: não curto gordo/negro/afeminado/velho/etc.

Tem gente que declara com todas as letras, sem pudor algum, que não se atrai por todes que possuem determinadas características, ou ao menos que a atração é rara/pouco frequente.

Primeiro de tudo, é interessante apontar que, "por um acaso", os grupos que são alvos dessas afirmações são sempre aqueles com todo um histórico de marginalização, colocados constantemente como ausentes ou carentes de "beleza", ou "charme", ou "encanto", ou qualquer outra coisa subjetiva considerada atrativa.

Segundo, essas constatações são muito fortes, não? Quero dizer, como podemos afirmar que pessoas de determinado grupo jamais vão nos atrair? Quem percorreu o mundo inteiro pra confirmar que não consegue se atrair por nenhuma pessoa gorda, negra, etc?

Estamos falando de grupos com milhões de pessoas no mundo. E mais, como exatamente funciona essa seleção de atração baseada nessas características? O quanto um corpo precisa ter de gordura ou de pigmentação na pele pra ser ou não ser atraente, visto que todas essas características estão dentro de espectros imensos de variação?

Gosto é pessoal? Muito bem, não vou discordar. Mas não é estranho uma maioria ter os mesmos gostos? Não é estranho esses corpos ditos atraentes estarem representados em tantos lugares? Não é estranho num país tão diversificado como o nosso apreciarmos tanto ideais de beleza que são mais comuns em outros países?

Temos que começar a considerar que nossos gostos podem ter sim um viés gordemisico, racista, entre outros preconceitos. Pois se tiramos a improbabilidade e a inconsistência de declarar que um grupo todo não te atrai, o que resta de justificativa?

Como falei, ninguém pode te obrigar a ficar com alguém, assim como ninguém pode comandar sua atração. Só peço que faça o exercício de repensar até que ponto você não teve influência de ideias externas que excluem determinados corpos, dizendo que não são merecedores de relações e afetos.

21 de jan. de 2018

Desconstruídão v.s. Padrãozinho

Decidi escrever sobre isso de última hora. Quero falar sobre essa briga nas redes sociais de gay desconstruído contra gay padrão, que já encheu o saco e tomou uma proporção muito errada.

Os caras que chamo de "padrãozinhos" são aqueles dentro dos padrões estéticos. E só. Se eles são escrotos ou não já é outra história. E os caras chamados de "desconstruídões" são aqueles que criticam de várias formas o outro grupo e os padrões.

Não sei se é adequado chamar o lado crítico de "desconstruído". Porque sinceramente não sei até que ponto esse pessoal é mesmo desconstruído - se fingem que são, se acham que são o suficiente, ou se são mesmo. Mas vamos chamar esse lado assim pra facilitar.

Em algum momento (não sei quando ou como) criou-se essa divisão, essa polarização. Ela surgiu como um resultado das críticas contra os padrões estéticos. Sempre existiu discriminação contra gays afeminados, gordos e negros; três segmentos muito atacados pelos padrões estéticos. E felizmente muita gente decidiu se importar com essa parcela.

Os "desconstruídos" começaram a apontar as atitudes nocivas do grupo "padrãozinho", focando nas discriminações que esse grupo realmente pratica constantemente até hoje. Além dos outros comportamentos, como futilidades, superficialidades, e isolamento em bolhas.

E, claro, as críticas foram e são recebidas até hoje com escárnio e descaso, falam que é exagero e vitimismo, que é recalque ou inveja, entre outros absurdos que só revelam mais da escrotice da própria pessoa. Isso tudo, como em toda situação onde temos um grupo oprimido e um grupo opressor, acaba fazendo com que o oprimido fique mais "traumatizado" e criando certa intolerância com o outro grupo.

Consequentemente o lado "desconstruído" também começou a ter certas atitudes erradas. Não são realmente opressivas contra quem é "padrãozinho", mas podem afastar as outras pessoas da discussão e até criar uma péssima imagem do lado que deveria combater opressões.

Generalização é uma dessas coisas, tratar todo "padrãozinho" como se fossem todos escrotos. Não se pode generalizar. Expor um cara a um vexame ou rechaço só porque ele está "se mostrando" também é algo desnecessário. É direito dele. Assim como tem gente que faz questão de chamar um cara malhado ou musculoso de feio. Estamos aqui justamente criticando a imposição de beleza e fazendo isso chamando uma pessoa de feia???

O cara quer biscoitar? Deixa ele! As redes sociais lhe conferem a liberdade de biscoitar. Você pode achar ridículo e apelativo (e há situações que é mesmo), mas ainda é direito dele. Assim como é direito dos outros dar biscoito. Antes só biscoitando do que sendo escroto. E apesar de tudo, os biscoiteiros fizeram uma jogada inteligente: transformaram o ato de biscoitar numa brincadeira. Uma brincadeira que, até onde pude perceber, até o lado que os critica chega a participar.

Agora, vamos ao ponto problemático que realmente deveria ser discutido. Muitos gays de beleza padrão são reprodutores de muitas discriminações. São machistas quando atacam a expressão feminina; são gordofóbicos quando atacam os corpos fora do padrão; são elitistas quando atacam os gays periféricos; são falocêntricos quando exaltam pênis considerados grandes; de brinde são cisnormativos, pois excluem homens trans; e são racistas, visto que a grande maioria é branca.

Esses comportamentos são mais descarados nos aplicativos de "namoro". Não são novidade. E isso sim precisa ser discutido, isso é o mais importante e urgente. Excluir esses segmentos alimenta a opressão que os mesmos vivem diariamente.

Se formos criticar um grupo que está sendo opressivo, precisamos focar justamente nessa opressão. Partir para revanchismos, julgamentos e reações exageradas que podem muito bem estar equivocadas não ajuda, causa mais divisão e ainda dá motivo para o lado opressivo desmerecer toda ação que realmente combata o preconceito.

Era só isso!