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22 de set. de 2016

Vamos falar de bifobia

Dia 23 de setembro é o Dia da Visibilidade Bissexual.

Desde que o movimento LGBT foi formado e começou a ganhar força, gays e lésbicas foram ganhando voz e visibilidade. Entretanto, pessoas bissexuais continuam sem ter a mesma coisa. Por isso hoje vou falar sobre bifobia, o preconceito contra bissexuais praticado tanto entre héteros-cis quanto em grupos LGBTs.

A bissexualidade não é "meio-hétero e meio-homo". Ela apenas é o que é.

Não importa se há preferência maior por um gênero, se há períodos em que um gênero atrai mais, se a pessoa não se relaciona com mulheres ou com homens. Ser bissexual é apenas ser.

Tem gente que quase pede um "atestado de comprovação da bissexualidade", perguntando se a pessoa já se relacionou com os dois gêneros, a quantidade de homens e mulheres, qual curtiu mais, enfim, uma série de perguntas que bissexuais não gostam.

A sexualidade é um aspecto humano muito fluído, podendo haver um amplo espectro de atração sexual. Há gente que se descobri bi desde sempre. Há gente que descobre um pouco depois. Assim como há gente que descobre anos depois, mesmo ter passado boa parte da vida sendo hétero/homo. Não, o mundo não é dividido apenas em héteros e homos. A sexualidade não é apenas dois extremos.

Bissexualidade não é indecisão, confusão, curiosidade, safadeza, relação a três ou mais, ou necessidade de aparecer. É apenas uma atração sexual mais ampla dentro da imensa diversidade sexual que existe no mundo.

Pode haver bis que curtem relações poligâmicas? Pode. Mas sem generalizar. Assim como há bis que namoram apenas um gênero ou se casaram com o mesmo gênero. Ninguém é mais ou menos bi por isso.

Também praticamos bifobia quando classificamos as pessoas apenas em héteros e homos. É uma mania nossa. Vemos um casal homoafetivo e automaticamente determinamos que ambas as partes sejam homossexuais. E se uma delas for bi? E se ambas forem? Devemos sempre ter a mente aberta para todas as possibilidades de ser de uma pessoa.

Como se não bastasse tudo que foi dito, tem gente que já declarou que não se relacionaria com uma pessoa bi. E ainda dizem que bifobia não existe, pois bissexuais sofrem discriminação ao se relacionarem com alguém do mesmo gênero, e, portanto, sofrem homofobia/lesbofobia.

Bifobia existe!
Bifobia precisa ser combatida!
Bissexuais existem e são pessoas como qualquer outra!

#VisibilidadeBissexual ♥️♥️♥️




13 de abr. de 2016

O movimento GGGG

O movimento LGBT é o núcleo da diversidade humana. Aqui está toda a diversidade de sexualidade, gênero, sexo e afetividade. Aqui estão todas as pessoas que saem dos padrões e por causa disso lutam para viver, para amar, para existir.

E à parte dessa luta nossa, após muitos conflitos e discussões nas redes sociais, surgiu o que no ativismo chamamos de "movimento GGGG"; aqueles gays que discriminam todas as demais minorias sociais e só pensam em seus próprios interesses.

O pior é que estão surgindo grupos por aí reunido essa gente, grupos que se manifestam contra tudo que o ativismo LGBT defende. Todos gays cis egocêntricos e ignorantes que não querem se desconstruir. Eles até afirmam que atualmente o próprio movimento LGBT os discrimina (*risos*).

Os homens gays cis e brancos são os GGGGs. Há alguns homens cis negros padrões que agem como GGGGs, apesar da discriminação que sofrem (a rejeição ou a objetificação). Contudo, os brancos ainda tem seu destaque maior, ainda mais pelo racismo estrutural.

O movimento LGBT já foi conhecido como "movimento gay" porque a diversidade, na ignorância da população geral, sempre foi resumida a 'gays'. Essa imagem ficou tão marcada que é mais fácil pensarmos em gays do que nas demais classes. Como se não bastasse isso, nossa imagem dos gays também é um tanto problemática. O mais comum é nos lembrarmos dos gays masculinos, de corpos malhados, aqueles dentro dos padrões de beleza, esbanjando popularidade e sensualidade. E por que isso? Simples: eles que têm destaque na mídia e nas redes sociais!

Compreendam que o problema não é a existência dos gays brancos padrões. Eles fazem parte do movimento e representam assim como todas as pessoas de todas as classes dentro da diversidade. Não há nada de errado em ser padrão. O problema é a idealização imensa da imagem deles, essa mesma idealização que os torna símbolo de todo o movimento LGBT e modelos de um 'gay perfeito'.

O gay afeminado também representa.
O gay gordo também representa.
O gay negro também representa.
O gay trans também representa.
O gay portador de HIV também representa.
O gay com deficiência também representa.

Todos esses homens gays estão aí, no mundo, em nossa sociedade. Não só lutando contra a homofobia, mas também contra o machismo* e a heterocisnormatividade, a gordofobia, o racismo, a transfobia, o estigma e o capacitismo.

*nota: há feministas que defendem que a classe homem não sofre machismo. Mas o preconceito contra a feminilidade do gay afeminado tem uma raiz machista, até porque o machismo exalta e exige masculinidade do homem.

E não apenas os homens gays, como também todas as demais classes também representam o movimento, nossa grande diversidade de pessoas. 
Nossa diversidade também abrange lésbicas, bissexuais, assexuais, polissexuais, pansexuais, travestis, transexuais, gêneros não binários, queers, intersexuais e pessoas poliamorosas.

Olhem o tamanho da nossa diversidade!

Se ainda lhe resta dúvida sobre o que estou escrevendo aqui, comece a observar seu redor. Preste mais atenção na mídia e nas redes sociais. Busque conteúdo LGBT. O que você mais encontrará? Gs ou LBTs? Repare na atenção dada a todas as classes, e me diga qual recebe maior atenção.

E para quem acompanha o ativismo LGBT não é incomum achar prints ou observar brigas em que vemos homens gays cis brancos dando um show de, principalmente, misoginia, racismo, gordofobia, transfobia. Além de enaltecerem o padrão estético e o estilo de vida normativo em que se encaixam, como se fossem deuses da beleza e da boa conduta. Pff ¬¬

É difícil lutar contra o preconceito da própria sociedade (as pessoas hétero e cis) quando dentro do próprio movimento há também preconceitos. A luta contra a lesbo/bi/transfobia também se faz entre as classes da diversidade, além da luta contra o machismo e o racismo.

Todos os movimentos sociais estão entrelaçados de alguma forma, não importa se você é uma mulher hétero-cis ou uma pessoa negra hétero-cis. Dentro do movimento feminista e negro há também LGBTs, estamos em todo lugar. A luta está em todo lugar, seja você LGBT ou não.

Mais voz, visibilidade e reconhecimento para os outros Gs, de todas as expressões, corpos, etnias e condições!
Mais voz, visibilidade e reconhecimento para quem é L, para quem é B, para quem é T, para todxs que precisam!



20 de dez. de 2014

Universo paralelo

Não sou heterofóbico. Tenho até amigos héteros.
Acho aquele cara muito gente fina! A única coisa que estraga é ele gostar de mulher.
Ah, jura que você é um cara hétero? Dorme comigo uma noite, vou te mostrar o que é um homem na cama.
Não tenho nada contra héteros. Só não quero eles perto de mim.
Não sou contra heterossexuais. Sou contra a prática heterossexual.
Eu aceito, mas não gostaria que meu filho fosse hétero.
Tudo bem ser hétero, mas precisa beijar em público ou andar de mãos dadas?
Não tem problema ele ser hétero. O problema é ele dar pinta de hétero!
Gosto dos héteros, mas não faço amizade porque podem achar que sou um também.
Nada contra, mas por que agora toda série e filme tem que ter um casal hétero? É realmente necessário?
Se você é hétero, então você deve odiar pessoas do mesmo gênero, né?
Como vou explicar um casal hétero para meu filho?
Tudo bem casar, mas adotar...? Eles podem influenciar a criança.
Afê, tudo virou heterofobia agora! Não posso mais fazer piada, não posso lembrar que o que eles fazem é pecado, ou expressar minha opinião! Acho uma aberração e pronto! É minha liberdade de expressão.

É tão estranho quando invertemos as coisas, né?



29 de out. de 2014

Meninos ou meninas? Sim.

A sexualidade humana se manifesta de várias maneiras. É uma diversidade de possibilidades, e ainda não compreendida plenamente. E infelizmente a população ainda é muito ignorante a respeito dessa diversidade. Desde os tempos mais remotos, os tópicos da sexualidade eram mais voltados para hétero e homo. Hoje eu gostaria de falar sobre aquela que não é nem hétero ou homo: a bissexualidade.

Sim, ela existe! Acreditem, ela também é um tabu ainda. E, assim como a homossexualidade, é alvo de muito preconceito. Sinceramente, em pleno século XXI, nessa era da informação, acredito que desinformação é mais opcional mesmo. Se todos aceitassem a natureza humana como ela é, não haveria necessidade de tanta luta contra preconceito, luta por direitos, luta por visibilidade.

Eu não sou bi. Mas já parei para analisar o que as demais pessoas pensam a respeito disso. Assim como a maioria, também já fui muito ignorante sobre o tema. Já cheguei a dizer que bi são pessoas "eternamente indecisas". Não! De forma alguma!

O bissexual não é indeciso. Não é confuso. Não é pervertido ou devasso. O amor de uma pessoa bi apenas se estende para os dois sexos, homens e mulheres. Quem é bi, tem certeza; certeza nos dois sexos. E outro fato interessante é que existem graus variados de bissexualidade. No passado, eu pensava que a balança sempre pesava igualmente nos dois lados. Recentemente descobri que isso não é regra geral. Mas para outros, a balança pesa mais para um dos lados. Nesse caso, se pararmos para analisar, a própria bissexualidade abre inúmeras possibilidades.

Como é diversificada a sexualidade humana! Não sei quanto a vocês, mas acho ela fascinante devido a isso. Se não acreditam, perguntem para as pessoas bi. Não dói nada.

Em relação a ignorância do pessoal, fico abismado em saber que ela não parte apenas do lado hétero, mas também vem do lado homo.
  • Um colega meu, hétero, uma vez falou: "Ah, o cara que é bi pra mim continua sendo viado!". 
  • Um colega meu, homo, uma vez falou: "Ah, pra mim o cara que é bi ele é gay, mas tem vergonha de admitir que quer dar o c*". (censurei essa palavra porque não gosto dela...)
Percebam que tanto o lado hétero quanto o lado homo julgam o bi como um homossexual. Acredito que isso seja resultado de uma visão limitada de mundo, "ou é um ou é outro". Para eles não existe um caminho do meio ou um caminho alternativo. 

Bem que um colega bi me alertou sobre isso. Uma vez questionamos sobre quem sofria mais preconceito na sociedade: homo ou bi? E ele me apresentou esse ponto-de-vista o qual eu nunca tinha parado para refletir. É triste isso... Ainda mais vindo de homossexuais, que são os que mais deveriam entender e simpatizar com os bissexuais, afinal ambos têm o mesmo sofrimento.

Sim, a bifobia consegue ser maior do que a homofobia... :(

Precisamos ter uma mente mais aberta. Vivemos em tempos modernos! Parem de dizer que atualmente virou "modinha" ser gay ou bi. Ninguém experimenta um gênero por "modinha". Parem com isso. Sexualidade é inata, e existem pessoas curiosas. Se você não tem curiosidade no sexo que não lhe atrai, ótimo. Se não tem, não tem. Mas respeite quem tem. O que realmente importa nas pessoas é o caráter, a personalidade, o conteúdo interior, e não as preferências dela. E mais uma coisa: você aceitando ou não, bi existe, sempre existiu, e vai continuar existindo.

Segue um link de um artigo do iGay: http://igay.ig.com.br/2014-10-28/15-frases-que-todo-bissexual-ja-esta-cansado-de-escutar.html

E então finalizamos perguntando para a pessoa bissexual:
- Meninos ou meninas?
- Sim. :D

(Bandeira do orgulho bissexual)