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19 de dez. de 2019

Comentando uma notícia

AC: lesbomisia, violência heterossexista.



Há uns dias uma mulher lésbica e direitista que apoiou o presidente atual foi vítima de agressão motivada por heterossexismo.

Com isso, houve muitas reações. Focando na comunidade, houve uma divisão entre aquelus que se solidarizaram e aquelus que debocharam.

Bem, posso dizer que jamais apoiaria mensagens de ódio e aplaudindo o ocorrido. Considero algo desnecessário, revanchista-punitivista, e anti-estratégico. Mas não dá pra controlar essas coisas. E o que me irrita ainda mais é que a direita utilizará bem essas reações para dizer o quanto "a esquerda" é a "verdadeira intolerante".

E vi muita gente indo pelo caminho "paz e amor", colocando a pessoa como uma ignorante, uma coitada, ou alguém que deveria ser acolhida e receber solidariedade da comunidade, contudo e apesar de tudo, mesmo sendo alguém que se posiciona tão contra a comunidade toda; que deveríamos ser "diferentes" da direita.

Vamos lá....

Eu defendo e sempre defenderei o direito dessa pessoa de ser lésbica e não ser vítima de qualquer violência heterossexista. Não defender isso e ainda aplaudir a agressão seria hipócrita e contraditório de minha parte. Ponto. Agora, não me peçam solidariedade e nem pra acolher alguém como ela. Guardo solidariedade e acolhimento pra todes que são vítimas desse sistema que até pessoas como ela reforçam e sustentam.

Nem acho que deveríamos levar pro lado de que ela não merece acolhimento ou solidariedade. Ela nem quer essas coisas da comunidade. É bobagem achar que dá pra ser uma alma iluminada com toda vítima de alguma violência. Se ao menos o ocorrido tivesse mostrado a realidade e dado alguma consciência a ela, mas as atitudes posteriores dela mostram que ela continua a mesma pessoa.

Acredito que o caso dela deveria ser encarado como um reforço de que heterossexismo é uma realidade e não escolhe lados políticos. Poderia ser alguma conscientização para quem está ainda alienade ou que engole as retóricas falaciosas da direita de que heterossexismo não existe.

Minha conclusão em poucas palavras é: apanhou, não deveria ter apanhado, continua sendo um lixo, foda-se. Força pra minha comunidade LGBTQIAPN+.

4 de abr. de 2019

Parece que não aprendemos

AC: intolerância e opressões em redes sociais, eleição, capacitismo, menção a estupro e violência, menção à genitália.



Recentemente eu passei por uma situação de extremo estresse nas redes sociais. Não entrarei em detalhes. O ocorrido envolveu algo que vejo com certa frequência, que é como muitas pessoas dos grupos marginalizados não tem senso crítico com suas ações, e acabam tanto reproduzindo opressões quanto promovendo mais opressories.

Passamos tanto tempo falando e fazendo tantas postagens sobre misoginia, racismo, heterossexismo, cissexismo, etc etc etc, e no fim vemos reproduções disso vindo até de pessoas que têm acesso aos conteúdos.

Um monte de gente esquece que não praticar opressões não serve só para quem gostamos ou concordamos. Serve para todes, incluindo opositories.

Atacar a oposição com misoginia quando vem de uma mulher, atacar com racismo quando vem de ume negre, atacar com heterossexismo quando vem de um gay, tudo isso me causa uma sensação imensa de frustração. Parece inofensivo quando é com inimigues, mas não é.

Fica muito difícil nos defender contra a oposição porque ela vê isso, se aproveita disso, e consegue pegar um punhado de gente sem noção na Internet e torná-lo como regra geral para todos os grupos minoritários + galera progressista/esquerdista (porque são todes jogades no mesmo saco). Nós que viramos es intolerantes da história.

Estamos aprendendo?

Redes sociais como Facebook e Twitter se tornam palcos para figuras reacionárias e aliades dessas figuras que nem deveriam ter tanta atenção. Até figuras ridículas como uma moça privilegiada que tem milhões na conta recebe tamanha atenção que acaba se promovendo.

Isso foi um dos fatores de nosso país ter elegido um fascista declarado como presidente. Damos importância demais, deixamos essa gente tomar as rédeas de nossa vida, gastamos tempo e paciência criticando fervorosamente essa gente a ponto de divulgar mais e mais seus discursos e nomes e rostos.

Não pode mais criticar? Pode e deve. O problema é como fazemos. Atacamos muito a pessoa e não suas ideias. Críticas construtivas se misturam com críticas imaturas. É muito meme e muita zoeira, mesmo quando problemátiques, e discursos mais politizados se apagam nessa onda de risadas e escárnios porque são "sérios demais".

Estamos aprendendo?

E cada vez mais as redes sociais se tornam insuportáveis para os próprios grupos marginalizados, ainda mais os mais esquecidos, como as PCDs (vejam quantos termos capacitistas são usados para atacar a oposição).

Estamos expostes à toxicidade dos discursos dessas figuras mesmo quando as bloqueamos; porque tem gente ainda compartilhando seus conteúdos para respondê-las, e porque ainda temos que ver prints das malditas postagens.

Várias pessoas perdem tempo discutindo com robôs ou com gente que evidentemente não quer debater ou rever suas ideias, quando poderiam estar conversando com gente mais aberta ou mais ignorante, e se articulando com mais grupos progressistas pra espalhar informação e promover figuras progressistas.

E, novamente, fica difícil defender a galera quando a mesma se torna tão irracional e intolerante quanto fascistas, xingando ministra de termos misóginos e zoando o estupro que ela passou, torcendo para vereador gay de direita tomar lampadada, sabotando artistas negres que fizeram besteira com um ódio que nem é visto com artistas branques. Ah, e isso inclui querer tirar filho do fascista do suposto armário ou zoar com o tamanho do pênis do outro.

Mais uma vez me pergunto: estamos aprendendo? Muitas vezes parece que não. Nem as eleições parecem ter ensinado. E mais e mais nos vejo afundando num buraco que nem cavamos, mas estamos nos jogando nele tudo em prol do "lacre".

20 de out. de 2018

Motivos para não ser anti-hétero

AC: monossexismo, exorsexismo, apagamentos (trans, intersexo, a-espectral, queer).



Começo esse artigo dizendo que: heterofobia (ou heteromisia) não existe. Não é um sistema opressivo, em nenhuma parte do mundo pessoas estão sendo marginalizadas por serem hétero.

Apesar disso, é muito comum ver entre espaços e grupos LGBT+ atitudes de rejeição e deboche a pessoas hétero. Não falo de brincadeiras e piadas informais, nem de ironias a opressão reversa. Falo de algo mais recorrente, que parece inofensivo, mas não é realmente.

Esse comportamento é muito desnecessário e até nocivo até para pessoas de dentro da comunidade. Vou explicar as razões disso.

Como recortes de gênero são bem ignorados por aqui, pessoas da comunidade agem constantemente como se "hétero" fosse o contrário de LGBT+. "Sai Hétero" é um brincadeira que irritou muitas pessoas trans hétero, e com toda razão: nem o recorte cis fazem. Não fazer isso é como dizer que cissexismo não é um tópico relevante, ou que nem existe.

Ver um casal duárico e ler ambas as partes como hétero perpetua o apagamento de pessoas bi/multi. Dentro do monossexismo já existe a ideia da tal passabilidade hétero, que é muito usada para "desmentir" a existência da bimisia/multimisia. Manter a "leitura hétero" como válida e inquestionável apenas coopera com isso; com o monossexismo.

Sem contar que, embora possa ser algo menos comum ou frequente, existe ainda a possibilidade daquele casal lido como duárico ser na verdade um casal diamórico ou mesmo enebeano. Aquelas pessoas podem ser não-binárias. E aqui temos o apagamento não-binário; sustentado pelo reducionismo de gênero.

Esse antagonismo também atinge todas as pessoas hétero de certos segmentos. Eles são: trans, intersexo, a-espectral e queer. Sim, existem pessoas hétero (e cis) em quatro segmentos da comunidade. Chocades?

Antagonizar héteros(-cis), e ainda sem fazer os devidos recortes, acaba sendo uma forma de ignorar esses outros segmentos, querendo ou não. Ao ignorar o recorte você ignora a existência dessas pessoas e das opressões que elas sofrem.

Mulheres e homens trans podem ser hétero, mulheres e homens intersexo podem ser hétero, mulheres e homens assexuais podem ser heterorromântiques, e heterossexuais (e cis) podem ser pessoas arromânticas. No segmento queer são englobadas pessoas NCG e/ou não-monogâmicas, e elas podem ser heterossexuais e cis.

Por último, como já falei, essa antagonização é bem desnecessária, e nem acho tão absurdo pessoas hétero-cis de fora da comunidade se chatearem, ou ficarem com uma impressão infantil ou revanchista da comunidade. Pessoas mais sensatas e instruídas não vão deixar isso afastá-las da causa, porém muita gente não vai pensar dessa forma. Lembrando que a informação aqui é precária; essas pessoas podem realmente achar que são odiadas por pessoas LGBT+, e que podem ser oprimidas.

Com tudo isso, em prol da inclusão, da desconstrução, e até para termos mais aliades em nossa causa, vamos parar de antagonizar  tanto héteros(-cis)? Obrigade.



11 de jul. de 2018

O passado condena

Semana passada foi um daqueles episódios onde o karma ataca com tudo. Um youtuber que eu nem conhecia teve postagens racistas do Twitter expostas, e com isso houve uma repercussão negativa chegando a perda de patrocinadories.

Nisso começou uma discussão sobre se expor postagens antigas é justiça ou apenas revanchismo, se é algo necessário ou apenas tática para destruir carreiras.

Sinceramente, eu não sei até que ponto é válido jogar na cara de pessoas postagens antigas, de anos atrás, ainda mais postagens de 2010 para trás. Considero essa década como o marco das discussões sobre opressões perpetuadas sob formas de piadas e opiniões. Então, digamos, tudo que foi dito de oito anos pra trás deve ser considerado? Deve ser esfregado na cara da pessoa no presente? Fica aí o questionamento.

Ninguém da geração de 1990 e antes era uma pessoa crítica na adolescência e no começo da fase adulta. Não estou justificando piadas e opiniões escrotas, apenas apontando que se formos desenterrar toda merda que falamos e fizemos, teremos uma grande maioria da população jogada na fogueira. Isso é algo para se debater.

Voltando ao presente, no caso em específico, achei mais do que justo o que aconteceu. O sujeito em questão fazia piadas opressivas constantemente, não mostrava estar aberto a reconsiderar suas ações, e fez parte de sua carreira em cima das piadas. Além disso, ainda teve a coragem de fazer um vídeo ridículo pedindo desculpas de maneira bem porca, e ainda disse que sues amigues o conscientizaram sobre a violência contra a população negra e o racismo estrutural.

Calma, vamos analisar: a pessoa é uma figura pública, tem notoriedade, está frequentemente ligada às redes sociais, e só agora em julho de 2018 esse bendito ouviu falar na violência e no racismo? É sério isso? Ninguém antes na vida pessoal ou virtual dele havia falado nessas coisas? Sério mesmo que ele nunca viu esses temas sendo abordados? Pra mim tá muito estranho.

Ou a pessoa é alienada a um nível absurdo sobre questões das populações racializadas, ou apenas não se importou o suficiente até sentir no próprio bolso. E eu aposto mais na segunda opção.

Logo em seguida outras pessoas decidiram apagar suas postagens antigas das redes sociais. Algumas se pronunciaram ressaltando o quanto mudaram e que estão melhorando. Ótimo, não fazem mais que a obrigação. Mas apagar as postagens, depois que refleti muito, me pareceu uma atitude bem covarde.

Ficaram com medo das críticas? Depois de terem construído carreira e fama em cima de piadas misóginas, racistas, heterocissexistas, etc? Ora, as pessoas devem sim ser responsáveis pelo que falam, e aguentar um montão de críticas ao passado me parece ainda leve comparado ao que essas piadas causam a longo prazo.

Tudo bem, todes merecem uma chance de redenção. De novo, não fazem mais que a obrigação. Mas não podemos ser punitivistas e achar que pessoas não podem mudar. Se essas figuras realmente melhoraram, ótimo. Que então continuem o que estão fazendo agora, sem ficar tentando se reafirmar toda hora, sem forçar parecer desconstruíde e consciente, enfim.

Essa polêmica levantou muito bem sobre a grande responsabilidade que figuras públicas têm em relação à sociedade. No momento em que esses indivíduos são ouvidos por milhares de pessoas, e crescem em cima de uma ou mais parcelas marginalizadas da mesma sociedade em que vivem, isso cria um fardo. E esse fardo pesou quando essas parcelas decidiram reagir, quando também foram ouvidas.

Ninguém foi avisade de que um passado de piadas opressivas pesaria. Ninguém estava pronte. Não acho que existem culpades, porém as consequências estão aí. Que isso fiquei de lição para todes, sem exceção, afinal esse peso não é exclusividade de figuras públicas.



2 de mai. de 2018

Tudo começa numa piada

Há muito tempo encontrei esse método de medir o preconceito numa sociedade. Foi desenvolvido por um psicólogo chamado Gordon Allport. Detalhe: isso foi desenvolvido em 1954. E pensar que já naquela década uma pessoa havia pesquisado e definido bem os níveis do preconceito, como começa e até que ponto pode chegar.


Achei interessante divulgar. Não apenas por ser um tema atual, como também não pude deixar de lembrar das inúmeras postagens e discussões já feitas sobre as piadas com minorias. Muita gente tem dificuldade de perceber que as piadas são o primeiro passo de uma opressão ativa. E elas também auxiliam a sustentar determinada opressão.

As piadas criam ideias, ideias que tornam um grupo de pessoas como algo ridículo, algo dispensável, algo inferior. Essas ideias, quando muito sedimentadas na cabeça, criam sentimentos de antipatia e desprezo. E assim por diante (acredito que não preciso dissertar sobre o que está escrito no gráfico).

Isso é apenas uma informação sobre o cenário atual das minorias. Quase todos os grupos já atingiram o nível 5. Espero que isso possa abrir mentes, fazer pessoas enxergarem melhor toda a dimensão dessa questão. Sim, tudo começa numa piada...



12 de abr. de 2018

Reducionismo identitário

Decidi criar esta terminologia para explicar um fenômeno que ocorre frequentemente dentro da comunidade LGBTQIAP+ (e também ocorre fora, mas não importo com a opinião des héteros-cis), e atinge principalmente pessoas de atração multi, pessoas a-espectrais e pessoas não-binárias.

O reducionismo das identidades não deixa de ser uma forma de apagamento. Porém tem suas diferenças de apagamentos que visam negar ou mesmo discriminar certas identidades. 

O monossexismo, o alossexismo e o exorsexismo invalidam, respectivamente, orientações multi, orientações a-espectrais e identidades não-binárias. Isso é um apagamento. Mas o reducionismo identitário não invalida essas diversidades. Ele foca em apenas reduzi-las a identidades que são consideradas comuns, fáceis de entender, críveis ou (minimamente) aceitáveis.

Reducionistas estão sempre resumindo qualquer rótulo multi a "basicamente bi", qualquer rótulo a-espectral a "basicamente assexual", e qualquer rótulo não-binário a apenas não-binárie.

E qual é o problema de querer reduzir as coisas?

Bom, primeiramente, o desrespeito ao direito da pessoa de ser quem ela quiser e se identificar como quiser. Identidades são individuais e não devem ser controladas ou reguladas pelas outras pessoas. E vindo de uma comunidade que luta pelas liberdades individuais, é bem contraditório.

Essa atitude invalida incontáveis vivências e experiências que as pessoas podem ter. Nem todes que sentem atração por mais de um gênero vão querer usar o rótulo bi. Nem toda assexualidade e arromanticidade é estrita, limitadas à atração inexistente por toda a vida. E por que pessoas não-binárias não podem ter uma identificação própria, assim como homens e mulheres têm?

Querer encaixar as pessoas em rótulos conhecidos não deixa de ser um tipo de normalização, algo que a própria comunidade combate diariamente. Vivemos sob um sistema que normaliza só pessoas hétero cis perissexo. Quanta diversidade não deve ser apagada por isso e só agora está aparecendo? Que parâmetros usamos para decidir qual rótulo pode existir e qual é estranho demais para existir?

Reducionistas virão com discursos de que identidades novas de orientação e gênero são desnecessárias, não são acessíveis, e que não ajudam em nenhuma causa. É comum ainda dizerem que fazem a comunidade parecer uma piada. Embora seja possível encontrar bissexuais, assexuais e não-bináries que reproduzam esses discursos, podem reparar que a grande maioria des reducionistas nem pertence a estes segmentos. Coincidência?

Deixo aqui umas perguntinhas: Desnecessárias pra quem? Se não são acessíveis, o que podemos fazer para torná-las acessíveis? As comunidades que englobam essas identidades acreditam que elas não ajudam em suas causas?

Por fim, não caiam no papo reducionista. E se você for reducionista, pare com essa escrotice.



17 de mar. de 2018

Política está separando pessoas?

Vocês já devem ter ouvido que estamos todes cada vez mais isolades em nossas bolhas, que não devemos cortar contatos por causa de política, que posicionamento político não define caráter. Estive ouvindo esses discursos de pessoas de todos os lados.

Essa onda toda de polarizações e extremos e supostos radicalismos esteve incomodando muites, e há pessoas em meio a esse caos todo tentando ser mais racionais e promovendo alguma paz.

Por mais que a intenção seja boa - e eu gostaria muito que houvesse mais paz - essas questões são bem mais complexas. E eu vou explicar.

Estamos nos isolando em bolhas? Sim, estamos. As redes sociais e o sistema delas cooperam com isso também. Agora, isolar-se numa bolha é algo produtivo? Bom, a longo prazo, não muito. Conviver só com pessoas com opiniões e pensamentos muito similares ou iguais não nos acrescenta, apenas reafirma o que é sabido e entendido.

Contudo, isso não é aval para exigir que grupos minoritários convivam com gente que lhes ataca, fazendo discursos violentos de ódio, exclusão e discriminação. Se manter distância de gente tóxica e sem caráter é isolar-se numa bolha, pois que assim seja. É muito conveniente pessoas de grupos majoritários exigirem que minorias tenha "tolerância" com opressories.

E por isso há gente encontrando proteção e conforto em bolhas. A curto prazo é bom e necessário isolar-se. Porque há momentos que precisamos preservar nossa saúde mental, e discussões políticas na Internet são cansativas, mais ainda as minorias.

Mas admito que precisamos estar abertes a ideias contrárias, mesmo que possam até atacar nossos direitos (sem a real intenção disso). Conhecer ideias divergentes é essencial para entender como o "outro lado" enxerga as coisas, e assim pode-se formular estratégias para ou mudar o pensamento da outra parte ou mesmo chegar a um denominador comum. E para enfrentar opressories que não desejam o progresso.

Não devemos cortar contatos "só por causa de política"? Discordo totalmente! Ninguém é obrigade a manter relações com gente que apóia ideologias que pregam discriminação e exclusão, que firam os direitos humanos, que proponham retrocessos, enfim. A pessoa é uma amizade de longa data? Alguém da família? Foda-se. Já pensaram em priorizar sua saúde mental ao invés de desperdiçá-la enquanto tenta fingir tolerância com intolerantes?

E com isso já faço gancho com outro pensamento que discordo também: que posicionamento político não define caráter. Define! Define total!

Se a pessoa defende ume polítique cuja fama é centrada em ódio e polêmicas, que só reproduz preconceitos, que não apoia grupos oprimidos, sim, isso diz tudo sobre o caráter dessa pessoa. Recomendo distância. E um pouco de desprezo.

E não, não vem com as desculpas de que tal polítique é a "opção menos pior", ou inventar que "pelo menos é honeste", ou dizer que seus discursos são "distorcidos". Figuras escrotas atraem só gente escrota. Na dúvida confira você mesme; compare a figura e quem a apoia.

Eu sei que no fundo a maior parte das pessoas não quer mesmo brigar por causa de política. Mas isso é pessoal. Não adianta negar. Política está em todo lugar, ela molda nossa sociedade, e vivemos nessa mesma sociedade. E não é ela que está "separando" a população, são as ideologias das pessoas, sejam elas excludentes ou inclusivas.

Poderia existir harmonia entre todos os lados. Só que, infelizmente, no cenário atual isso não é possível considerando que um dos lados "disponíveis" segue um caminho reacionário e fascista. Precisamos escolher nosso lado, não existe imparcialidade aqui. E as pessoas estão fazendo isso muito bem, mesmo que se revelem escrotas.



17 de fev. de 2018

Lista de discriminações

O artigo de hoje será simples. Vou apenas passar essa lista, colocando os termos mais atualizados de acordo com o que já falei sobre as palavras de sufixo -fobia e termos referentes às discriminações não relacionadas com a diversidade sexual e de gênero.

Discriminações contra a comunidade LGBTQIAPN+

Dicisheterossexismo: contra toda a comunidade.
Queermisia: contra a comunidade, ou também contra pessoas queer e a identidade queer.

Discriminações relacionadas à orientação

Heterossexismo: contra heterodissidentes em geral, incluindo todo tipo de atração.
Homomisia: contra homossexuais (muito mais usada para gays).
Lesbomisia: contra lésbicas.
Bimisia: contra pessoas bi.
Panmisia: contra pessoas pan.
Monossexismo: contra pessoas multi e também dos espectros A.
Alossexismo: contra pessoas assexuais e arromânticas e de todos os espectros A.
Acemisia/Amisia: contra pessoas assexuais e do espectro.
Amatonormatividade: contra pessoas arromânticas. Pode também atingir algumas pessoas não-monogâmicas.
Aromisia: contra pessoas arromânticas e do espectro.
Periorientismo: contra pessoas variorientadas.

Discriminações relacionadas a gênero

Sexismo: discriminação com base em gênero.
Misoginia: contra mulheres.
Misoginoir: contra mulheres negras.
Cissexismo: contra pessoas transgêneros/que não são cis.
Transmisia: contra pessoas trans (mais usada para as binárias).
Transmisoginia: contra mulheres trans e pessoas transfemininas (ex: muitas travestis).
Travestimisia: contra travestis.
Enebemisia/Exorsexismo: contra pessoas não-binárias e a não-binariedade.
Exormisoginia: contra pessoas não-binárias que são parcialmente/eventualmente mulher (ou que sentem que misoginia se aplica a elas).
Reducionismo de gênero: exorsexismo que reduz pessoas não-binárias a um dos gêneros binários.
Binarismo: contra todas as pessoas fora do padrão binário imposto, o que inclui pessoas trans/não-binárias, pessoas intersexo, e pessoas com identidades de gênero exclusivas de culturas ameríndias e não-ocidentais.
Fememisia: contra feminilidade.
Mascunormatividade: contra toda expressão que não seja a tradicional masculina; pode também beneficiar outras masculinidades (em qualquer pessoa).

Discriminações relacionadas à corporalidade e saúde

Inter(sexo)misia/Diadismo: contra intersexos.
Gordemisia: contra gordes.
Capacitismo: contra PCDs (pessoas com deficiência, incluindo com neurodivergências).
Psicomisia: contra pessoas neurodivergentes/neuroatípicas.
Soromisia: contra soropositives.

Discriminações relacionadas à raça, etnia e cultura

Nativismo: contra imigrantes.
Etnocentrismo: contra uma cultura ou outro país.
Racismo: contra uma etnia ou raça; atualmente os racismos mais conhecidos são contra raças de origem africana, ameríndia e asiática, sues descendentes e pessoas multirraciais.
Xenomisia: contra estrangeires, seja de outra cidade, outro estado, ou outro país.
Islamomisia: contra muçulmanes e sua doutrina e cultura.
Antissemitismo: contra o povo judeu e sua cultura.

Discriminações relacionadas à classe social

Classismo/Elitismo: contra classes econômicas "menores".
Academicismo: contra pessoas analfabetas ou com pouca escolaridade/conhecimento linguístico.
Aporomisia: contra pobres.
Putemisia: contra profissionais do sexo e a profissão.

Outras discriminações

Etarismo: contra idoses.
Ateomisia: contra ateístas.
Mononormatividade: contra pessoas poliamoristas e não-monogâmicas em geral.



6 de jan. de 2018

Coisas que deveriam ter ficado em 2017

Vou escrever tudo isso aqui revoltadinho. Por quê? Porque tô afim e pronto! Vou agora falar de termos, expressões e constatações que são ridículas e discriminatórias e que não deveriam ter passado pelas portas do ano de 2018 (e nem dos outros anos).



- Chamar a Parada LGBT+ de Parada Gay. Pelamor, né, cês acham que o L é de lacre, o B é de berro e o T é de tombei??? Caralho!

- O termo GLS. Sério, se fala tanto LGBT em todo lugar e ainda tem gente usando uma sigla que menciona só gays e lésbicas e ainda coloca simpatizantes junto. Simpatizantes! Pior ainda! Agora é aliades!

- Tentar usar viado, bicha, sapatão, caminhoneira, entre outros termos como ofensa. Ofensa é ser ignorante assim!

- Dizer que tem muito viado agora, tem viado pra todo lado, tem viado a toda hora. E VAI TER MUITO MAIS! ATURA OU SURTA!

- A palavra afetado para gays afeminados. Repito: AFEMINADOS!

- O termo opção sexual. A única opção sexual que conheço é você dizer sim ou não pra um convite pra uma foda.

- A palavra traveco. Muito pejorativa. A própria sonoridade dela é pejorativa. Duvido que alguém ainda fala essa merda por pura ignorância.

- Chamar drag queen de travesti/mulher trans. Drag queen é uma personagem. Não é identidade de gênero. APRENDAM, plis. Tá ficando chato repetir isso trocentas vezes.

- Chamar mulher trans de ele, chamar homem trans de ela, perguntar se elus fizeram cirurgia, e perguntar seus nomes de registro. Cuidem do rabo de vocês! Deixem as pessoas trans em paz!

- Gay cis tendo nojo de mulher e vagina pra reforçar que é gay. Larga de ser um viado misógino!

- Achar que a pessoa é gay/lésbica por ter beijado/namorado/transado com alguém do mesmo gênero. B de banana, B de bolinho, B de Britney Spears, B de bissexuaisexistemporra.

- Ficar perguntando pra pessoa bi por qual gênero ela sente mais atração ou com quantes homens e mulheres se relacionou. Enfiem essa régua de bissexualidade alheia em vossos orifícios.

- A palavra hermafrodita para se referir a pessoas intersexos. Parem, só parem. Até a biologia concorda que o termo é errado.

- A palavra assexuado. É ASSEXUAL! Você não fala homossexuado, bissexuado, pansexuado, então por que caralhos fala assexuado? Virou um boneco? Sem nada entre as pernas?

- Falar que demissexual é quem sente atração pela Demi Lovato. Parabéns, já pode trabalhar na A Praça É Nossa, infeliz!

- Dizer que pansexuais transam com animais e árvores. Não é engraçado. Você acha que é, mas não é. Quem fala isso é trouxa, bem trouxa, muito trouxa.

- Falar que não acredita em gêneros não-binários. Ainda bem que identidades não dependem de sua crença para existir.



Feliz 2018, porra! E vamos evoluir! #PÁS



30 de ago. de 2017

Sobre a Inês Brasil

Há alguns dias houve uma polêmica sobre a "musa LGBT" Inês Brasil. A artista, até então aclamada por boa parte do público LGBT (em especial os gays), apareceu numa foto com um famigerado político com ideias fascistas e inimigo da comunidade LGBTQIAP+, o que causou uma grande revolta no público.

Antes de tudo quero ressaltar que nunca fui fã da Inês Brasil (também não tenho nada contra) e que minha intenção não é "defendê-la". Não é uma simples questão de escolher um lado.

Bem, primeiramente, ela tinha todo o direito de tirar aquela foto. Ela tem o direito e a liberdade de tirar foto com quaisquer figuras e não ser julgada ou rechaçada por isso. Eu teria negado a foto, mas eu e ela somos pessoas diferentes. E ela é o tipo de pessoa que tem uma posição pacífica com todo mundo.

Agora, dito tudo isso, vamos ao seguinte fato: Inês nunca foi pró-LGBT, nunca foi uma verdadeira apoiadora da causa. Não estou dizendo que ela é contra. Mas o discurso dela é limitado a falar apenas de amor e respeito. Não é um discurso inútil ou dispensável, mas não é uma atitude que realmente levanta a bandeira e a põe compromissada com a causa LGBT.

Sendo que a própria artista já fez uma declaração transfóbica num show e até hoje nunca se desculpou. Também já disse não aprovar que crianças vejam beijo gay nos desenhos. Assim como além da foto fez um vídeo conversando com o fascista, tratando-o como se fosse bonzinho e dizendo levianamente para deixarmos os discursos de ódio "nas mãos de Deus" (como se o maior problema da comunidade fosse algumas pessoas falando ser "contra os gays").

Afinal, qual era o verdadeiro motivo de ela ser um ícone LGBT? Sinceramente, acho que é apenas por ela ser uma geradora de memes. Apenas isso. Ela é engraçada, diz frases de efeito que se espalham rápido, e tem um jeito espontâneo e único. Isso agrada, eu admito. Mas a verdade é que ela nunca fez nada para ser especificamente um ícone LGBT.

Sim, ela recebeu muita atenção ao fazer um vídeo contra um certo pastor fascista. Mas tudo que ela falou poderia ter sido dito por qualquer outra pessoa com o mínimo de bom senso e empatia pelo ser humano. E ainda assim o vídeo tinha algumas falas problemáticas.

O que realmente gerou toda essa revolta contra ela foi que aquela foto partiu em pedaços uma imagem que o público que a aclamava criou dela. Essa imagem não era verdadeira. E por isso ninguém deveria estar cobrando dela um compromisso com alguma causa social.

Mas o pior de tudo foi o ódio que o público que antes a paparicava manifestou nas redes sociais. Não foi apenas reprovação pela foto (que todxs tinham o direito de ter). Também houve xingamentos e agressões morais. O pessoal que é vítima constante de ódio conseguiu ser tão odioso quanto essa gente de (extrema-)direita, reacionária, conservadora e fascista.

A oposição é intolerante com quem discorda dela. No entanto, nós, os alvos dessa oposição, agimos da mesma forma nessa situação. Precisamos repensar sobre isso. Além de que os ataques se concentraram na figura mais vulnerável da história: uma mulher negra com pouca consciência política. Sim, isso revelou nossos podres e nossas próprias intolerâncias.

As eleições estão chegando. Aquela foto não foi um ato amigável, foi politicagem pura. O fascista está tentando cativar as pessoas. A oposição que nossa comunidade enfrenta está se utilizando de estratégias para se fortalecer. E está indo muito bem com isso.

Toda essa onda de ódio contra a Inês Brasil serviu para fortalecer mais o inimigo. O inimigo agora está pondo esse público revoltadinho no mesmo balaio que militantes e pessoas de esquerda, tudo para reforçar o discurso desonesto que LGBTs e esquerdistas só pregam o ódio.

Nossa comunidade saiu queimada. Nossa luta foi comprometida. Nossos maiores inimigos estão rindo da nossa cara enquanto a galerinha raivosa da Internet chora apagando do computador memes da musa que nunca foi musa.



6 de jul. de 2017

Sistemas de opressão

Dentro das militâncias sociais esteve se falando muito sobre sistemas de opressão. Quando se fala que um determinado preconceito é estrutural, isso significa que ele se faz presente em todos os setores de uma sociedade, começando do topo - as instituições - até o cotidiano. 

O que origina e mantém os preconceitos são esses sistemas, que funcionam dividindo as pessoas, criando hierarquias entre elas, e sustentando essas diferenciações por diversos motivos, principalmente para ter controle e poder.

Com isso, temos as classes opressoras e as classes oprimidas. Embora pareçam termos um tanto pesados, eles estão dentro de um contexto histórico-social e não representam necessariamente todas as pessoas de determinada classe.

As classes opressoras seguem um ou mais sistemas de opressão, portanto são privilegiadas e são as maiores reprodutoras de um ou mais preconceitos. E as classes oprimidas são aquelas que estão fora de um ou mais sistemas de opressão, consequentemente sendo alvos de discriminação em vários níveis e formas. Como os sistemas são muito influentes e enraizados, as classes oprimidas também podem reproduzir preconceitos, até mesmo aqueles direcionados a elas.

Vou falar de forma resumida sobre os sistemas de opressão da atualidade:

Heteronormatividade/Heterossexismo: impõe o padrão heterossexual, mais especificamente, impõe que as pessoas sejam heterossexuais e aceitem o comportamento hétero como a única sexualidade válida e natural. Esse sistema é muito ligado à cisnormatividade, por isso acaba também impondo papéis de gênero.

Cisnormatividade/Cissexismo: impõe o padrão cisgênero e reforça padrões de aparência e comportamento de gênero. Ou seja, esse sistema determina que as pessoas devam se encaixar no padrão binário homem-mulher, aceitar o gênero imposto no nascimento de acordo com o sexo biológico, e que devem ter expressão de gênero "correta" (homem masculino/mulher feminina).

Diadismo: anormaliza a intersexualidade e exclui ou invisibiliza pessoas intersexo. Está intimamente ligado com a cisnormatividade devido à imposição de gênero baseada na biologia, e por isso bebês intersexo são submetidos às cirurgias genitais obrigatórias.

Monossexismo: impõe que as pessoas são monossexuais, se atraem por apenas um gênero (logo, ou são héteros ou homos), o que deslegitima bissexuais, polissexuais, pansexuais etc. Pode também reforçar o alossexismo e a amatonormatividade.

Alossexismo: determina que o normal do ser humano é ser alossexual, sentir desejo sexual. Age em conjunto com a sexonormatividade, que coloca as relações sexuais como indispensáveis na vida humana.

Amatonormatividade: determina que as pessoas devem sentir atração afetiva (ou romântica), que ela é essencial nas relações e que uma relação amorosa tem valor maior que outras (como amizade).

Obs: monossexismo, alossexismo e amatonormatividade derivam da heteronormatividade.

Exorsexismo: deslegitima todas as pessoas não-binárias, reforçando que as pessoas só podem ser ou homens ou mulheres.
Obs: esse sistema está dentro da cisnormatividade.

Mononormatividade: determina que as relações monogâmicas são as únicas legítimas, rejeitando e estigmatizando qualquer outro modelo de relacionamento. É reforçada pela amatonormatividade e foi criada dentro da heteronormatividade (afinal só foram previstas relações monogâmicas entre um homem e uma mulher).

Nota: referente à comunidade LGBTQIAP+, os sistemas que causam todas as opressões vivenciadas pela diversidade são todos esses listados acima.

Patriarcado: coloca a classe homem como figura dominante e autoritária na sociedade. Trabalha em conjunto com a heterocisnormatividade, beneficiando muito mais os homens hétero-cis de expressão masculina. No entanto, homens de forma geral ainda se beneficiam com esse sistema.

Racismo: é toda opressão construída através de um processo histórico-social onde uma etnia tem dominância sobre outra etnia. O racismo mais comum e evidente é contra pessoas negras e mestiças e/ou descendentes de povos africanos.

Capacitismo: toda discriminação, exclusão e invalidação de pessoas com deficiência (PCDs).

Etarismo: discrimina uma faixa etária, sendo que o etarismo mais comum é contra pessoas idosas.

Elitismo: como vivemos em um mundo capitalista, pessoas de classe média e classe alta podem usufruir do capitalismo e ter ótimas condições de vida. Então além de receberem um status social, o elitismo discrimina pessoas de classe baixa e impede que elas não subam de classe ou faz com que não tenham as mesmas oportunidades que as outras classes.

Todos os sistemas abordados aqui estão presentes no mundo inteiro. Podem trabalhar em conjunto ou até mesmo separados. Por exemplo, embora a heterocisnormatividade oprima LGBTs em geral, a cisnormatividade pode ser praticada por pessoas cisgênero, sejam héteros, homos, bis etc.

Existem também discriminações interseccionais, como lesbofobia (patriarcado+heteronormatividade) e transmisoginia (patriarcado+cisnormatividade). E discriminações que circulam entre os sistemas e têm outras origens (ex: culturais), como xenofobia e sorofobia (preconceito contra pessoas HIV+).

Discutir sobre esses sistemas, questioná-los e trabalhar para sua desconstrução faz parte das lutas de todos os movimentos sociais. Mesmo as lutas sendo protagonizadas pelas classes oprimidas, as classes opressoras também podem fornecer muita ajuda. Todo preconceito deve ser combatido. Não é uma batalha ideológica ou partidária, é uma questão humana.



19 de mar. de 2017

Pensamento do dia

A pessoa me diz: 

- "Não sou eu que estou matando."

Realmente, a pessoa não matou, não agrediu, não ofendeu. Que mal haveria em dizer algo preconceituoso se palavras não batem ou matam?

Infelizmente, o ser humano não funciona assim.

O que ouvimos, lemos, aprendemos desde crianças moldam nossa mentalidade e visão do mundo. O preconceito do sistema é uma semente. Sementes germinam.

Quem agride, quem persegue e quem assassina minorias também, algum dia, fez o mesmo discurso intolerante. A semente germinou até crescer na violência.

Não estou dizendo que você se tornará homicida. Mas sim, seu discurso mata também.

Seu pensamento retrógrado, sua falta de empatia pelo sofrimento alheio, sua teimosia em admitir seu preconceito e suas palavras alimentam a violência.

O que você fala se propaga, pessoas repetem, pessoas quem pesam igual espalham mais. E mais e mais e mais.

Pior ainda é nesse mundo atual; o que falamos para uma pessoa falamos para centenas!

Na sua mente, o discurso fica apenas nas palavras. Na mente alheia, pode gerar algo pior. Intolerância evoluiu para ódio. Violência é a filha do ódio.

Indiretamente, você está matando também.



5 de mar. de 2017

Disney e o beijo gay

Acho difícil alguém não ter visto essa "polêmica" (por que deveria ser polêmica?). Mas vamos lá: um desenho da Disney chamado Star Vs. as Forças do Mal mostrou a primeira cena de um beijo gay numa animação do estúdio Disney.

A Disney finalmente atendeu ao pedido da comunidade LGBT por visibilidade e representatividade. A inclusão de casais homoafetivos em animações infanto-juvenis também serve para mostrar a diversidade e naturalizá-la às crianças, além de acolher crianças LGBTs.


Embora o primeiro beijo gay tenha sido o maior foco, houve também outros beijos entre casais homoafetivos entre uma maioria de casais heteroafetivos. Percebe-se também uma diversidade de etnias e idades entre os casais.


E, como de praxe, um certo pastor evangélico (cujo nome me recuso a pronunciar) deu mais um show de ódio e escândalo soltando ofensas contra a Disney e convocando seus seguidores a boicotar a empresa.

Seu posicionamento, segundo suas palavras (e sua falta de lógica), era que o beijo gay estava "erotizando" as crianças e estava "ensinando educação sexual". Desde quando beijar é sexo? Desde quando beijar é erótico? E se fossem só casais heteroafetivos, a regra seria a mesma?

Não vou me prolongar sobre as incoerências fundamentadas na extrema homofobia deste pastor porque nem vale à pena. Ele sozinho faz um ótimo trabalho se contradizendo, distorcendo as coisas e mostrando que amor cristão é o que menos tem. Só digo isso: a Disney está pouco se fudendo para os gritos e ameaças desse indivíduo.

Parabéns a Disney pela iniciativa. Que venha mais visibilidade e representatividade LGBT nas animações, para que as crianças aprendam sobre a diversidade e se tornem pessoas melhores que esse pastor.

Muitos beijos em suas vidas!



12 de fev. de 2017

Vamos expor!

Recentemente teve um caso que repercutiu nas redes sociais de um estagiário de uma empresa que fez postagens anti-feministas. Ele publicou duas fotos e nas legendas falou as merdas machistas típicas.

Essas fotos vazaram e em pouco tempo a empresa o demitiu, fazendo uma nota de esclarecimento.

Muita gente aplaudiu o ocorrido (eu, inclusive) e a história parecia ter tido um final feliz, quase uma fábula com uma lição de moral no final. Até eu considerei aquilo uma justiça. O problema é o que veio depois desse "final feliz".

O rapaz está numa nova empresa (que também já gerou polêmicas com feministas) e ganhou fama nas redes sociais por parte de seguidores de ideologias conservadora e fascista. Ops, o tiro saiu pela culatra...

Como explicar esse efeito?

Pode parecer uma excelente estratégia - e justiça - expor pessoas escrotas que estão estagiando ou trabalhando e causar sua demissão. Mas esse caso (e alguns outros) comprovou que isso não funciona como esperamos.

A Internet é vasta e nela há todo tipo de pessoa. As fotos chegaram tanto nos grupos de movimentos sociais quanto nas famosas oposições. E elas fizeram o que militantes e ativistas estão deixando de fazer: uniram-se.

Expusemos uma pessoa espalhando ódio na esperança de que o ódio fosse combatido. Ao invés disso demos voz ao ódio. Permitimos que outras pessoas se unissem ao rapaz para propagarem mais discriminação. Sim, fizemos propaganda para ele. A mesma propaganda que fazemos de outras figuras de ódio, como um certo deputado cujo nome nem pronunciarei.

E convenhamos, se fosse para cada pessoa preconceituosa perder o emprego, então milhares de pessoas deveriam estar na rua agora. Isso é realmente uma boa estratégia? Direito ao trabalho é um direito básico das pessoas. Pensem nisso.

Sim, está na hora de uma mudança na estratégia. Precisamos dar mais visibilidade a todxs que produzem conteúdo progressista e inclusivo, que problematizem e ensinem a desconstrução, que atuem de verdade nas militâncias e ativismos.

Se tiver as opções de compartilhar as palavras de uma pessoa preconceituosa ou um texto que fale sobre preconceito, compartilhem o texto. Mostrem esse tipo de conteúdo. Espalhem. Alguém com certeza lerá e poderá abrir a mente, melhorar.

Militantes e ativistas precisam de visibilidade! E não ódio!

Esse caso me fez perceber que ignorar gente retrógrada é o melhor caminho; deixem elas vomitar ódio para o nada e lutem por um mundo com menos ódio.



9 de nov. de 2016

Enem 2016

O Enem desse ano foi a mesma coisa de sempre: pessoas atrasadas e um tema inevitavelmente político-social. Só acrescentou a ocupação de escolas, que poderiam dificultar a realização da prova e até causar o cancelamento da mesma. Não vou entrar no mérito de discutir isso.

Memes e polêmicas à parte, gostaria de comentar sobre o tema da redação desse ano: "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil".

A influência cristã no país é tão forte que no congresso temos uma bancada evangélica. Continuo sem entender como ela ainda existe, visto que pela Constituição somos um Estado Laico (um Estado em que a religião não pode intervir em questões políticas). 

Membros dessa mesma bancada deixam mais do que explícito que não sabem separar a própria religião da política. E não é incomum discriminarem as religiões africanas, publicamente ou em locais religiosos.

O maior alvo da intolerância religiosa é sem dúvida as religiões africanas; umbanda e candomblé, principalmente. A tendência da população cristã (em especial a evangélica) é agir com hostilidade com essas religiões, pois a maior parcela parte do pressuposto que o cristianismo é a verdadeira crença, e não abrem espaço para outras realidades. Isso, combinado ao racismo estrutural no Brasil, gera essa intolerância constante e diária. A cultura africana, preservada por descendentes dos imigrantes, é marginalizada. E também é apropriada pelas pessoas brancas.

Apesar das religiões africanas serem o maior foco quando a questão é intolerância, vale lembrar que outras crenças também são discriminadas socialmente, como o espiritismo, a wicca, e o islamismo. A ausência de crença, que é o caso do ateísmo, também está inclusa.

Afinal, quais seriam os caminhos para acabar com a intolerância religiosa? Resumidamente, bem resumidamente: educação religiosa. Ensinar sobre as religiões nas escolas, para assim fornecer informação, mostrar a diversidade religiosa e conscientizar sobre a importância de ser tolerante e aceitar essa diversidade. E também educar sobre laicidade! Não há ainda uma proposta dessas. A única proposta que já apareceu foi ensinar cristianismo apenas, outro delírio da bancada evangélica.

Num país verdadeiramente laico e tolerante, todas as religiões conviveriam em harmonia, sem interferir em questões do Estado. É assim que deveria ser. Infelizmente o Brasil vive uma quase teocracia com esses políticos criando leis e projetos absurdos. A tendência é piorar, sinto dizer.

O tema é necessário e reflete nossa situação atual. E não duvido que deve ter havido gente que escreveu sobre "cristofobia" na redação. Sim, há pessoas que acreditam que a população cristã é discriminada por sua religião! A mesma que prega ódio contra minorias sociais e as religiões africanas. Se existe alguma cristofobia, ela é praticada entre as próprias vertentes cristãs, como a evangélica faz com a católica.

Quem sabe o tema não possa ter aberto os olhos de quem ainda sofre da presunção de que sua religião é a única correta?



22 de set. de 2016

Vamos falar de bifobia

Dia 23 de setembro é o Dia da Visibilidade Bissexual.

Desde que o movimento LGBT foi formado e começou a ganhar força, gays e lésbicas foram ganhando voz e visibilidade. Entretanto, pessoas bissexuais continuam sem ter a mesma coisa. Por isso hoje vou falar sobre bifobia, o preconceito contra bissexuais praticado tanto entre héteros-cis quanto em grupos LGBTs.

A bissexualidade não é "meio-hétero e meio-homo". Ela apenas é o que é.

Não importa se há preferência maior por um gênero, se há períodos em que um gênero atrai mais, se a pessoa não se relaciona com mulheres ou com homens. Ser bissexual é apenas ser.

Tem gente que quase pede um "atestado de comprovação da bissexualidade", perguntando se a pessoa já se relacionou com os dois gêneros, a quantidade de homens e mulheres, qual curtiu mais, enfim, uma série de perguntas que bissexuais não gostam.

A sexualidade é um aspecto humano muito fluído, podendo haver um amplo espectro de atração sexual. Há gente que se descobri bi desde sempre. Há gente que descobre um pouco depois. Assim como há gente que descobre anos depois, mesmo ter passado boa parte da vida sendo hétero/homo. Não, o mundo não é dividido apenas em héteros e homos. A sexualidade não é apenas dois extremos.

Bissexualidade não é indecisão, confusão, curiosidade, safadeza, relação a três ou mais, ou necessidade de aparecer. É apenas uma atração sexual mais ampla dentro da imensa diversidade sexual que existe no mundo.

Pode haver bis que curtem relações poligâmicas? Pode. Mas sem generalizar. Assim como há bis que namoram apenas um gênero ou se casaram com o mesmo gênero. Ninguém é mais ou menos bi por isso.

Também praticamos bifobia quando classificamos as pessoas apenas em héteros e homos. É uma mania nossa. Vemos um casal homoafetivo e automaticamente determinamos que ambas as partes sejam homossexuais. E se uma delas for bi? E se ambas forem? Devemos sempre ter a mente aberta para todas as possibilidades de ser de uma pessoa.

Como se não bastasse tudo que foi dito, tem gente que já declarou que não se relacionaria com uma pessoa bi. E ainda dizem que bifobia não existe, pois bissexuais sofrem discriminação ao se relacionarem com alguém do mesmo gênero, e, portanto, sofrem homofobia/lesbofobia.

Bifobia existe!
Bifobia precisa ser combatida!
Bissexuais existem e são pessoas como qualquer outra!

#VisibilidadeBissexual ♥️♥️♥️




7 de set. de 2016

Pensamento do dia

Esse mundo tem muitas terras, muitas culturas, muitos povos.

Com isso, existem diversas crenças e religiões no mundo.

Umas são flexíveis. Outras são rígidas.

E no fim todas partem do princípio de fazermos o bem.

Ainda assim guerreamos para definir qual delas é a certa. Até matamos por isso.

Como poderia existir uma doutrina correta nesse mundo tão antigo e diversificado?

Que pretensão achar que só o que você acredita é a verdade.

Os cristão se inspiram em Jesus. A China teve Buda. Os islâmicos ouviram Maomé.

Por aí há quem acredite em vários deuses. Até quem acredite em fadas e duendes.

Por que não enxergar todas essas figuras e entidades como partes do mesmo Universo?

Por que não deixar que todas convivam em harmonia?

Nosso mundo tem espaço para todas!

Afinal, nesse mundo, existe uma verdade absoluta?

Se existe, então não vivemos num mundo realmente justo.



7 de ago. de 2016

Pensamento do dia

Adoramos dizer que pensamos no futuro. Fazemos promessas de melhoras e prosperidade. As empresas prometem as mesmas coisas. Representantes da política também. Pensamos mesmo no futuro?

Para agirmos em prol de um futuro melhor, precisamos começar a mudança no presente. O presente é o agora. O agora pertence à juventude.

Naturalmente a juventude passa para a velhice. A velhice é o símbolo de nosso futuro após muitas vivências, muita luta, muita experiência. É a partir da juventude que garantimos uma velhice feliz e saudável.

O que podemos esperar de uma sociedade, de uma cultura que não valoriza os esforços das pessoas idosas? Ou que não oferece a elas condições dignas de vida?

Temos o péssimo hábito de associar velhice a doenças, fraqueza, vulnerabilidade, achamos que toda pessoa da terceira idade é chata, ranzinza ou dramática.

Parentes idosos se tornam um estorvo. Muitas vezes ficamos impacientes ao termos que repetir algo para a pessoa idosa quando esta não ouve ou esquece. Quase todo mundo já presenciou alguém sentando no banco preferencial mesmo com idosos presentes. Quantos casos no noticiário sobre violência contra gente idosa já não vimos por aí?

Odiar a velhice é odiar o futuro. Mesmo que você esbanje força e jovialidade, um dia essas coisas acabarão, e poderá ser você numa cama dependendo de parentes. Você gostaria de ser tratadx como apenas um fardo ou como um ser humano?

Tudo isso me faz questionar: Pensamos mesmo no futuro?

A juventude pode até pensar mesmo no que fazer amanhã, depois de manhã, daqui a 10 ou 20 anos. Ainda assim a maioria parece que esquece que vai envelhecer. Cuidar da população idosa é agradecer à vida que já passou e criar um futuro melhor.



15 de jun. de 2016

Massacre em Orlando

Fiquei pensando e pensando se eu deveria fazer um artigo sobre isso. Não por falta de ter o que falar, e sim pelo choque. "Será que vou conseguir escrever sobre isso?", me perguntei algumas vezes, ainda tremendo. Muita gente falou sobre isso. Chegou minha vez.

Um homem entrou na boate Pulse, na cidade de Orlando, EUA, e atirou em uma centena de pessoas. Ele morreu durante o confronto com a polícia. Até agora foram registradas 50 vítimas mortas e outras 53 feridas.

A mobilização nas redes sociais foi imediata, predominando o apoio às vítimas e o repúdio contra essa atitude tão bárbara. Dezenas de pessoas se juntaram para doar sangue às vítimas que ainda estão se recuperando. Foi um momento propício para questionar a restrição de homossexuais em doar sangue. Quanto sangue poderia ser doado, já pensaram?

É difícil explicar para certas pessoas, principalmente quem é hétero-cis, que ser LGBT não é apenas sofrer bullying, receber ofensas, ser expulsx de casa; é também sair de casa para se divertir e não saber se voltará com vida. Conseguem imaginar o que é isso? Após esse banho de sangue, vocês conseguem ter uma ideia do que é morrer só por ser o que é?

O caso gerou algumas controversas sobre a razão do assassino. Muitas figuras reacionárias (de lá e daqui também) tentaram fazer esse crime, motivado evidentemente por homofobia, ser reconhecido como apenas um ataque terrorista. O setor estado-unidense reacionário sempre teve uma posição anti-islâmica, claro que não perderiam essa oportunidade. Ademais, homofobia não existe para conservadores.

O pai do assassino esclareceu mais sobre ele, dizendo que o filho era homofóbico, que meses antes ele havia tido um ataque de fúria ao ver casais gays na rua. Sua ex-mulher afirma que ele a agredia. Embora esse senhor tenha parecido "inocente", sua última declaração foi: "cabe a Deus punir os homossexuais". Percebe-se que a homofobia começava em casa. A sociedade é culpada. A religião é culpada. O pai é culpado.

Esse incidente horrível provou o que o preconceito mais a liberação das armas pode causar. E ainda temos que ver gente desprezível destilando ódio e ignorância, comemorando as mortes e ainda apoiando o armamento livre. Por isso a militância LGBT vive batendo nessa tecla: Falta educação sobre diversidade! Nas escolas, principalmente! E a esquerda permanece contra o livre porte de armas por eventos como esse.

E sabem o que é mais temível aqui? As sementes que isso pode plantar! Será que esse massacre não pode inspirar mais gente preconceituosa a fazer o mesmo? Ainda mais aqui no Brasil, o país que mais mata LGBTs (sem precisar de chacinas como essa). E também o medo que isso gerou, não apenas nos EUA, mas no mundo inteiro. Quantas pessoas LGBTs não estão com mais receio de sair de suas casas? "Podia ter sido comigo..."

Nas redes sociais o mundo inteiro colocou a tag "Pray For Orlando", que pela tradução seria "rezar por Orlando". Houve gente que criticou a tag por fazer uma referência a religiosidade. Mas eu enxergo de outro modo: o ato de rezar pode independer de crenças e religiões. Você pode orar pelas almas das vítimas usando sua própria fé. Você é ateu? Então reze pelas memórias dessas pessoas, por tudo que elas representaram enquanto vivas.

Com toda essa violência e sofrimento, houve uma quantidade enorme de pessoas revoltadas com o ocorrido e solidárias com as famílias das vítimas. Muita gente do meio artístico se manifestou. até pessoas do meio político. Talvez, só talvez, isso possa ter aberto mais os olhos do mundo inteiro a respeito da população LGBT.

Mais uma vez LGBTs se tornaram estatísticas de morte por intolerância.
Não foi apenas um homem que apertou o gatilho. Foi todo o preconceito, desde a piadinha na mesa do bar até o espancamento na rua.
Estamos de luto, mas a luta continua!

#PrayForOrlando #PrayForTheWorld #PrayForLGBT



11 de jul. de 2015

Historinha: Cristofobia

Era uma vez um homem cristão. Ele amava Deus e Jesus acima de tudo.
Suas redes sociais eram sempre enfeitadas de trechos bíblicos.
Seus pais, também cristãos, o guiaram dentro dos caminhos de Cristo desde bebê. Ele até interpretou a crucificação de Jesus numa peça. Que bonitinho.
Na escola, em Biologia, ele aprendeu sobre a teoria da evolução e achou um absurdo, pois nada daquilo estava na Bíblia. Dinossauros? Tudo bobagem!
Quando adolescente, uma vez, ele e outros amigos cristãos invadiram um terreiro de umbanda e quebraram pratos de oferenda para as entidades daquela crença. Afinal, era profana.
Também quando adolescente, uma vez, ele e os amigos picharam as paredes de um centro espírita. Afinal, também era uma crença profana.
Na fase adulta, ele conheceu uma linda moça, a mais inteligente, simpática e caridosa que havia conhecido. Mas ao descobrir que era ateia, não quis mais namorá-la. Imagina ele, um homem do Senhor, se casando com uma incrédula!
Ele votava sempre em políticos cristãos para garantir que o Brasil continuasse a ter pessoas de bem na liderança do país. Pois uma nação sem Cristo é uma nação sem nada.
Casou-se afinal com uma mulher cristã e tiveram filhinhos cristãezinhos.
Numa tarde morna de verão, sem ter nada para fazer, ele defendeu suas ideias racionais e cristãs numa página falando sobre a legalização do terrível casamento igualitário. 
Foi atacado com vários comentários sobre Estado Laico, intolerância religiosa, entre outros absurdos. E desde esse dia ele percebeu o quanto sofria apenas pelo fato de ser cristão.

Fim