Mostrando postagens com marcador historinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador historinha. Mostrar todas as postagens

19 de dez. de 2015

Historinha: Heterofobia

Era uma vez um lindo e humilde jovem hétero.
Ele adorava reafirmar sua heterossexualidade para todas as pessoas, até para os cachorros da rua.
Numa fria manhã nublada, ele passeava na rua com toda sua heterossexualidade até que, por curiosidade, entrou num espaço que discutia direitos de gays, lésbicas, e tudo que não era hétero como ele.
As minorias discutiam sobre o quanto sofriam na sociedade, falaram de agressões físicas (quem manda ficar dando pinta?) e "verbais" (afinal xingar é só uma liberdade de expressão), o quanto eram apagadas (como se tem viado em todo lugar agora?), que não podiam mostrar afeto em público (essa pouca vergonha...), entre outros vitimismos. O jovem então abriu sua maravilhosa boca hétera e soltou todas as suas ilustres opiniões héteras.
As malvadas minorias mandaram ele se calar, pois ele não sofria as supostas opressões.
Então o jovem revoltou-se e decidiu que lutaria contra a heterofobia pregada pela comunidade gay, para assim também preservar os poucos héteros que ainda existem no mundo.

Fim



12 de ago. de 2015

Historinha: Ditadura gay

Era uma vez um homem heterossexual e cisgênero.
Ele cresceu a vida toda sendo aceito pela família, tendo muitas amizades, tendo várias namoradinhas e uma vida sossegada, fosse na escola ou na faculdade, e adorava seu pênis, pois ele o tornava homem.
Sempre fez piada e bullying com seus coleguinhas gays da escola, ficava paquerando suas colegas lésbicas, e uma vez fez um escândalo quando descobriu que uma ficante sua era transexual.
Estava tudo em plena ordem e harmonia em seu mundo, até que ele percebeu que os 'gays' (viados, sapatas, bissexuais, trans etc) estavam aparecendo cada vez mais, até nas ruas.
Conforme o tempo avançava, ele percebeu que suas opiniões não eram mais bem aceitas nas redes sociais, pois havia uma onda de politicamente correto que tirava sua liberdade de expressão a respeito dos 'gays', e ficou chocado ao perceber que a comunidade gay estava se espalhando em todos os lugares: novelas, propagandas, filmes, e até videogames!
E então o pobre homem se deu conta que seus dias tranquilos no mundo hétero-cis estavam ameaçados, e decidiu se unir contra a ditadura gay para que as pessoas hétero-cis não fossem extintas.

Fim

11 de jul. de 2015

Historinha: Cristofobia

Era uma vez um homem cristão. Ele amava Deus e Jesus acima de tudo.
Suas redes sociais eram sempre enfeitadas de trechos bíblicos.
Seus pais, também cristãos, o guiaram dentro dos caminhos de Cristo desde bebê. Ele até interpretou a crucificação de Jesus numa peça. Que bonitinho.
Na escola, em Biologia, ele aprendeu sobre a teoria da evolução e achou um absurdo, pois nada daquilo estava na Bíblia. Dinossauros? Tudo bobagem!
Quando adolescente, uma vez, ele e outros amigos cristãos invadiram um terreiro de umbanda e quebraram pratos de oferenda para as entidades daquela crença. Afinal, era profana.
Também quando adolescente, uma vez, ele e os amigos picharam as paredes de um centro espírita. Afinal, também era uma crença profana.
Na fase adulta, ele conheceu uma linda moça, a mais inteligente, simpática e caridosa que havia conhecido. Mas ao descobrir que era ateia, não quis mais namorá-la. Imagina ele, um homem do Senhor, se casando com uma incrédula!
Ele votava sempre em políticos cristãos para garantir que o Brasil continuasse a ter pessoas de bem na liderança do país. Pois uma nação sem Cristo é uma nação sem nada.
Casou-se afinal com uma mulher cristã e tiveram filhinhos cristãezinhos.
Numa tarde morna de verão, sem ter nada para fazer, ele defendeu suas ideias racionais e cristãs numa página falando sobre a legalização do terrível casamento igualitário. 
Foi atacado com vários comentários sobre Estado Laico, intolerância religiosa, entre outros absurdos. E desde esse dia ele percebeu o quanto sofria apenas pelo fato de ser cristão.

Fim



6 de jun. de 2015

Historinha: Racismo inverso

Era uma vez um rapaz branco, bem branco mesmo.
Ele vivia numa casa branca com pessoas brancas e um cachorro branco.
Ele estudou História na escola, principalmente História do Brasil. Ficou com pena da escravidão cometida contra a população negra.
Ele não se importava em apelidar os coleguinhas negros de "macaco" ou "carvão", e não via nenhum problema nisso, apesar da onda do politicamente correto que estava circulando na Internet. Afinal o preconceito está na cabeça das pessoas.
Como a escravidão já havia acabado, o rapaz concordou com a opinião de seu querido pai de que os negros atuais eram os mais racistas.
Ele associava toda crença africana com macumba ou vudu.
Toda manhã dos dias de semana ele acordava para trabalhar e dizia para si: hoje é dia de branco!
Ele era tão solidário com a população negra e tinha tanta empatia por ela que os considerava como iguais a ele; até dizia que não deveria existir Dia da Consciência Negra, e sim da Consciência Humana.
Ele adorava escrever longos textos no Facebook sobre meritocracia e sobre sua oposição às cotas, alegando que todas as pessoas negras tinham a mesma oportunidade que as brancas e que nos dias atuais eram vistas e tratadas com igualdade e justiça.
Numa bela tarde de outono, em sua roda de amigos, o único negro do grupo sugeriu que apelidassem o homem de palmito.
Foi nesse dia que o pobre rapaz branco percebeu que era possível existir racismo contra brancos.

Fim



2 de mai. de 2015

Historinha: Misandria

Era uma vez um homem adulto feliz e bem-sucedido.
Ele era casado com uma linda mulher loira e de seios grandes, típica modelo capa de revista.
Na adolescência, ele namorou várias meninas na escola e na faculdade.
Chegou a manter mais de um relacionamento. Coisa de homem.
Uma vez perdeu uma aposta e teve que ficar com uma garota feia. Ela descobriu. Mas já deve ter superado.
Mesmo casado e com filhos, ele sempre se reunia com os amigos no bar para falar de muitas coisas.
Na mesa rolavam piadas de loira, piadas de mulher motorista, piadas de empregada, entre outras.
Na mesa rolavam conversas sobre bundas e peitos, e de vez em quando todos olhavam para alguma beldade que passava na calçada.
O homem uma vez leu na internet sobre um estupro, e concordou que a roupa curta era a culpada.
O homem uma vez leu na internet sobre fotos íntimas que vazaram, e concordou que a moça não deveria ter tirado se não quisesse que elas vazassem.
Nos almoços de domingo, assim que acabava de comer, o homem ia assistir TV e deixava a esposa lavar toda a louça sozinha. Afinal isso era coisa de mulher.
Numa bela tarde de primavera, o homem estava andando pela calçada e viu uma manifestação de mulheres feministas. Ele não gostava de feministas.
Ele se aproximou de uma feminista e inocentemente disse que ela era feminista por falta de sexo.
A feminista malvada e louca, com desprezo, disse que ele merecia ter a piroca cortada.
O homem voltou para casa chorando e, daquele dia em diante, decidiu lutar pela libertação dos homens da opressão feminina e contra a misandria pregada por elas.

Fim



21 de jan. de 2015

Historinha: Opção sexual

Era uma vez uma linda garota adolescente.
Ela tinha uma família unida e rigorosamente religiosa. Estudava numa boa escola, e trabalhava num bom emprego.
Sempre sonhou com um príncipe encantado. Namorou duas vezes, sem sucesso. Mas ainda aguarda um garoto bacana.
Numa bela manhã de primavera, ao ligar a TV, ela viu uma notícia.
Duas jovens, que tinham um envolvimento amoroso, foram espancadas por terem dado um beijo numa esquina.
Ela depois pesquisou mais e descobriu que elas foram expulsas de casa, sofreram bullying na escola, moram sozinhas num condomínio onde os vizinhos fofocam e difamam elas, e por alguma razão não conseguem mais emprego.
E então a garota foi tomada por uma súbita vontade de sofrer tudo isso. E virou lésbica.

Fim



17 de jan. de 2015

Historinha: Meritocracia

Era uma vez um garoto de classe alta.
Ele morava com seu pai e sua mãe, que tinham ótimos empregos e uma ótima renda.
Desde pequeno, o garoto tinha tudo o que queria.
Estudou em escola particular até o fim do ensino médio.
Sua família pagou sem nenhum problema sua faculdade, também particular.
Seu pai o recomendou numa empresa renomada. Sua mãe deu-lhe de presente um apartamento.
Do outro lado da cidade, numa área mais humilde, morava outro garoto, de classe baixa.
Filho de mãe solteira, com uma renda baixa, suficiente para pagar as contas e comprar comida.
Esse garoto queria mudar de vida.
O garoto de classe alta apresentou-lhe o conceito de meritocracia.
Ele diz que o garoto deve se esforçar para ter o mesmo sucesso que ele teve.
E então o garoto pobre ignorou suas condições financeiras e materiais, as dificuldades, e a competitividade injusta entre pessoas de boa e má renda por educação, parou de vitimismo, dispensou os programas de bolsa do governo, e conseguiu ter o mesmo sucesso do outro garoto.

Fim



16 de out. de 2014

Historinha: Família tradicional

Era uma vez uma linda família tradicional.
Essa família tradicional era composta por um papai, uma mamãe, um filho, uma filha e um cachorro.
Viviam num apartamento de classe alta cuja cobertura tinha uma linda vista de toda a cidade.
O papai e a mamãe tinham ótimos empregos, e ganhavam muito bem.
As crianças tinham tudo que queriam.
O cachorro comia ração importada.
Porém, num belo dia de sol, o papai e a mamãe descobriram uma coisa terrível:
Seus dois vizinhos, dois rapazes jovens, haviam se casado.
E então a família tradicional foi destruída.

Fim