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19 de ago. de 2018

Representatividades em Steven Universe

AC: SPOILERS até a quinta temporada.



Começo este texto dizendo que considero Steven Universe um dos melhores desenhos da atualidade e um dos melhores já feitos. Seu enredo, criado por Rebecca Sugar, inclui diversas representatividades numa fórmula única, e falarei sobre elas.

(Descrição de imagem: Steven, Garnet, Ametista e Pérola e o título da série)

Falando brevemente sobre o enredo principal para quem ainda não viu o desenho, a história é sobre Steven, que é meio-humano e meio-Gem, uma espécie alienígena com poderes. A trama segue o cotidiano de Steven à medida que ele aprende sobre si e seus poderes, as histórias das Crystal Gems - grupo que protege a Terra e composto por Garnet, Ametista e Pérola -, e mistérios como a mãe de Steven, Rose Quartz, e o passado das Gems no planeta.

Conforme a história progride aprendemos que as Gems são seres lidos como femininos, cada tipo (Pérolas, Rubis etc) possui habilidades únicas, e suas formas são projeções de luz com massa que podem ser mudadas ou escolhidas pela própria Gem.

Logo de início podemos ver que as formas das Gems são bem variadas. Elas se apresentam em muitos tamanhos e formatos, nunca se preocupando com beleza ou padrões, e sempre satisfeitas com a própria aparência. Existem até Gems com um aspecto lido mais como masculino, como Jasper e as Topázios. O próprio Steven é um menino gordinho e não demonstra se importar com isso, além de ter uma boa autoestima.

(Descrição de imagem: à esquerda, Connie lutando com duas Topázios fundidas; à direita, Jasper)

Na sociedade Gem fusões só são permitidas entre Gems do mesmo tipo. Garnet, uma fusão entre uma Rubi e uma Safira, foi condenada por isso. Fusões entre diferentes tipos de Gems podem ser vistas como metáfora para relações fora das normas (aquileanas, sáficas, diamóricas etc).

(Descrição de imagem: "Nascimento" de Garnet)

Embora as Gems não tenham sexo ou gênero, as relações entre elas podem ser vistas como lésbicas/sáficas. Rose Quartz é considerada bi/pan por muites fãs por ter se relacionado com Pérola e homens, o último sendo Greg, pai de Steven.

(Descrição de gif: Beijo de Rubi e Safira no casamento delas e retorno de Garnet)

Essas representatividades não são surpresa visto que Rebecca é bissexual, e colocou parte de suas vivências afetivas nas personagens.

(Descrição de gif: Rose Quartz e Pérola se fundindo em Quartzo Arco-Íris)

(Descrição de imagem: Rose Quartz e Greg dançando)

Rebecca se revelou recentemente mulher não-binária, e com isso também afirmou que todas as Gems são representações de sua experiência de gênero. Ela completou dizendo que as Gems não se importam em serem vistas como mulheres.

(Descrição de imagem: Rebecca Sugar)

Além de tudo isso, temos uma visibilidade não-binária para dues personagens: Stevonnie e Quartzo Fumê. Na língua original elus são referides por outres personagens com o pronome neutro they e não têm gênero definido.

Stevonnie é a fusão de Steven e Connie, enquanto Quartzo Fumê é a fusão de Steven e Ametista. Na lusosfera optou-se por utilizar a linguagem a/ela/a para ambes personagens; o que, na minha opinião, é até válido por não seguir a norma de neutralidade com linguagem "masculina".

(Descrição de imagem: Stevonnie com escudo e espada)

(Descrição de imagem: Quartzo Fumê com seu iô-iô e Peridot atrás delu)

Um outro detalhe sobre Stevonnie é que elu, teoricamente, tem um corpo único e supostamente hermafrodita (não realmente intersexo), sendo a combinação de um menino e uma menina cisgêneros (presumidamente) perissexos. Mas creio que elu ainda poderia ser usade como uma analogia para corpos fora dos padrões, incluindo intersexos.

A sexta temporada será lançada ainda esse ano. Se querem uma animação boa, com um enredo que combina ação e fofura, com toda essa representatividade, e ainda curtem uma temática alienígena, façam um favor a si mesmes e vejam essa maravilha! <3

Se quiser ver online ou baixar, indico esse site: https://stevenuniverseportugues.wordpress.com.



27 de set. de 2017

Representatividade bissexual em séries

Setembro é o mês da Visibilidade Bissexual. Embora se fale muito sobre personagens gays ou lésbicas, personagens monodissidentes (que se atraem por mais de um gênero) estiveram ganhando espaço nas produções televisivas - apesar de não terem a mesma visibilidade que homossexuais.

E para celebrar esse mês criei essa lista de personagens que se relacionam com mais de um gênero (talvez até tire algumas dúvidas rs).

Embora no título esteja a palavra bissexual, há também personagens pansexuais.



  • Teen Wolf

Brett Talbot é um lobisomem bissexual.


  • Glee

Brittany Pierce é bi e já se envolveu com homens e mulheres na série.


  • Penny Dreadful

Dorian Gray e Ethan Chandler são bi/pansexuais.

(Dorian)

(Ethan)

  • Hannibal

Hannibal Lector é omnisexual (se atrai por todos os gêneros). Na terceira temporada é revelado que ele está apaixonado pelo personagem Will Graham.


  • Arrow

Sara Lance é bissexual. Ela já se relacionou com Oliver Queen e Nyssa.


  • American Horror Story

A Condesa, Elizabeth é bissexual e se envolveu por muito tempo com Ramona Royale, outra bissexual e uma vampira criada por ela. Will Drake se apresenta a princípio como gay, mas após se relacionar com a Condessa se revela bi.

(Elizabeth)

(Ramona)

(Will)

  • Orange Is the New Black

Piper Chapman teve uma relação afetiva-sexual com pelo menos um homem, seu marido Larry, e com a personagem Alex Vause, uma lésbica. Piper nunca assume uma bissexualidade (inclusive Alex ainda a define como hétero) e sua retratação causa controvérsias em discussões sobre sexualidade de personagens de obras televisivas. E Brook Soso se revela pansexual.

(Piper)

(Soso)

  • How to Get Away With Murder

Na segunda temporada é revelado que Annalise Keating é bissexual. Inicialmente ela não se aceitou, pensando ser lésbica. Mas eventualmente Annalise aceitou sua bissexualidade, chegando a se envolver com sua amiga Eve, que é lésbica.


  • The 100

Clarke Griffin é uma das protagonistas da série. Na primeira temporada ela se relaciona com um rapaz do grupo dos 100 jovens enviados à Terra. E na terceira temporada se relaciona com duas mulheres, uma delas a guerreira Lexa, que é lésbica.


  • House of Cards

Foi revelado pela produção da série que Frank Underwood se atrai por pessoas, embora ele não faça uso particular de alguma identificação (bi/pan) e se apresenta socialmente como hétero. Ele e Claire possuem uma relação mais emotiva que sexual. E Frank já teve um forte envolvimento amoroso com um amigo.


  • Black Sails

A série conta com pelo menos quatro personagens bissexuais (ou que se envolvem afetiva e sexualmente com homens e mulheres: Eleanor Guthrie, Anne Bonny, Capitão Flint e Thomas Hamilton. Eleanor se envolveu com homens e com Max, uma lésbica e prostituta. Anne e Max também têm uma relação. E na segunda temporada é revelado que Flint e Thomas tinham uma relação escondida.

(Eleanor)

(Anne)

 (James Flint)

(Thomas)

  • Once Upon a Time

Após um tempo de convivência, Dorothy Gale e Ruby (Chapeuzinho Vermelho) desenvolvem afeto uma pela outra. Dorothy é lésbica e Ruby é bissexual. Quando Dorothy acaba vítima de um feitiço do sono, Ruby a desperta com um beijo de amor verdadeiro. Assim as duas se tornam um casal.


  • Shadowhunters 

O feiticeiro Magnus Bane é bi/pansexual. Ele já se relacionou com várias pessoas durante seus séculos de vida. A relação mais recente foi com Alec Lightwood, um shadowhunter gay.


  • Wynonna Earp 

Waverly Earp teve um namorado por muito tempo até conhecer e se apaixonar pela policial Nicole Haught. As duas assumem o relacionamento no fim da primeira temporada.


  • Game of Thrones 

Oberyn Martell, Ellaria Sand e Yara Greyjoy são os principais exemplos de bissexuais da série. Oberyn e Elaria são bissexuais nos livros também.

(Oberyn)

(Ellaria)

(Yara)

  • Sense8

Inicialmente os protagonistas LGBTs eram Nomi (mulher trans lésbica) e Lito (homem cis gay). Nomi se relaciona com uma lésbica chamada Amanita, enquanto Lito se relaciona com outro homem gay chamado Hernando.

(Amanita e Nomi)

(Hernando e Lito)

No entanto, quando falamos de sensates  - pessoas conectadas pela mente - existe uma troca mútua de informações, habilidades, e até mesmo de sexualidade. Como a conexão entre os oito se fortaleceu, as autoras da série afirmaram que todos são pansexuais.

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Está tendo representatividade LGBT+ em séries? Está sim. E terá cada vez mais!



12 de ago. de 2017

O sucesso de Pabllo Vittar

Cada vez mais a cantora drag queen Pabllo Vittar conquista seu lugar na mídia nacional e também na internacional. Uma boa parcela da população, especialmente da comunidade LGBTQIAP+, está se sentindo representada e está apoiando a artista.

Não vou discutir aqui se a Pabllo tem mesmo talento ou não. Ela está fazendo sucesso, um sucesso que tende a crescer, então algum talento ela deve ter. Gosto dela, mas não sou fã suficiente para ser intitulado de vittarlover. No entanto, preciso falar sobre ela. E defendê-la.

Ninguém consegue agradar todo mundo. Pabllo esteve sendo criticada por sua voz, por ser superestimada, pelas letras de algumas músicas e por sua contribuição a longo prazo para a comunidade. Todas as pessoas são passíveis de críticas. Porém, o que estive vendo está me incomodando e vou explicar o motivo.

Vou comentar dois casos específicos sobre as (pseudo-)críticas contra ela:

Compararam ela com Freddy Mercury, geralmente exaltando-o como um homossexual melhor, mais talentoso e mais representativo. Bom, sem entrar no mérito se Freddy era de fato gay ou bissexual (o que era possível, bissexualidade sempre foi apagada), vamos aos seguintes fatos: são duas pessoas de tempos diferentes fazendo seus ativismos. Freddy contribuiu para a comunidade. Pabllo está contribuindo para a comunidade. Ninguém é mais ou menos aqui. Não é porque Freddy agiu de um jeito que todx artista LGBT deve seguir a mesma fórmula.

Compararam ela com figuras LGBTs nacionais, como Vera Verão, Nanny People e Rogéria. Antes de tudo, essas pessoas tiveram sim um papel importante na história da visibilidade LGBT nacional. Não vou negar. Agora, todas elas têm algo em comum: são personagens de entretenimento. Quando vi essa comparação, a única coisa que entendi foi "bons tempos quando LGBTs só apareciam na TV pra gente dar risada". Melhor ainda é ver a galera reacionária fazendo essa comparação (nem se importam com a comunidade!).

Tudo isso só tem um objetivo: desmerecer a Pabllo. Só. Mais nada. Duvido que essa mesma galera tenha imensa paixão e admiração por todas as personalidades citadas.

Agora, ninguém está dizendo que a Pabllo vai revolucionar o mundo apenas com músicas e clipes e acabar com as opressões sofridas pela comunidade. Não. Até porque uma pessoa só não faz uma revolução. Mas eu, como pessoa LGBT, estarei cobrando mais do ativismo dela.

E, além disso, a Pabllo ainda está inserida num sistema capitalista. Ela precisa tomar o mesmo cuidado que artistas que se dizem pró-LGBT (como Anitta), que é não cruzar o limite entre o ativismo verdadeiro e o lucro em cima da causa LGBT (o famoso pink money).

Talvez ela esteja sendo muito exaltada pelxs fãs. Talvez esteja sendo um pouco superestimada por seu talento. Agora, ter alguém como ela sendo reconhecida no mundo é positivo para a visibilidade e representatividade LGBT. Sem contar que ela também está representando o Brasil.

O clipe Sua Cara foi gravado no Marrocos, onde é crime por lei ser homossexual. Conseguem imaginar o que é um homossexual interpretando uma drag queen e uma artista pró-LGBT gravando um clipe num país desses? Isso não é um rompimento de barreiras?

Com tudo isso e vendo os ataques que Pabllo esteve sofrendo, só posso concluir uma coisa: o que incomoda de verdade é termos uma pessoa LGBT, nordestina e que rompe padrões tendo sucesso. Com certeza há gente que não gosta da voz e das letras. Mas o incômodo maior é a pessoa dela estar ganhando espaço num meio artístico ainda predominado por pessoas hétero-cis.

As críticas sobre Pabllo estar inserida no capitalismo e as cobranças do que ela pode fazer pela comunidade são válidas. Meu ponto principal foi a importância de ter uma drag fazendo sucesso, o que isso significa para a diversidade. Estarei acompanhando a Pabllo, torcendo por sua carreira e por sua contribuição para um mundo mais tolerante.



15 de jul. de 2017

Representatividade importa!

Quando se fala em representatividade, há uma cobrança sobre a presença de certos grupos de pessoas que têm vivências e experiências específicas.

Até hoje uma boa parte das pessoas, até mesmo da comunidade LGBT+, têm dificuldade de entender o quanto necessitamos de mais representatividade na mídia e meios de comunicação. Apagar certos grupos é apagar uma série de questões sociais que precisam de atenção.

Essa semana teve a polêmica do comitê LGBT+ da Coca-Cola Brasil, que se diz um grupo de diversidade, mas é composto apenas por seis homens cis brancos de expressão masculina. A causa da polêmica foi unicamente a falta de representatividade de outros grupos, como LBTs, mulheres e pessoas negras.

Esse padrão masculino cisgênero branco se repete em tantos outros grupos que se dizem LGBTs, que dizem ser a face da diversidade que defendem. E quando isso é questionado é tudo "mimimi", desnecessário, politicamente correto, chatice pós-moderna, enfim, os mesmos discursos vindo de pessoas que, coincidentemente, são representadas por esse padrão.

Perceba como o padrão não pode ser questionado, mas a maioria não pensa no quanto é estranho falar da variedade humana apenas mostrando um grupo específico e majoritário.

Ninguém está dizendo que os homens cis brancos não são necessários, que devem sumir ou não podem ajudar na causa LGBT. Os homens em questão são gays e a voz deles têm valor. Mas cadê o resto do pessoal? Não apenas LBTs, mulheres e pessoas negras, mas também os gays afeminados, gordos, trans etc?

Se o grupo é sobre diversidade, no mínimo ele deve ter diversidade. Não é possível que na empresa só existam esses seis indivíduos! Algo está errado aí!

Qual é o problema de haver apenas homens cis brancos? Bem, são grupos socialmente privilegiados, logo possuem maior aceitabilidade e visibilidade por parte da população. Isso é muito problemático. E LBTs, mulheres e pessoas negras, estão precisando ter mais voz, pois são grupos minoritários e alvos de opressões não sofridas pelos outros citados.

O próprio comitê se contradisse quando afirmou representar a diversidade sexual. Se é LGBT+ (ainda adicionaram o +), então é um grupo de diversidade sexual, de gênero, de sexo e de afetividade! A própria sigla justifica isso!

Se vamos falar de diversidade, então vamos representar devidamente essa diversidade! Que apareçam outros gays, que apareçam lésbicas, bissexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais, pansexuais, e quem mais tiver por aí! Novamente, cadê esse pessoal? Se não está na tal empresa comprometida com a diversidade, algo está muito errado...



23 de abr. de 2017

Somos iguais

Que lindo é o discurso de que todas as pessoas são iguais, não importa sua etnia, sexo e gênero, sexualidade, religião, que seja. Lindo mesmo. Pena que não é colocado em prática.

Claro que precisamos sempre analisar o contexto do discurso. Somos iguais, mas em que sentido? Sentido biológico - espécie? Sentido ético - direito à vida? De fato, somos todos iguais quando defendemos nossa humanidade e liberdade no mundo,

Falar de igualdade no sentido social que é um dos maiores desafios desse século.

Quando se fala em igualdade não queremos dizer que pessoas hétero-cis e pessoas LGBTs são exatamente a mesma coisa. O mesmo vale para as etnias, gêneros, classes socioeconômicas, enfim. Queremos dizer é que toda pessoa humana deve ser respeitada, seja em sua identidade e em suas escolhas.

Dizer que grupos majoritários e grupos minoritários são exatamente a mesma coisa é ignorar todo histórico social de segregação, diferenciação e discriminação que minorias sofreram. E ainda sofrem. Ninguém é igual a ninguém, no sentido literal. Nem pessoas de um mesmo grupo social são iguais entre si.

Quem é hétero-cis é hétero-cis, quem é LGBT é LGBT; temos nossas diferenças e temos necessidades específicas. A igualdade não é meramente oferecer o mesmo nível de oportunidades para todos quando há uma parcela mais privilegiada e outra menos.

Dizer que somos todos iguais é lindo. As pessoas precisam ouvir e acreditar nisso. Agora, isso mudará todo um sistema que inferioriza minorias? Não adianta soltar essa pérola numa discussão sobre direitos de minorias, não resolve nenhum problema.

Esse discurso bonitinho acaba invisibilizando identidades discriminadas assim como todo contexto histórico-social de discriminação que as mesmas passam. Minorias não precisariam de um "tratamento diferente" se não fossem tratadas diferentes.

LGBTs ainda são alvos de violência, mulheres ainda recebem salários menores, a população negra continua marginalizada, trabalhadores estão perdendo benefícios merecidos, pessoas com deficiência não são respeitadas, porra, cadê a igualdade que tanta gente diz que existe?

A frase de Aristóteles "Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade" nunca fez tanto sentido.

Que lindo dizer que somos iguais. Então por que ainda há tanta diferenciação?



23 de mar. de 2017

Disney e a visibilidade LGBT

Recentemente houve repercussão sobre a Disney ter colocado um personagem gay no novo filme de A Bela e a Fera. No entanto, personagens LGBTs ou personagens que se desviam dos padrões sociais (originalmente, "queers") nas produções Disney não são novidade.

A empresa nos apresentou um número considerável desses personagens, seja de maneira muito implícita ou mesmo explícita. Comentarei sobre eles, fazendo meus adendos.



Alguns vilões da Disney têm sua orientação sexual-afetiva questionada devido a seus maneirismos ou atitudes em situações específicas. Scar de O Rei Leão deve ser o exemplo mais famoso de vilões questionados: ele é afeminado e nunca mostra interesse pelas leoas. Na mesma franquia temos Timão e Pumba que, embora não sejam um casal, podem representar simbolicamente uma família homoafetiva por terem cuidado de Simba.



Ratcliffe, antagonista de Pocahontas, tem gestos e expressões característicos do estereótipo do homem gay extravagante e que se veste de maneira chamativa. Sem contar aquele cabelo...


Outro vilão muito citado em discussões sobre "personagens gays" da Disney é Hades, antagonista de Hércules. Não entendo exatamente o motivo. Deve ser pelo modo que ele fala com a personagem Maggie numa cena, pois ele tem o mesmo maneirismo de um gay moderno falando com uma amiga.


E para fechar a vilania, a vilã Ursula de A Pequena Sereia foi inspirada numa drag queen chamada Divine.


O comandante Li Shang de Mulan abriu uma série de discussões. A animação mostra bem sutilmente ele desenvolver aos poucos uma afetividade por Mulan enquanto ela fingia ser homem. No final ambos ficam juntos. A maioria considera Shang o primeiro bissexual da Disney. Mas afinal, Shang se interessava pelo gênero ou pela personalidade de Mulan? Por que não defini-lo como pansexual?


Pleakley, coadjuvante de Lilo & Stitch, se veste frequentemente com roupas femininas. Como seu gênero é masculino, ele é um exemplo de personagem que quebra imposições de gênero, no caso referente a roupas.


A gorila Terkina em Tarzan é outra figura muito comentada devido a seu jeito de "menina moleque", seu desgosto por roupas femininas e por nunca mostrar interesse nos gorilas machos. Isso não necessariamente indica que ela é lésbica (ou assexual), mas ela tem sua dose de visibilidade para quem se identifica com ela.


Muita gente fala sobre a Elsa de Frozen. Ela nunca mostra interesse por nenhum homem e termina sem um par. Isso prova que ela é lésbica? Eu diria: "talvez, não necessariamente". Elsa pode ter qualquer orientação alossexual e não estar no momento de querer alguém, não? Ela pode ser assexual também! A música "Let It Go" também é uma ótima analogia a todxs que vivem no armário e saem dele.


No mesmo filme o personagem Oaken, que aparece brevemente numa loja e oferece sua sauna para Anne e Kristoff, apresenta sua família: um rapaz e quatro crianças. A cena deixa muito implícito que o rapaz é seu cônjuge.



Merida de Valente é o mesmo caso de Elsa. Ela recusa seus pretendentes arranjados e quebra papéis de gênero. Mantenho as mesmas palavras sobre ela.


O único exemplo de um casal homoafetivo mostrado beeeeem explicitamente é Hugo e Djali em O Corcunda de Notre Dame. A gárgula Hugo não esconde seu interesse amoroso pelo bode Djali. Na sequência, o bode está mais recíproco com seus sentimentos.


Nossa diversidade começou sendo retratada em personalidades antagonistas, o que pode refletir a ideia da época de que o que era queer era "mau". Com o tempo surgiram retratações mais positivas junto com maior visibilidade para etnias negras e mulheres.

O LeFou de A Bela e a Fera foi um ótimo começo em um longa-metragem da Disney, que está acompanhando a modernidade e suas ideias. A empresa está preparando seu público, em especial o infanto-juvenil, para mais personagens LGBTs. E por isso meus mais sinceros parabéns a Disney!


Quem sabe dentro de alguns anos não teremos protagonistas assumidamente LGBTs?