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21 de dez. de 2016

MasterChef 2016

Esse ano teve um MasterChef para cozinheiros profissionais. O público foi presenteado com polêmicas que até então não haviam ocorrido. Embora eu tenha minhas dúvidas sobre o profissionalismo dos participantes, focarei num tema que foi muito presente nessa temporada: machismo. Especificamente, machismo na cozinha profissional.

Ao longo da temporada ocorreram momentos de tensão e agressividade entre participantes que evidenciaram uma discriminação de gênero, principalmente contra a candidata Dayse, que no fim saiu vitoriosa da temporada, recebendo muito apoio nas redes sociais.

Ontem teve um episódio especial de "lavagem de roupa suja", que conseguiu ser tão polêmico quanto a temporada inteira. E o machismo foi muito abordado. Quase todos os participantes estavam lá. O pior deles foi mostrado num telão, forçando-os a darem esclarecimentos para seus colegas, para a Ana Paula Padrão e seus críticos, e o público. Por sinal, adorei o posicionamento suave e ao mesmo tempo firme da Ana Paula sobre o machismo.

Esse episódio mostrou a ignorância dos homens sobre feminismo, a resistência deles em admitir seus atos machistas e ainda tentar justificá-los, e como ainda é difícil apontar esse preconceito. Tentaram explicar, tentaram distorcer, mas só revelaram mais sobre seu caráter. Diversas vezes os homens interrompiam a fala das mulheres. Ana Paula repreendeu o candidato Marcelo num momento por isso.

Outras coisas foram jogadas na roda, como a arrogância do candidato João (que desacatou a Chef Paola) e o quanto os candidatos são contraditórios em suas opiniões. O candidato Dario fez uma grave acusação ao programa, dizendo que a edição distorceu suas falas. E Marcelo incorporou o "omi hétero-cis" que não sabe perder e pensa que tudo hoje em dia é "mimimi".

Dayse e a candidata Fádia tentaram falar da discriminação sem acusar seus colegas machistas de machismo. Acredito que elas estavam com medo de fazer tal acusação. Mas a candidata Izabela tomou coragem e apontou sem dó o machismo que existe na cozinha profissional. Todxs que acompanharam a temporada puderam ver o desrespeito e subestimação da mulher por parte dos homens. Só não enxerga quem não quer.

Enfim, com toda essa exposição do ego masculino e as controversas em geral dos participantes, essa enorme e calorosa discussão teve um efeito positivo. Pelo menos eu vejo dessa forma: discutir machismo num programa de TV popular é um grande passo. Teve repercussão e incomodou. Quando incomoda é porque está dando certo. E espero que o programa sirva de inspiração e incentivo às mulheres da cozinha profissional.

Como Izabela falou uma vez: "mulher é cozinheira e homem é chef". Isso ainda é uma realidade. E precisa mudar. Essa temporada serviu para provar isso. A cozinha profissional precisa do feminismo.



13 de abr. de 2016

O movimento GGGG

O movimento LGBT é o núcleo da diversidade humana. Aqui está toda a diversidade de sexualidade, gênero, sexo e afetividade. Aqui estão todas as pessoas que saem dos padrões e por causa disso lutam para viver, para amar, para existir.

E à parte dessa luta nossa, após muitos conflitos e discussões nas redes sociais, surgiu o que no ativismo chamamos de "movimento GGGG"; aqueles gays que discriminam todas as demais minorias sociais e só pensam em seus próprios interesses.

O pior é que estão surgindo grupos por aí reunido essa gente, grupos que se manifestam contra tudo que o ativismo LGBT defende. Todos gays cis egocêntricos e ignorantes que não querem se desconstruir. Eles até afirmam que atualmente o próprio movimento LGBT os discrimina (*risos*).

Os homens gays cis e brancos são os GGGGs. Há alguns homens cis negros padrões que agem como GGGGs, apesar da discriminação que sofrem (a rejeição ou a objetificação). Contudo, os brancos ainda tem seu destaque maior, ainda mais pelo racismo estrutural.

O movimento LGBT já foi conhecido como "movimento gay" porque a diversidade, na ignorância da população geral, sempre foi resumida a 'gays'. Essa imagem ficou tão marcada que é mais fácil pensarmos em gays do que nas demais classes. Como se não bastasse isso, nossa imagem dos gays também é um tanto problemática. O mais comum é nos lembrarmos dos gays masculinos, de corpos malhados, aqueles dentro dos padrões de beleza, esbanjando popularidade e sensualidade. E por que isso? Simples: eles que têm destaque na mídia e nas redes sociais!

Compreendam que o problema não é a existência dos gays brancos padrões. Eles fazem parte do movimento e representam assim como todas as pessoas de todas as classes dentro da diversidade. Não há nada de errado em ser padrão. O problema é a idealização imensa da imagem deles, essa mesma idealização que os torna símbolo de todo o movimento LGBT e modelos de um 'gay perfeito'.

O gay afeminado também representa.
O gay gordo também representa.
O gay negro também representa.
O gay trans também representa.
O gay portador de HIV também representa.
O gay com deficiência também representa.

Todos esses homens gays estão aí, no mundo, em nossa sociedade. Não só lutando contra a homofobia, mas também contra o machismo* e a heterocisnormatividade, a gordofobia, o racismo, a transfobia, o estigma e o capacitismo.

*nota: há feministas que defendem que a classe homem não sofre machismo. Mas o preconceito contra a feminilidade do gay afeminado tem uma raiz machista, até porque o machismo exalta e exige masculinidade do homem.

E não apenas os homens gays, como também todas as demais classes também representam o movimento, nossa grande diversidade de pessoas. 
Nossa diversidade também abrange lésbicas, bissexuais, assexuais, polissexuais, pansexuais, travestis, transexuais, gêneros não binários, queers, intersexuais e pessoas poliamorosas.

Olhem o tamanho da nossa diversidade!

Se ainda lhe resta dúvida sobre o que estou escrevendo aqui, comece a observar seu redor. Preste mais atenção na mídia e nas redes sociais. Busque conteúdo LGBT. O que você mais encontrará? Gs ou LBTs? Repare na atenção dada a todas as classes, e me diga qual recebe maior atenção.

E para quem acompanha o ativismo LGBT não é incomum achar prints ou observar brigas em que vemos homens gays cis brancos dando um show de, principalmente, misoginia, racismo, gordofobia, transfobia. Além de enaltecerem o padrão estético e o estilo de vida normativo em que se encaixam, como se fossem deuses da beleza e da boa conduta. Pff ¬¬

É difícil lutar contra o preconceito da própria sociedade (as pessoas hétero e cis) quando dentro do próprio movimento há também preconceitos. A luta contra a lesbo/bi/transfobia também se faz entre as classes da diversidade, além da luta contra o machismo e o racismo.

Todos os movimentos sociais estão entrelaçados de alguma forma, não importa se você é uma mulher hétero-cis ou uma pessoa negra hétero-cis. Dentro do movimento feminista e negro há também LGBTs, estamos em todo lugar. A luta está em todo lugar, seja você LGBT ou não.

Mais voz, visibilidade e reconhecimento para os outros Gs, de todas as expressões, corpos, etnias e condições!
Mais voz, visibilidade e reconhecimento para quem é L, para quem é B, para quem é T, para todxs que precisam!



6 de abr. de 2016

Peitos

Opa! Que título é esse? Algumas pessoas podem achar interessante, outras podem achar ofensivo. Mas sim, galera, hoje vamos falar sobre peitos.

Os peitos femininos são polêmicos até os dias atuais. O motivo disso? Meras questões culturais e religiosas. Não há um motivo verdadeiramente racional que justifique uma parte da anatomia humana ser vista como polêmica; corpo é algo perfeitamente natural.

O seio feminino era normalmente censurado quando aparecia em obras cinematográficas. Ganhou espaço nos tempos recentes, aparecendo livremente em filmes e até novelas. Mesmo assim ainda há muito tabu sobre o tema, o que é uma grande hipocrisia, especialmente aqui no Brasil, onde no carnaval mulheres aparecem completamente nuas na TV, mas a nudez é adornada com pintura e arte.

O único lugar em que peitos foram sempre permitidos e muito bem-vindos é no mundo pornográfico. O patriarcado aceita os peitos enquanto num contexto erótico, feito para satisfazer o público masculino. Quando o contexto é diferente - um topless na praia ou uma simples amamentação - isso ataca o patriarcado, ataca sua objetificação do corpo feminino.

Essa ideia de erotização dos peitos nos faz reconhecê-los como órgãos sexuais. E por que seriam, visto que sequer participam na reprodução? Essa visão furada é mais uma construção social. Em sociedades indígenas as mulheres ficam com os peitos de fora, como todo mundo. Ninguém fica encarando, ninguém assedia. Qual é a diferença da cultura indígena para a cultura urbana moderna? A visão que criam do corpo humano!

Uma sociedade patriarcal molda as pessoas para serem machistas. Homens são ensinados a verem os peitos como órgãos sexuais e de uma maneira sexualmente compulsiva. E mulheres são ensinadas a esconderem os peitos para evitarem transtornos e até abusos (afinal qualquer ataque é culpa delas, segundo a sociedade ¬¬).

E os peitos masculinos? Bom, eles existem, de certa forma. Apenas são mais retos ou menos volumosos. E, claro, são permitidos de se mostrar. Eles aparecem na rua, na praia, na mídia, enfim. Ninguém polemiza. Qual é a diferença? Só se for o tamanho.

E uma última observação: o problema real não está nos peitos serem vistos, e sim como são vistos. O corpo masculino é admirado por quem atrai, e a mesma coisa sempre ocorrerá ao corpo feminino. Dar uma olhadinha não é pecado. O erro está na erotização, na malícia. E esse mesmo erro estimula o assédio, que acontece mesmo com os peitos escondidos.

Precisamos deixar os peitos livres dessas restrições.
Direitos iguais a todos os corpos!
Desconstruir o patriarcado é libertação; libertar o espírito, a mente e o corpo.



20 de fev. de 2016

A misoginia gay

"Como gays podem ser machistas ou misóginos? Gays sofrem tanto quanto as mulheres! Gays são íntimos das mulheres!!! #SomosTodasMigas"

Hm... bem, a realidade é bem diferente disso.

Muitos gays ainda creem no mito de que estão isentos de cometer opressões contra as mulheres. Pode ser devido a opressão ser mais associada a héteros ou porque esses mesmos gays acreditam que são, de alguma forma, iguais as mulheres. É impossível não lembrar que gays são ainda vistos como "mulheres em corpo de homem".

Temos que lembrar sempre que a questão do machismo não é exclusiva de héteros. Gays também podem ser machistas. O machismo é uma opressão de gênero, a sexualidade do homem nada tem a ver com isso.

Há héteros que ainda acreditam que gays têm uma permissão divina de ver mulheres nuas e até de tocar em seus seios e bundas quando querem e sem serem recriminados. Isso é mentira. Um gay tocar numa mulher sem o consentimento dela é errado!

A própria sociedade acabou criando a ideia de que homens gays, por não sentirem atração, automaticamente têm repulsa por mulheres. Não é uma ideia tão forte, visto que boa parte dos gays possuem mais amizades femininas. Porém, manifestações de ódio, da misoginia (filhote do machismo), podem vir de várias formas.

O nojo excessivo que muitos gays têm por vagina é uma atitude misógina com as mulheres cis. E também transfóbica contra os homens trans. Esse nojo por uma parte do corpo é mais outra influência social. Pode ser desconstruída.

Aquela repulsa que mencionei pode ser vista em homens gays tanto afeminados quanto masculinizados. Contudo, é interessante notar que aqueles mais heteronormativos tendem a ser os mais misóginos. E a razão disso é compreensível. A heteronormatividade está entrelaçada ao machismo.

Sem contar que os heteronormativos, ao construírem um ódio contra a feminilidade, acabam gerando a discriminação por gays afeminados. Está tudo ligado aqui, percebam.

Às vezes, para se socializar, certos gays utilizam do machismo para se aproximar de outros homens. Não façam isso. Sério! Se vocês precisam de uma opressão para ganhar companhia, então essa companhia não vale a pena.

Se fantasiar de mulher no Carnaval ou se vestir assim com a intenção de zoar também é misógino. Mulher não é piada.

Ah, e xingar a amiguinha de vadia, vagabunda, piranha, puta, entre outras palavras, pensando que suas palavras são menos ofensivas do que quando faladas por héteros, também é uma atitude misógina. O mesmo vale quando "brincam" encenando nojo ou desprezo por mulheres (similar a homens héteros com homens em geral). Para ser gay você não precisa ter repúdio por mulheres.

Os próprios gays devem se alertar sobre tudo isso, sobre o machismo que eles mesmos têm internamente. Se gostam tanto das mulheres, então aceitem e comecem a desconstruir isso.

Acredito que gays têm uma oportunidade maior de ter empatia pelas mulheres. Treinem essa empatia. Sejam pessoas melhores. É bom para elas, para vocês, e para o mundo.



13 de jan. de 2016

Brincadeiras com gays

No mundo da ignorância ser gay pode ser duas coisas: algo desprezível ou algo risível. Se bem que aqueles que odeiam os gays normalmente costumam fazer piadas ou zombar da vida gay de muitas formas. Por isso existe tanta piada de gay, né?

Quem mais faz brincadeiras relacionadas à homossexualidade são os homens héteros. Aliás, homem hétero parece que adora ridiculizar tudo que é diferente dele. E, claro, para o homem hétero, com toda sua preciosa e inquebrável masculinidade, uma das coisas mais ridículas que existe é a identidade gay.

Aposto que a maioria dos jovens atuais já participaram daquela brincadeirinha besta ou já viram amigos zoando um outro amigo que esqueceu o Facebook ligado na casa de alguém. E o que fazem para zoá-lo? Escrevem que ele é gay ou curtem páginas gays.

Afinal, ser gay é engraçado, né?

Xingamentos? Bom, temos viado, bicha, boiola... Enfim, uma variedade de sinônimos de gay, mas usados de maneira ofensiva.

Afinal, ser gay é ofensivo, né?

Sem contar que quando não xingam desses termos, falam que o cara "chupa rola" ou "dá o c*". Héteros pensam que gays vivem de sexo oral e anal, pelo visto. E sim, chupar rola ou ser passivo são coisas ofensivas também (não deixa de existir um machismo aí).

Quantos héteros por aí ficam nervosos ao serem confundidos como gays ou "acusados" de serem gays? "Sai fora", "Tá me estranhando?", entre outras frases de desgosto. E quando não espalham aquela fofoquinha básica de que tal ator já falecido era na verdade gay? Há quem diga que isso é "depreciar" a imagem dele. E o pior é que quem faz essa fofoca normalmente tem essa intenção: depreciar. Isso também é recorrente nas escolas de ensino fundamental e/ou médio.

Afinal, ser gay é depreciativo, né?

Estar no armário e se assumir é um passo importante na vida da maioria dos gays. Há famílias que aceitam, e há aquelas que não aceitam. As que não aceitam podem fazer bullying de vários tipos, agredir, e até chegar a expulsar a pessoa de casa.

Agora hétero tirar sarro disso é extremamente nojento! Se esses héteros tivessem noção do sofrimento e do conflito que é viver no armário, duvido que fariam piadinha idiota. Armário não é piada! Se assumir não é piada!

Espero que tenham compreendido o que quis dizer. 
E se vier com "ai, não pode mais fazer piada com nada", por favor, se tranque dentro de um armário e morra lá dentro. ^^



5 de ago. de 2015

Coisas machistas que falamos no cotidiano

Já parou para pensar em quanta coisa errada falamos e repetimos, sem perceber o quanto aquela frase é errada? Ainda temos muitos preconceitos e reproduzimos nossa ignorância e intolerância de todas as formas, seja como piada ou uma afirmação infeliz.

Vamos analisar algumas coisas que são ditas todos os dias:



1- "Vai virar mulherzinha na cadeia"

Ok, isso é realmente muito machista. Vamos analisar o porquê: é sabido que um homem quando vai para a cadeia corre o risco de ser estuprado e de ficar submisso aos demais detentos, principalmente aqueles mais "experientes" ou aqueles de pior conduta. Dizer que esse risco torna o homem numa "mulherzinha" dá a entender que estupro e submissão fazem parte da vida de mulher. Isso serve apenas para continuar a normalizar essas ações opressivas que mulheres sempre sofreram e ainda sofrem.

Além disso, e vale notar, o fato de um homem ser estuprado ou estar submisso a outro homem não o torna menos homem. Tais ações são feitas contra a integridade física e moral, e não ao gênero da pessoa. Parem de repetir essa frase!

2- "[X] é profissão de mulher"

O X normalmente é uma profissão que não exige muito esforço físico ou uso da razão e lógica, ou que seja mais "delicada" e dependente da criatividade e da emoção. Logo, o X pode ser balé, culinária, moda, estética, entre outros. Claro que atualmente essa visão está sendo muito combatida, mas ainda há quem defenda essa ideia (até gente da minha idade ¬¬)

O inverso também é válido: quando dizem que engenharia, arquitetura, polícia e exército são profissões de homem.

Profissões não têm gênero!

3- "Isso é coisa de mulher"

Eu poderia encaixar muitas coisas nesse 'isso'. É comum vermos as pessoas encaixarem vaidade, demonstração de emoção, inveja, quando alguém observa detalhes sobre uma roupa, enfim. Emoção, detalhismo, esteticismo, intuição, enganação, sedução, vingança, e até maldade são ainda mais atribuídos a figuras femininas.

A própria Bíblia alega que o homem pega a maldade da mulher e que ela é a fonte de todo mal. O mundo inteiro gosta de incriminar Eva, mas parecem ignorar que ela não pecou sozinha.

E é engraçado como até homens gays são contaminados com tais ideias. Eu mesmo vejo esses homens definindo a maldade consequente de sentimento de vingança ou ciúme como algo feminino.

4- "Toda mulher deveria saber/fazer isso"

A frase é machista só por querer ditar o que mulheres devem saber e fazer. Aqui entra diversas obrigações e regras inventadas pelo patriarcado.

Mulher deve saber cozinhar, limpar, lavar louça, criar bebês, deve ser educada, recatada... enfim, aquela típica ditadura sobre a representação da mulher na sociedade.

Já parou para questionar tudo isso? Já parou para questionar se realmente existe coisas que só a mulher deveria saber ou fazer?

5- "Mulher nasceu para isso"

De novo, não importa o que acompanhe essa frase, ela por si só é machista. Novamente querendo ditar o papel da mulher no mundo.

Claro que não estou falando de parir. Afinal a natureza deu ao sexo feminino essa capacidade. Mesmo assim, não é toda mulher que optará por engravidar. E isso não é nenhuma obrigação, ainda mais no mundo superpopuloso de hoje.

6- "A mulher nunca será igual ao homem"

Olha, não estamos falando de Biologia aqui. A igualdade de gêneros se refere a participação social e aos direitos civis. A mulher não está tentando "virar" o homem ou substitui-lo. Ela está simplesmente buscando ter o mesmo poder que o homem na sociedade, ter a mesma liberdade e poder ser plenamente humana. Mas o homem parece ter medo de perder sua posição no trono do mundo.



Quanta coisa errada não dizemos diariamente sem perceber, né? Isso é resultado da dominação do patriarcado, que influencia a sociedade desde sempre. Devido a isso, todas as pessoas correm o risco de reproduzir o machismo, todas sem exceção.

O importante é refletir sobre o que falamos e mudarmos, mudarmos para melhor. Não é apenas uma luta contra o patriarcado, e sim uma luta interna.



2 de mai. de 2015

Historinha: Misandria

Era uma vez um homem adulto feliz e bem-sucedido.
Ele era casado com uma linda mulher loira e de seios grandes, típica modelo capa de revista.
Na adolescência, ele namorou várias meninas na escola e na faculdade.
Chegou a manter mais de um relacionamento. Coisa de homem.
Uma vez perdeu uma aposta e teve que ficar com uma garota feia. Ela descobriu. Mas já deve ter superado.
Mesmo casado e com filhos, ele sempre se reunia com os amigos no bar para falar de muitas coisas.
Na mesa rolavam piadas de loira, piadas de mulher motorista, piadas de empregada, entre outras.
Na mesa rolavam conversas sobre bundas e peitos, e de vez em quando todos olhavam para alguma beldade que passava na calçada.
O homem uma vez leu na internet sobre um estupro, e concordou que a roupa curta era a culpada.
O homem uma vez leu na internet sobre fotos íntimas que vazaram, e concordou que a moça não deveria ter tirado se não quisesse que elas vazassem.
Nos almoços de domingo, assim que acabava de comer, o homem ia assistir TV e deixava a esposa lavar toda a louça sozinha. Afinal isso era coisa de mulher.
Numa bela tarde de primavera, o homem estava andando pela calçada e viu uma manifestação de mulheres feministas. Ele não gostava de feministas.
Ele se aproximou de uma feminista e inocentemente disse que ela era feminista por falta de sexo.
A feminista malvada e louca, com desprezo, disse que ele merecia ter a piroca cortada.
O homem voltou para casa chorando e, daquele dia em diante, decidiu lutar pela libertação dos homens da opressão feminina e contra a misandria pregada por elas.

Fim



22 de abr. de 2015

Homofobia ≠ Lesbofobia

Alguns (tipo eu) podem ter se perguntado:

"Por que inventaram esse termo, lesbofobia? Homofobia se aplica aos dois gêneros."

Lesbofobia não deixa de ser uma homofobia. Mas o que a torna diferente, exclusiva? Bom, começa com o fato de que ela é direcionada às mulheres. Preciso dizer mais? Ok, vamos dissertar.

Não é novidade de que a classe mulher é alvo do machismo, a ideologia fundada pela nossa querida sociedade patriarcal que objetifica, inferioriza e menospreza a mulher. Portanto, e consequentemente, as violências cometidas contra homens gays e contra mulheres lésbicas são bem diferentes.

Lésbicas são um tabu na sociedade; ainda não possuem a visibilidade que necessita. E a invisibilidade é causada tanto pelos preconceitos da população quanto pelo próprio movimento LGBT, que é mais representado por homens gays. Quando alguém fala 'LGBT' para você, você pensa imediatamente no quê? Em gays ou lésbicas (ou bissexuais e transgêneros)? 

Contudo, apesar invisibilidade, lésbicas são as estrelas principais do maior fetiche de homens héteros (até mesmo daqueles que se dizem 'contra o homossexualISMO'). Muitos héteros fantasiam com duas ou mais mulheres se pegando na frente deles, e com eles participando. E a partir daí temos aquele babaca sem noção que chega num casal lésbico e pergunta "posso participar?". E também devido a isso observamos a hipersexualização das lésbicas (ou do comportamento lésbico) em sites de pornografia hétero ou até mesmo nas mídias.

"Ah, já que lésbicas são 'adoradas' pelos héteros, elas deviam ser mais aceitas do que os gays, né?"
Ha ha ha, sua ingenuidade me comove.

Existe uma imensa diferença entre o fetiche do hétero e o prazer lésbico. O homem aceita aquela relação entre mulheres enquanto elas estão ali unicamente para realizar sua fantasia (se elas estão gostando ou não, não importa realmente). Mas no momento em que as lésbicas mandam o idiota se fuder e se relacionam unicamente para o prazer delas, o homem fica puto e dá chilique. Não há só machismo extremo nisso, há muita hipocrisia também.

O maior diferencial aqui é justamente o gênero feminino. O ato de estupro é predominante contra a classe mulher. Existe "estupro corretivo" para homens? Não. Quando tentam "curar" um gay, ou usam métodos subjetivos (como exorcismos) ou aplicam tratamentos que visam estimular o gosto pela mulher/vagina (sei que não são sinônimos, mas a sociedade ainda pensa que são). Já a mulher... vish, a mulher lésbica... até mesmo o estupro contra ela é diferente, pois há a intenção doentia de curá-la.

Ainda existe o pensamento de que há mulheres que são lésbicas por "não acharem o homem certo" ou ainda por terem sido muito rejeitadas ou decepcionadas. E pior ainda é vermos a harmonia conjugal de lésbicas sendo questionada porque a relação sexual delas não tem a presença do pênis...

Percebam que existe um pensamento falocêntrico na sociedade de que o pênis é um órgão divino; somente ele produz milagres e traz a felicidade que todxs precisam. Ele cura lésbicas e somente ele pode proporcionar prazer a todas as mulheres (e talvez as demais pessoas).

Além de tudo isso, como li num artigo, a lesbofobia também pode ser o medo que uma mulher tem de amar outra mulher, o medo da rejeição e da hostilidade por ela não estar seguindo os "padrões" da sociedade.

Embora o machismo promova ódio e desprezo contra a feminilidade, mulheres lésbicas de expressão mais masculina também não escapam da lesbofobia, e sofrem tanto quanto as mulheres mais femininas por também não seguirem os padrões heteronormativos da sociedade.

Espero que a razão desse termo tenha sido explicada e seja compreendida.

Assim como a transfobia e a bifobia possuem alvos específicos, a lesbofobia também possui um alvo específico. Considerá-la igual a homofobia é desconsiderar as lutas e os sofrimentos das mulheres lésbicas, que sofrem a opressão por serem mulheres e por serem lésbicas. E uma mulher lésbica negra? Vish, pior ainda, pois além das duas opressões citadas, também sofre racismo.



E um último adendo: movimento LGBT, vocês precisam dar (MUITO) mais voz às lésbicas!



10 de jan. de 2015

Comentando uma notícia


Essa notícia mostra três gráficos com os índices de violência contra negros, mulheres e gays. Fiquei intrigado com essas informações e decidi fazer uma análise do conteúdo, tentando apontar certos detalhes a fim de enfatizar o quanto precisamos melhorar.

Analisei os três gráficos. Estou surpreso que São Paulo não esteja em nenhum, pois acho os paulistas já bastante intolerantes.

Primeiro de tudo, um fato alarmante é que, dos 27 Estados (contando o Distrito Federal), 17 deles estão presentes nas listas. Podemos afirmar então que mais de 50% do país está presente em índices de violência motivada por preconceito e ódio!

Agora analisando a incidência de aparição dos Estados:

- Os Estados que aparecem nos três itens são Alagoas, Paraíba, Pernambuco. Claramente (segundo os gráficos) os mais intolerantes.

- Os Estados que aparecem para negros e mulheres são Bahia, Espírito Santo, Goiás, Pará. Isso (segundo os gráficos) mostra-os como os mais racistas e segregadores. O que mais me incomoda é a Bahia estar nessa categoria!

- Os Estados que aparecem para mulheres e gays são Mato Grosso, Rondônia, Roraima. Isso (segundo os gráficos) mostra-os como muito machistas, além de homofóbicos.

Sinceramente, eu gostaria de compreender o que está havendo no Nordeste (principalmente), e no Norte e Centro-Oeste! Distrito Federal na categoria de racismo??? Não é lá que estão os """maiores""" representantes da população? Que absurdo... estamos elegendo racistas??? E tão absurdo quanto isso é essa demonstração de pura intolerância e preconceito por parte do Nordeste.

Não sei se os gráficos são 100% precisos. Mas se são bem precisos, então precisamos melhorar muito, pois se São Paulo já é decadente, então imagina esses outros Estados!

Não devemos ficar despreocupadxs por estarmos morando no Sudeste. A população precisa agir, se conscientizar, ter empatia! Somente investindo em educação e projetos de leis para minorias e classes socialmente oprimidas que essas estatísticas podem mudar. Não sou patriota, mas reconheço que o Brasil é uma terra bonita, e pode melhorar! Vai demorar sim, e será aos poucos, mas pode e DEVE MELHORAR!



13 de dez. de 2014

Cultura do estupro

O que é a cultura do estupro?

Bom, nós a vivenciamos diariamente. A partir do momento em que um ato desumano como o estupro é tratado como uma opção, moeda de troca, ensinamento etc etc etc, estamos num abismo moral chamado de cultura do estupro.

E ela não começa no estupro; este é o produto final. Ela começa desde nosso nascimento ao longo da vida. A cultura nutre-se quando educamos a mulher a não sair de casa sozinha, quando ditamos como ela deve se vestir, quando passamos a ideia de que ela está aqui somente para agradar e ser aprovada pelo homem, e entre outros absurdos tão enraizados no dia-a-dia. Chegam até a passar despercebidos...

Recentemente certo "deputado" (abri aspas porque essa pessoa não merece representar o povo) fez pela segunda vez outra de suas declarações polêmicas para uma deputada. Aqui tenho como regra da casa não expor nomes, por mais que seja estupidamente óbvio de quem estou falando.

Esse mesmo projeto de ser humano tem seu histórico de merdas proferidas. Ouvi dizer que no nosso cérebro, assim que pensamos em palavras, elas passam por outra área para serem analisadas, antes de serem faladas. Aparentemente o deputado carece dessa área. (Será que na ditadura fizeram lobotomia nele para testar?)

Pois bem. Novamente, a imagem da população é manchada por esse chorume ambulante. Em 2003, em sua primeira declaração polêmica, não houve a mesma repercussão. Não sei como... Desta vez, esse lixo ultrapassou os limites, e voltou a fazer a mesma declaração no Congresso. Foi se pronunciar, pegou o microfone, e soltou sua merda para o Brasil inteiro ouvir. Não, não só Brasil; o mundo ouviu. Isso foi notícia lá fora também.

"Só não te estupro, porque você não merece".
Para pessoas sensatas, essa frase causa repúdio.
Para quem aceita e/ou pratica a cultura do estupro, essa frase pode ser piada, pode ser uma "resposta a altura" (pois a mulher a quem foi dirigida a frase o chamou de estuprador), ou pode até ser dita "mal interpretada".

Primeiro de tudo, estupro não é piada. Ninguém merece ser estupradx. Nem mesmo o deputado. Ele merece ser julgado e preso por isso.
Segundo, que merda de "resposta a altura" é essa? Eu sou acusado de ser um estuprador, e então respondo dizendo que "não te estupro, porque você não merece"? E quando a pessoa merece isso???
Terceiro, na boa, mal interpretada deve ser sua "inteligência". A frase mostra mais do que claramente uma intenção de estuprar.

Houve muitas pessoas (até mais do que o aceitável) defendendo esse monstro. Até mesmo outro monstro, um deputado que é pastor, que também recebeu muitos votos da população. Se você quer saber se uma população está decadente, veja em quem ela vota.

Teve um caso em particular onde um seguidor do "deputado" fez um cartaz ameaçando a deputada. Se ferrou, pois teve que excluir a foto e o perfil. E pelo que percebi acabou sem emprego também. Tudo isso é pouco; por mim seria preso.

Não satisfeito com os protestos e os pedidos de cassação, o infeliz fecha com chave-de-ouro, dizendo que não estupra a deputada porque ela é feia! Então se fosse bonita, você estuprava???
Quero ver agora qual seguidor seu, metido a intelectual analisador de português, vai te defender.

Essa é a cultura do estupro: o estupro é aceitável. E apoiado também.
Se você apoia o "deputado", tenho péssimas notícias: você foi contaminado. E espero que se cure logo, porque o mundo está mudando. Lentamente, mas está. E daqui um tempo você não terá mais lugar aqui.

É inegável que as maiores vítimas de estupro são as mulheres. E os estupradores, homens.
Sinto vergonha do meu sexo e gênero quando me lembro disso.
E não é só no Brasil não! Tem países no mesmo nível ou em nível pior ainda. No Egito, uma jovem sofreu estupro coletivo...

É, minha gente... A cultura do estupro desumaniza qualquer pessoa, principalmente as mulheres. E ainda encontro por aí mulheres defendendo o "deputado"... Parece surreal, mas não é, infelizmente. A cultura do estupro infecta qualquer pessoa, até as próprias mulheres (ainda bem que são poucas).

No fim das contas, vivemos sim numa democracia. A população elege seus representantes a sua imagem. O Brasil, ou pelo menos o Rio de Janeiro, mostrou ao mundo todo quem os representa: um homem machista, racista, homofóbico, que defende a ditadura.

Parabéns, Brasil! Se eu pudesse, mudaria agora de país.



17 de out. de 2014

Homens, Libertem-se!

O machismo não é um veneno exclusivo para as mulheres. É uma ideologia tão bruta quanto uma granada; explode e acerta muitos. Tanto que até o próprio homem torna-se sua vítima, também bebe uma porção do veneno. Não é a mesma quantidade da mulher, lógico, mas ainda assim é destrutivo.

Por isso há um movimento chamado "Homens, Libertem-se!" feito pelo coletivo mo[vi]mento-MG/RJ e o grupo The Living Theatre de Nova Iorque. Esse movimento não é uma reação contra o movimento feminista! Ele apresenta ideias que enfrentam o machismo que ataca a classe homem. Assim como o movimento feminista é um movimento anti-patriarcal. E necessário, pois o homem também deve se posicionar contra o patriarcado e questionar seus privilégios sociais e as exigências em relação a 'hombridade'.

"Ah, mas desde quando o machismo afeta o homem?"
Ora, amigx, quando zoam ele por não gostar de futebol, ou quando ele quer brincar de casinha junto com as primas, quando usa/veste qualquer coisa rosa, quando demonstra emoção ou quando chora. E o medo de ser esculachado pelos amigos no bar porque broxou na hora H? A insegurança com relação ao tamanho do pênis? A cobrança social de ser sempre bem-sucedido?

Duvido que nenhum homem tenha passado por um desses exemplos (isso que tem mais!). Ou presenciou isso. Ou talvez tenha sido o opressor... Sei que ninguém perguntou, mas eu já passei pelas três situações hahaha XD.

A nova campanha apresentada pelo grupo chama-se "Homem, o que você queimaria?" (sem piadas, por favor). Ela é uma homenagem a um suposto acontecimento de 1968, quando mulheres protestaram contra os papéis sociais impostos a elas queimando seus sutiãs. O que a campanha propõe é que os homens também queimem aquilo que lhes prende, que lhes faz mal, toda ideia primitiva, conservadora e arcaica pregada pelo machismo que ainda tanto impregna a sociedade, o mundo num geral.

Aderentes da campanha estão contribuindo se manifestando com fotos ou vídeos com a hashtag #homemoquevocequeimaria e dizendo algo que gostariam de eliminar de suas vidas. Embora eu não mostre meu rosto aqui, farei a minha manifestação em total apoio.


Vamos espalhar essa ideia! o/ o/ o/ o/ o/

E para fechar, um vídeo sobre a campanha e os links do site oficial e a página no Facebook:


Link da página oficial: Homens Libertem-se

Link do Facebook: Homens Libertem-Se



15 de out. de 2014

Teoria da chave-fechadura

Esta "teoria" deve ser uma das favoritas dos seguidores da ideologia machista. Seu intuito é (tentar) comprovar que um homem que transa com várias mulheres é perfeitamente aceitável, mas o inverso não.

"Uma chave que abre vários cadeados é chamada de chave-mestra. Já um cadeado que abre com qualquer chave não presta."

Bom. Muito bom. Tenho que admitir: é uma piada criativa. Não disse teoria, eu disse piada, pois isso a meu ver nem deveria ser levado a sério. O pior é que muitos machistas por aí repetem isso como se fosse realmente uma teoria aplicável à vida.

Bem, vou apresentar também uma teoria. Vamos fazer outra analogia sobre sexualidade humana utilizando objetos para comparações.

"Um apontador que aponta vários lápis é um bom apontador. Já um lápis apontado várias vezes tem que ser descartado."

Viu como analogias com objetos podem ser feitas de várias formas, podendo até contradizer outras analogias?

Agora repitam comigo: homens não são chaves, mulheres não são cadeados.

Bom dia! :D