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25 de jun. de 2018

Transexualidade e a OMS

Há uma semana o mundo teve uma grande notícia: a OMS retirou a transexualidade de seu catálogo de doenças mentais. Ela publicou seu novo CID (Classificação Internacional de Doenças) e nele a transexualidade não é mais um "transtorno de gênero".

No entanto a CID-11 a coloca como uma "incongruência de gênero", uma condição relacionada com a saúde sexual. 

A justificativa para isso é continuar permitindo o acesso aos serviços de saúde específicos para pessoas que queiram transicionar; principalmente a cirurgia de redesignação sexual. Isso revela que ainda existe toda uma burocracia - sustentada pelo cissexismo - sobre o que as pessoas podem ou não fazer com seus próprios corpos.

Claro que é um avanço a OMS reconhecer que pessoas fora da cisnorma não são doentes mentais, mas os corpos trans ainda não têm total liberdade. Vejam a diferença que ocorre entre pessoas querendo transicionar e pessoas cis que queiram colocar silicone ou aumentar o pênis.

A nova CID entrará em vigor no primeiro dia de 2022, o que significa que até lá todos os países que aplicarem a CID-11 devem se adaptar a essa mudança. Isso deverá destruir toda e qualquer brecha para pessoas e instituições que ainda tentam "curar" pessoas trans.

Talvez isso ainda não melhore a situação de pessoas trans em certos países que ignoram completamente as palavras e decisões da OMS. Mesmo em países que seguem a CID atual ainda há casos de terapias de conversão para heterodissidentes. Porém... é alguma coisa, ainda mais considerando que foram longos 28 anos após a despatologização da homossexualidade para que algo assim acontecesse.

A luta da comunidade trans continua.



3 de dez. de 2017

Centros de Cidadania LGBT

O artigo de hoje tem um caráter mais de divulgação, no caso falarei sobre os Centros de Cidadania LGBT do país. Eles são núcleos feitos para atender à população LGBT+, oferecendo serviços sociais, jurídicos, psicológicos, pedagógicos, entre outros. Listarei os centros por cidades.



São Paulo

Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas (antigo centro Arouche)

End: Rua Visconde de Ouro Preto, 118 – Consolação
Tel: (11) 3115-2616
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Centro de Cidadania LGBT Luana Barbosa dos Reis (Zona Norte)

End: Rua Plínio Pasqui, 186 – Parada Inglesa
Tel: (11) 2924-5225
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Centro de Cidadania LGBT Laura Vermont (Zona Leste)

End: Avenida Nordestina, 496 – São Miguel Paulista
Tel: (11) 2032-3737
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Centro de Cidadania LGBT Edson Néris (Zona Sul)

End: Rua São Benedito, 408 – Santo Amaro
Tel: (11) 5523-0413 / 5523-2772
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Campinas

Centro de Referência LGBT

End: Rua Talvino Egídio de Souza Aranha, 47 – Botafogo
Tel: (19) 3242-7744
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h


Rio de Janeiro

Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT

End: Rua Tenente Possolo, 43 – Centro
Tel: (21) 2215-0844 / 2222-7286
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 14h às 20h
E-mail: arco-iris@arco-iris.org.br


Niterói

Centro de Cidadania LGBT Leste

End: Rua Visconde de Morais, 119 – Ingá
Tel: 0800 023 4567 (Disque Cidadania LGBT RJ)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h


Nova Friburgo

Centro de Cidadania LGBT Hanna Suzart (Serrana I)

End: Avenida Alberto Braune, 223 – Centro
Tel: (22) 2523-7907
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h


Duque de Caxias

Centro de Referência da Cidadania LGBT - Baixada I

End: Rua Frei Fidélis – Centro / na parte superior do Restaurante Cidadão
Tel: 0800 023 4567 (Disque Cidadania LGBT RJ)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h


São Gonçalo

Centro de Referência de Cidadania LGBTI

End: Travessa Maria Cândida, Mutondo
Tel: (22) 3708-7954


Belo Horizonte

Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT (CRLGBT)

End: Rua dos Tupis, 149, 10º andar – Centro
Tel: (31) 3277-4128
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h


Recife

Centro Municipal de Referência em Cidadania LGBT

End: Rua dos Médicis, 86 – Boa Vista
Tel: (81) 3355-3456
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h


João Pessoa

Centro de Cidadania LGBT

End: Parque da Lagoa, 196 – Centro
Tel: (83) 3218-9248
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 14h


Campo Grande

Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia (CENTRHO)

End: Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, 713 – Amambai
Tel: (67) 3321-7343
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30


Teresina

Centro de Referência para Promoção da Cidadania LGBT Raimundo Pereira (CRLGBT)

End: Rua Barroso, 732 – Centro-Norte
Tel: (86) 3213-7086
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30


Brasília

Creas Diversidade

End: 614/615 Sul, Lote 104, Bloco G, L2 Sul – CEP 70.770-501
Tel: (61) 3224-4898 / 3322-4980
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, 8h às 12h e 14h às 18h
Obs: esse centro atende também vítimas de discriminação racial e religiosa.



Próximos Centros de Cidadania LGBT:

Volta Redonda: recentemente o MPF (Ministério Público Federal) cobrou do programa Rio Sem Homofobia a instalação do novo CCLGBT na cidade. Não achei mais informações sobre o projeto.
Salvador: o Governo da Bahia estima que até o fim de 2019 haverá um CCLGBT construído e em atividade, no endereço Rua do Bispo, 10.
Maceió: a Coordenação da Diversidade Sexual da Semas (Secretaria Municipal de Assistência Social) está planejando a construção de um CCLGBT.

Devo lembrar também sobre o Disque 100, o número dos Direitos Humanos. Lá podem oferecer informações e alguns serviços.



18 de out. de 2017

A favor das crianças

Fazendo um gancho com o caso da exposição do homem nu, não pude deixar de achar tragicômico aquele pessoal conservador de sempre enchendo a boca para defender as crianças. Disseram para deixarem as crianças em paz, que estão tentando "erotizar" as crianças, ficaram dissertando sobre crime contra a criança e pedagogia como especialistas nos assuntos, enfim.

Dizem que são a favor das crianças. Que ótimo que são! Todxs deveriam ser a favor delas. Mas agora eu pergunto: de quais crianças essa gente é a favor?

Dizem que são a favor das crianças, mas menor de idade cometendo até um crime leve deve ir pra cadeia sofrer (bandido bom é bandido morto, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas aprovam agressão física como ensinamento (uma palmadinha não mata, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas a criança gordinha pode continuar sofrendo discriminação (bullying é vitimismo, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas não movem um dedo pelas crianças morando nas favelas em condições miseráveis e até violentas (azar o delas a família ser pobre, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas ignoram aquelas que moram na rua (são contra o aborto, mas depois que a criança nasce ela que se foda).

Dizem que são a favor das crianças, mas nunca visitaram um orfanato e fizeram uma caridade (e ainda querem impedir casais homoafetivos de adotar!).

Dizem que são a favor das crianças, mas não falam nada quando crianças LGBTs são violentadas e até expulsas de casa (quem manda a criança ser "viada"?).

Dizem que são a favor das crianças, mas não se revoltam com os inúmeros casos de abusos infantis ocorridos em igrejas e até nas próprias casas (detalhe: nenhum abuso ocorreu num museu).

A única criança que essa parcela conservadora hipócrita e tóxica adora é a branca e hétero-cis que se encaixa nas normatividades. Se seguir a linha reacionária melhor ainda. Essa gente demonstra cotidianamente seu desinteresse e desprezo pelas outras crianças, do nascimento até o direito mais básico!

No fim das contas não estão a favor de nenhuma criança. Nem adolescente, jovem, adulto ou idoso. Lembram das crianças apenas quando é conveniente. Aqui temos mais uma prova de que gente moralista é a mais degenerada.



20 de abr. de 2017

Comentando uma notícia

Essa semana foi um choque para toda a comunidade LGBT internacional. Na região da Chechênia, uma república da Federação Russa, esteve havendo nas últimas semanas relatos e denúncias de prisão e tortura de jovens homossexuais ou todos "suspeitos" de serem homossexuais. O presidente nega tudo isso pois, segundo ele, "não há homossexuais lá".

A Rússia é famosa por sua frequente e violenta perseguição e condenação à diversidade, principalmente homossexuais. Não apenas a Rússia, mas todas as regiões que pertencem ao governo russo estiveram manifestando homofobia de toda forma e intensidade.

Segundo as informações, os tais campos de concentração eram anteriormente para interrogar e acusar radicais islâmicos. E agora está sendo usado para torturar jovens, fazendo-os confessar serem homossexuais (mesmo não o sendo). Há indícios de que muitos foram assassinados. Ou pior: muitos também são devolvidos às suas famílias para serem mortos!

Felizmente, autoridades políticas e ONGs dos direitos humanos estão pressionando uma resposta da Chechênia, que, mesmo negando o ocorrido, não esconde seu posicionamento violento sobre homossexuais.

O que dizer sobre isso? É simplesmente desumano presenciar a homossexualidade sendo tratada como motivo para tortura e morte! Não consigo deixar de imaginar o horror e a dor dessas vítimas. Estamos no século 21, caralho! Como que ainda permitem atrocidades como essa?

E eu só me pergunto: ninguém vai fazer nada? O mundo inteiro vai deixar isso passar? Nenhuma entidade internacional vai mover alguma ação? Não basta apenas exigir resposta e investigar. 

Ainda acredito que a união faz a força. LGBTs do mundo todo, sejam militantes/ativistas ou não, deveriam se pronunciar contra a Chechênia e contra o governo russo. Precisamos espalhar a notícia. Precisamos falar sobre o assunto. Precisamos manifestar nossa indignação para que o mundo inteiro veja.

Pensaram que campos de concentração acabaram na Segunda Guerra Mundial? Bom, ano de 2017 e ainda temos campos fascistas sustentados pelo ódio à diversidade. Pode ser na Europa, mas o que impede de acontecer aqui também? Ódio se propaga igual a vírus.

É uma notícia triste mesmo. Triste também ver tantos jovens gays brasileiros conformados com suas baladinhas, bebida e divas pop do que mostrando o mínimo de indignação sobre isso. Prioridades, né?



1 de out. de 2016

Legalização do aborto

Falar de aborto ainda é um tabu. Isso é compreensível levando em conta toda complexidade, tanto ética quanto religiosa, que acompanha discussões sobre a vida e o direito a ela.

Desde já esclareço que ninguém é realmente a favor do aborto. O que quero discutir aqui é a legalização do aborto, que é um direito da mulher e uma questão de saúde pública. 

Legalizar o aborto não é simplesmente dar o direito da mulher abortar quando bem quer. Existe toda uma legislação sobre isso, considerando as causas da gravidez, a condição da mulher e também o tempo de desenvolvimento do embrião, um conjunto de células.

E daí vem aquela discussão polêmica: esse conjunto de células, que sequer tem um cérebro formado, é uma vida? Muitas religiões defendem que a concepção - a fusão do espermatozoide com o óvulo - é o início da vida. A ética, apoiada na ciência, ainda não chegou a um consenso. Entretanto, mundialmente o aborto é aceito se realizado até a 12ª semana (3º mês) de gestação, visto que após esse tempo há um feto com pequena atividade neuronal (embora ainda um ser inconsciente).

Falando das causas da gravidez, devemos considerar os seguintes fatos:

1- Nem todas as camadas sociais têm acesso à informação; no caso, me refiro às mais periféricas. Pessoas sem a devida educação e assistência vão, naturalmente, viver mais pelos seus instintos mais básicos. Sim, elas vão sentir tesão e, naturalmente, vão transar. E como são ignorantes e marginalizadas, elas não têm alternativa a não ser ter o bebê, mesmo em condições miseráveis.

Sempre que você disser “abrir as pernas foi fácil”, que é uma maneira simplista de enxergar a situação, tente se colocar no lugar dessas pessoas. Elas não tiveram a mesma sorte que você, de nascer com acesso ao conhecimento e à educação.

2- Existem muitos métodos anticoncepcionais disponíveis no mundo. Se bem que nem todos os países podem adquiri-los e distribui-los para a população. Sabe o que todos eles têm em comum? Nenhum é 100% eficaz.

Sim, camisinhas estouram, pílulas podem falhar, e assim por diante. E não, não é culpa da mulher, nem do homem, que seja. Pode acontecer com qualquer pessoa. Você, pessoa hétero-cis, tenha sempre isso em mente.

3- Infelizmente, estupro contra a mulher ainda é uma realidade e recorrente pelo mundo. Talvez esse seja o ponto mais relevado até mesmo por quem se diz “contra o aborto”. Porém, há quem defenda (principalmente homens cis) que nem estupro é desculpa.

Já imaginou o que deve ser carregar o bebê de um homem que te estuprou? Pense nisso.

Obs: vale lembrar que nosso lindo governo fez um projeto chamado “Estatuto do Nascituro”, que impedia mulheres de abortarem em casos de estupro e até ofereciam direito à paternidade ao estuprador. Só um homem cis para pensar num projeto desses.

Eu acabo relevando muito com boa parte das pessoas que se dizem contra. Porque assim que elas expressão sua opinião, percebo que elas têm uma visão simplista, não enxergam toda a dimensão do tema. Elas mesmas são ignorantes.

Acho que muitas delas devem achar que legalizar o aborto é permitir que as mulheres saíssem engravidando e arrancando os fetos quando querem. E não é isso, nem passa perto disso. Aborto é um procedimento incômodo demais. E como foi dito, o procedimento deve ser feito antes da formação completa do feto.

Quem se diz contra deveria ao menos pesquisar sobre países que legalizaram o aborto. Em todos eles diminuiu-se a taxa de abortos clandestinos (que, por sinal, ameaçam a vida da mulher) e a taxa de natalidade permanece aceitável.

Mais uma coisa: percebe-se que membros da direita, esses que se autodeclaram “pró-vida”, protegem a todo custo a vida da criança... até ela nascer. Não adianta nada se dizer pró-vida se você não se importa com a vida da mulher e com que condições ela cuidará da criança (ou se vai simplesmente dá-la para adoção). Você não é pró-vida. Você é pró-nascimento. Ah, defender pena de morte também não é ser pró-vida, ok?

Convenhamos, o aborto teria sido sempre legalizado se os homens cis tivessem útero.



13 de ago. de 2016

Comentando uma notícia

As Olimpíadas desse ano estão sendo marcadas pela presença de atletas LGBTs de muitos países, incluindo aqui do Brasil. Pessoas de todo lugar estão vindo visitar o país, e pelo que ouvi falar por aí, os gringos estão fazendo sucesso nos famosos aplicativos gays hahaha.

Entretanto, venho aqui com uma notícia revoltante que até agora está me revirando o estômago. Dessa vez não houve agressão física, xingamento ou morte contra LGBTs. O que ocorreu aqui foi exposição da vida particular de alguns atletas.

Um "jornalista" que trabalha para um jornal londrino foi para a Vila Olímpica, no Rio de Janeiro, usando os tais aplicativos. Lá ele encontrou alguns atletas, conversou com eles e até marcou encontro. Com isso ele fez sua preciosa matéria expondo os atletas, incluindo que esporte faziam e seus países de origem. A matéria teve uma repercussão negativa, depois foi retirada, e o abençoado até se desculpou... ¬¬

Ou esse "jornalista" é muito ignorante sobre direitos gays pelo mundo ou agiu na mais pura maldade. Muitos desses atletas não eram assumidos e alguns vieram de países em que práticas homossexuais são condenadas por lei! Eles correm o risco de terem sua carreira encerrada e inclusive risco de vida! Será que este ser não pensou nessas coisas???

Parece que não existe mais respeito e escrúpulos para se fazer uma matéria no meio jornalístico. É necessário rever essa tal "liberdade de imprensa" aí. Sinceramente, o que ele fez deveria ser considerado crime! No mínimo ele deveria ser demitido e perder permanentemente o direito de exercer a profissão!

E por favor, não me venha com "ah, ele se desculpou e tirou a matéria". A merda já foi feita! Publicou na Internet, esquece, não sai mais dela. As desculpas dele não vão mudar o passado e de nada servirão para os atletas que terão que enfrentar a discriminação em seus países ou nem poderão retornar para eles.

É difícil se assumir, ainda mais no meio esportivo? Sim! Especialmente em países LGBTfóbicos. Pior ainda é ser tirado à força do armário! Fico com muita pena desses atletas; precisam viver suas sexualidades de forma oculta, treinaram para os jogos, viajaram até aqui, e então recebem uma bomba dessas. Horrível!

E não venha também culpando as vítimas por "se exporem nos aplicativos". Eu não vejo aplicativos com bons olhos, mas defendo a liberdade total dos atletas (de qualquer pessoa) de usarem, se encontrarem com alguém, beijarem e transarem e gozarem muito, sem serem expostos dessa maneira, expostos ao mundo todo.

Contudo e apesar de tudo, espero do fundo da alma que esse acontecimento e a representatividade LGBT nas Olimpíadas atentem o mundo inteiro sobre os direitos LGBTs, principalmente aos países que ainda possuem uma conduta anti-LGBT.

Ser LGBT nesse mundo é um desafio diário, e nenhum jogo olímpico se compara a isso.



22 de jun. de 2016

Doação de sangue por LGBTs

Em mais de 40 países, pessoas LGBTs ou são proibidas de doar sangue ou só podem doar em certas condições. Quase todos os países que permitem a doação exigem como condição 12 meses de abstinência de relação sexual com pessoas do mesmo gênero/sexo. As legislações costumam parecer mais imparciais, colocando como grupos de risco "homem que fazem sexo com homens" (HSH).

No caso do Brasil, a lei fala de HSH e exige que esses homens não devam ter tido relações homoafetivas dentro de 12 meses. Ela é mais específica para homens porque a prática do sexo anal é considerada um fator de risco (DSTs). Socialmente, a relação gay ainda é associada a sexo anal, embora heterossexuais também o pratiquem.

"Ah, então pessoas trans poderiam doar?"
Travestis são consideradas "grupo de risco" pelo mesmo motivo de HSH (além de ainda serem vistas como homens). Pessoas transexuais heterossexuais poderiam doar, porém mulheres trans também ainda são vistas como homens por profissionais da saúde ignorantes no assunto e intolerantes.

As bolsas de sangue, depois de recolhidas, passam por testes antes de serem disponibilizadas. A bolsa de uma pessoa que tenha alguma DST e mentiu sobre isso no relatório pré-doação será descoberta e descartada.

Na imunologia há o conceito de "janela imunológica". Este é um período em que o organismo ainda não identificou um patógeno (vírus, bactéria etc) e ainda não produziu anticorpos contra ele. Defensores da restrição usam isso como argumento principal para impedir homens gays/bis de doarem, visto que a DST não é identificada nessa janela. 

Contudo, há um teste chamado NAT que diminui essa janela e encontra a doença com mais rapidez, através de seu material genético (ao invés de procurar anticorpos). Ainda há motivo para essas restrições?

Não vou negar que o HIV ainda é um risco grande entre a população masculina homoafetiva. A questão vai além disso, bem antes da contaminação. Fatores sociais também influenciam muito no contexto; discriminar e marginalizar esses homens pode afastá-los do conhecimento e informação sobre DSTs. E o preconceito não está apenas na casa, na escola ou nas ruas, está também nos hemocentros. A desinformação por parte de profissionais impede muitas doações.

Viram como educação sobre diversidade e tolerância são determinantes até na própria saúde LGBT e, consequentemente, na saúde da população geral? Quantas bolsas de sangue são descartadas ou nem são coletadas? Quantas vidas poderiam ser salvas? Está na hora do próprio âmbito científico questionar tais atitudes e também do governo rever sobre essas legislações e a desinformação, tanto por profissionais quanto pela população.

É importante sim haver legislações que garantam a segurança e integridade nas doações de sangue. Assim como também é importante começarmos a praticar a tal "igualdade" prevista por lei para todas as pessoas e criarmos legislações verdadeiramente racionais, e não discriminatórias e contraditórias. 

Informação e inclusão social podem salvar pessoas!



11 de jun. de 2016

O gay de direita

Quem tem um conhecimento básico de política e/ou faz parte da militância LGBT não consegue compreender um gay de direita. Pois, pela lógica, é simplesmente ilógico ele, uma minoria, estar do lado e concordar com uma maioria que o oprime.

Entre todas as posições políticas principais do Brasil, a direita se mostra como a mais conservadora. E com isso, ela nunca está a favor de qualquer progresso a respeito de minorias sociais ~LGBTs, mulheres, população negra.

Se a direita do nosso lindo país se posiciona contra direitos LGBTs em geral, como pode haver um gay de direita?
Após muita análise, cheguei a duas conclusões:

1- Ele sofreu uma terrível lavagem cerebral, sendo educado a aceitar que a existência dele é inferior a das pessoas hétero-cis, e que essa realidade de segregação e exclusão é justa e correta. "Eu estou em meu devido lugar e não devo incomodar a ordem na sociedade", este é seu pensamento.

2- Ele, por um motivo x, aceita a ideologia discriminatória da direita, que pode ser:

- necessidade de ser aceito pela sociedade (a maioria). E para isso ele aceita ser visto e tratado como inferior ou pode até mesmo se adequar ao padrão heterocisnormativo (que é muito aceitável); OU

- egoísmo, pois ele está numa posição ou condição social (ex: classe alta) em que não precisa se preocupar tanto com o preconceito. Para que se preocupar com preconceito no Brasil quando se está morando em São Francisco, né?

O gay de direita, basicamente, é aquele que concorda com a opressão que sofre, abaixa a cabeça, e ainda agradece pelas migalhas que recebe. Ele está conformado em ser tratado "como se fosse uma pessoa normal". Casar e adotar para quê? Ele não pode montar família com alguém do mesmo gênero. E se sofrer qualquer tipo de agressão homofóbica, a culpa é dele.

Humilhante? Triste? Revoltante? Talvez seja um pouco de tudo isso. Mas acho que antes de acusarmos uma pessoa que tomou essa posição em sua vida, devemos tentar entender o motivo que a levou a escolher isso. Lavagem cerebral e necessidade de aceitação são releváveis; o que esse gay mais necessita é de orientação e desconstrução, com paciência e perseverança.

A militância LGBT está aqui justamente para combater essa ideologia da direita, que coloca gays, minorias em geral, como inferiores apenas por serem diferentes de um padrão. 
Nós somos mais, podemos mais, somos todxs seres humanos! 
Se estamos incomodando apenas por sermos o que somos, então o problema não está em nós! 
E daí se existe uma maioria contra nós? Devemos sim todxs lutar para ter uma vida digna!

Se a direita aplaude ou apoia alguma pessoa LGBT, então essa pessoa não está incomodando, logo ela está fazendo errado XD. Lutar contra o preconceito faz parte da vida de LGBTs, nossa existência já é um ato político. E não, a direita não está do/não é nosso lado. Não agradem a direita!

"Ah, só porque sou gay não posso ser de direita?"
Claro que pode, amigo! Você pode ser o que quiser.
Você tem todo direito de ser contra seus próprios direitos! ^^



6 de abr. de 2016

Peitos

Opa! Que título é esse? Algumas pessoas podem achar interessante, outras podem achar ofensivo. Mas sim, galera, hoje vamos falar sobre peitos.

Os peitos femininos são polêmicos até os dias atuais. O motivo disso? Meras questões culturais e religiosas. Não há um motivo verdadeiramente racional que justifique uma parte da anatomia humana ser vista como polêmica; corpo é algo perfeitamente natural.

O seio feminino era normalmente censurado quando aparecia em obras cinematográficas. Ganhou espaço nos tempos recentes, aparecendo livremente em filmes e até novelas. Mesmo assim ainda há muito tabu sobre o tema, o que é uma grande hipocrisia, especialmente aqui no Brasil, onde no carnaval mulheres aparecem completamente nuas na TV, mas a nudez é adornada com pintura e arte.

O único lugar em que peitos foram sempre permitidos e muito bem-vindos é no mundo pornográfico. O patriarcado aceita os peitos enquanto num contexto erótico, feito para satisfazer o público masculino. Quando o contexto é diferente - um topless na praia ou uma simples amamentação - isso ataca o patriarcado, ataca sua objetificação do corpo feminino.

Essa ideia de erotização dos peitos nos faz reconhecê-los como órgãos sexuais. E por que seriam, visto que sequer participam na reprodução? Essa visão furada é mais uma construção social. Em sociedades indígenas as mulheres ficam com os peitos de fora, como todo mundo. Ninguém fica encarando, ninguém assedia. Qual é a diferença da cultura indígena para a cultura urbana moderna? A visão que criam do corpo humano!

Uma sociedade patriarcal molda as pessoas para serem machistas. Homens são ensinados a verem os peitos como órgãos sexuais e de uma maneira sexualmente compulsiva. E mulheres são ensinadas a esconderem os peitos para evitarem transtornos e até abusos (afinal qualquer ataque é culpa delas, segundo a sociedade ¬¬).

E os peitos masculinos? Bom, eles existem, de certa forma. Apenas são mais retos ou menos volumosos. E, claro, são permitidos de se mostrar. Eles aparecem na rua, na praia, na mídia, enfim. Ninguém polemiza. Qual é a diferença? Só se for o tamanho.

E uma última observação: o problema real não está nos peitos serem vistos, e sim como são vistos. O corpo masculino é admirado por quem atrai, e a mesma coisa sempre ocorrerá ao corpo feminino. Dar uma olhadinha não é pecado. O erro está na erotização, na malícia. E esse mesmo erro estimula o assédio, que acontece mesmo com os peitos escondidos.

Precisamos deixar os peitos livres dessas restrições.
Direitos iguais a todos os corpos!
Desconstruir o patriarcado é libertação; libertar o espírito, a mente e o corpo.



8 de mar. de 2016

"Dia das Flores"

Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

Eu particularmente prefiro dizer que é o Dia Internacional da Mulheridade, para contemplar todas as classes femininas - a mulher cis, a mulher trans (transexual e não binária), a travesti, enfim todas as pessoas que se identificam com a feminilidade.

Hoje é o dia da mulher de todas as cores, orientações sexuais/românticas, etnias, tamanhos, idades, corpos e condições.

Hoje não é apenas o dia das mulheres com vagina ou com cromossomos XX. Vagina é só um órgão e cromossomos são apenas aspectos genéticos. Nada disso determina o ser mulher. A anatomia e a fisiologia não determinam nossa essência.

Como de costume, as pessoas (especialmente os homens) usam o dia de hoje para homenagear as mulheres com flores. Sim, flores. Que lindo, não? Não estou tirando sarro. Flores são bonitas e são um belo presente! 🌸

Todas merecem uma flor:

A mulher que é mãe, avó, tia, filha, prima, etc. 🌸
A mulher dona de casa ou solteira. 🌸
A mulher que estuda, que trabalha, ou que faz ambos. 🌸
A mulher ateísta, agnóstica, cristã, judia, muçulmana, etc. 🌸
A mulher que luta diariamente para viver, para manter-se, para proteger quem ama. 🌸
A mulher feminista que acredita e deseja um mundo melhor. 🌸

Todas merecem flores. Mas não apenas flores. Flores não bastam.

As flores não conquistam direitos, não promovem igualdade, não dão empoderamento, nem espalham a sororidade. Flores são só presentes afetivos. Aliás, qualquer um pode comprá-las. Do que adianta dar flores hoje e amanhã voltar a assediar a mulher na rua, a agredir física ou verbalmente, a fazer discurso machista e de ódio?

O dia de hoje não é apenas uma homenagem. É uma conscientização da figura feminina na História. Não devemos lembrar apenas hoje das mulheres, mas lembrar todos os dias! E não dar apenas flores, mas dar também respeito, dedicação, apoio, reconhecimento, direitos iguais e oportunidades.

A luta das mulheres continua, hoje e em todos os dias do ano. A luta que elas travam contra a opressão e a favor de um mundo justo e libertário. Todas são guerreiras, de uma forma ou de outra. Sempre foram. Elas lutam com a voz, o corpo, a inteligência, a resistência, até com armas se necessário.

Só quem é mulher compreende essa luta.



Segue abaixo duas imagens excelentes para uma reflexão:



E você, homem, já fez sua homenagem e sua reflexão?
O que é a mulher em sua vida? E como você coopera com um mundo melhor para ela?



Mais uma vez, Feliz Dia Internacional da Mulheridade 



21 de nov. de 2015

Dia da Consciência Negra

O que representa essa data no calendário?

Simbolicamente representa a luta contra o racismo, contra a exclusão da população negra na sociedade. Essa data surgiu em homenagem a Zumbi dos Palmares, um negro que foi escravizado e se tornou o líder do Quilombo dos Palmares. O Quilombo era uma resistência composta por escravos fugitivos da época. Séculos após a morte de Zumbi, o Dia da Consciência Negra foi criado como uma reflexão sobre a influência histórica da cultura africana e do povo africano no Brasil.

(Zumbi dos Palmares)

É impossível desconsiderar a vasta influência africana trazida para o Brasil. Além da economia do país ter crescido ao longo da História à custa de milhares de vidas, temos também as religiões e crenças africanas, como a Umbanda e o Candomblé. Essa influência está mais presente no Nordeste brasileiro, como na Bahia ou em Pernambuco.

O povo africano sofreu. Sim, sofreu muito. Mas deixou sementes aqui, que só floresceram após muitos anos de luta e resistência por parte de seus descendentes, que atualmente compõem mais da metade do país.

Há quem diga que o racismo no Brasil acabou. E dizem isso só porque pessoas negras não são mais escravizadas, tratadas como produto e trazidas em navios negreiros. Sinto lhe informar: a escravidão não acabou. Só não tem mais grilhões e chicotes, mas ainda está aí. Só não a enxerga quem não quer.

E mesmo tendo apoio de pessoas brancas, a população negra ainda sofre a opressão de todo um sistema que beneficia mais as pessoas brancas. Não importa se você, brancx, não comete o racismo; o preconceito ainda está presente, está no sistema.

Pessoas negras ainda não conseguem os mesmos empregos que pessoas brancas, ainda não têm as mesmas oportunidades. Essa parcela da população ainda é muito marginalizada. Quantas pessoas negras vemos numa escola ou numa faculdade particular? Quantas vemos em profissões de destaque, como medicina ou engenharia? Quantas estão no Poder Judiciário ou na política?

O Dia da Consciência Negra era um feriado nacional até 2011, quando foi sancionada uma lei que tornava facultativo ser feriado no dia. Na maioria dos municípios dos Estados ainda é feriado. Mas, infelizmente, nem todas as pessoas estarão de folga nesse dia, como os lixeiros, cuja maioria é composta por pessoas negras...

Não apenas nesse dia devemos lembrar do racismo e do sistema que beneficia mais as pessoas brancas, devemos lembrar todos os dias. E não apenas lembrar, mas fazermos nossa parte. 

O movimento negro lutará por seus direitos. 
E as pessoas brancas devem apoiar e questionar o sistema.

A classe oprimida deve lutar. E a classe opressora deve apoiar. 
Só assim criaremos uma sociedade realmente igualitária para todxs.



31 de out. de 2015

Enem 2015

Recentemente aconteceu no Brasil o famoso Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o programa do Ministério da Educação para avaliar o conhecimento dxs estudantes que terminaram o ensino médio. E faz parte dessa prova fazer uma redação. Todo ano o Enem exige um tema.

Pois bem. Para a alegria de muitas pessoas dos movimentos sociais e da esquerda política, a prova deste ano apresentou feminismo numa questão e pediu como tema da redação "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira".

Será que causou revolta naquela linda e maravilhosa parcela da população chamada direita ou reacionária? Claro que sim! Como não?

No primeiro dia de prova, uma questão de ciências humanas apresentava um trecho sobre uma feminista chamada Simone de Beauvoir e perguntava sobre sua contribuição para a formação do feminismo.

E no segundo dia tivemos nossa querida redação.

Não é novidade que a bendita parcela é contra o movimento feminista por causa de suas pautas sobre igualdade de gênero e empoderamento da mulher. Essa mesma parcela, a grande maioria composta por homens (pra variar, né?), prefere que a mulher continue desigual ao homem. Não apenas desigual; que continue sendo capacho, serva, brinquedo na mão da classe homem. Isso deve ser parte de um complexo de superioridade que o patriarcado constrói nesses homens.

O mais chocante dessa situação é perceber que abordar a violência contra a mulher também gera revolta, como se ofendesse alguém ou estivesse destruindo algo de bom. Por que esse assunto incomoda tanto? Será que o pessoal da direita gosta de bater em mulher ou ver mulher apanhando?

A violência está aí; nos jornais, na TV, na mídia em geral, na Internet, em tudo! É uma realidade. E não, não me venha dizendo "ah, homem também sofre violência". Eu sei que sofre, mas homem nenhum sofre uma determinada violência por causa de seu gênero. A mulher, sim!

E para piorar esse show de escrotidão, a direita associa esse tema com a esquerda, falando o mesmo besteirol de sempre sobre "doutrinação marxista" e "feminazismo" (um termo reacionário pra depreciar o feminismo). Lutar e expressar-se contra a violência agora é exclusividade da esquerda? Isso deveria estar acima de posições políticas, isso é uma questão humanitária! Nenhum tipo de violência contra qualquer classe de pessoa deve ser tolerado! 

E mais uma vez a direita atual do Brasil mostra sua verdadeira face: um grupo que não sabe o que é empatia e respeito e não deseja paz e tolerância no mundo. Ela provou novamente que é contrária a humanidade das pessoas.

Parabéns ao Enem por ter feito 7 milhões de pessoas pensarem a respeito desse tema!

Serviu também para mostrar o quanto a direita atual do Brasil está contra a mulher. Apenas espero que as mulheres que se dizem de direita percebam isso; a direita definitivamente não é amiga delas.



28 de jun. de 2015

Comentando uma notícia

No dia 26 de junho de 2015 foi anunciado que a Suprema Corte dos Estados Unidos havia aprovado, numa votação de 5 contra 4, a união homoafetiva em todos os estados do país. Antes a questão era dividida em estados que aprovavam e outros que não aprovavam. Agora isso acabou.

O mundo comemorou. O Brasil comemorou. Acompanhei toda a comemoração, e claro me juntei a ela. O que foi comemorado? Ora, um progresso! Os Estados Unidos, mesmo sendo um país predominantemente evangélico, nos ensinou a importância de não misturar religião e política. A bancada evangélica do nosso Congresso é a prova viva das consequências dessa mistura. Para um país, cuja influência repercute mundialmente, esse progresso poderá servir de exemplo para muitos outros países. O mundo precisa melhorar muito ainda... em alguns países a prática homossexual ainda é respondida com morte.

Aqui no Brasil vi muita festa. Fiquei feliz em ver o Facebook (entre outras redes) recheado de arco-íris para todos os lados. Foi maravilhoso!  Mas, como em toda comemoração a respeito do direito de minorias, tem aquela turminha chata e hipócrita para encher o saco. Muitos religiosos (como de costume) e muitos reacionários se opuseram a comemoração (muitos ainda alegavam que estávamos fazendo uma campanha!). Veremos qual foi a reação dessa vez (além dos xingamentos e da destilação gratuita de ódio irracional).

O maior "argumento" dessa turminha contra a comemoração foi que estávamos nos juntando nessa causa, mas que ninguém fazia nada sobre a fome no mundo. Rolou pelo Facebook uma imagem simplesmente repugnante, que era o de uma criança africana e esquelética coberta pelas cores do arco-íris. Ainda bem que tive a sorte de não ver essa imagem postada por alguém na minha TL. Se eu visse... ah, essa pessoa tomaria o maior esporro. Essa turminha (que além de hipócrita possui a capacidade de criar as máscaras mais escrotas para ocultar o preconceito velado) acha que não podemos lutar contra a LGBTfobia e contra a fome ao mesmo tempo. Ou se luta por uma, ou pela outra. Aliás, eu gostaria de saber qual a relação entre essas duas lutas! O engraçado é que bastou haver um progresso sobre direitos de minorias que a fome do mundo foi milagrosamente lembrada pelos setores reacionários, aqueles que são contra bolsa-família, que desviam de mendigos, sabe? Eu gostaria apenas de perguntar a esse pessoal que quer acabar com a fome do mundo onde eles estavam nos outros dias do ano? Por que só desde o dia 26 a fome do mundo se tornou uma questão urgente? Bem, vamos ver pelo lado positivo: a união homoafetiva é tão poderosa que fez os setores reacionários se lembrarem das crianças da África!

Como não gosto de bajular os Estados Unidos, quero esclarecer aqui e agora que o país não se tornou o país perfeito só por isso. É um país ainda muito racista, muito machista, e o apoio que pessoas transgêneras precisam ainda está faltando muito. A união homoafetiva apenas favoreceu gays e lésbicas, e talvez as pessoas bissexuais que optarem pelo mesmo gênero como cônjuge. É um país que ainda precisa melhorar, e muito. Imagina a gente, com esse retrocesso todo, com essa bancada maldita, com essa quantidade absurda de gente ignorante e intolerante!

Se o avanço em questão fosse em relação aos negros, ou qualquer outra classe de minorias, eu estaria celebrando, pulando e aplaudindo do mesmo jeito! Ainda seria um avanço maior do que nós brasileiros estivemos fazendo em pleno século XXI.

Deixa eu dizer outra coisa para a turminha: a nossa comemoração não apagou os demais problemas do mundo! A fome, o racismo, o machismo, a transfobia, a corrupção, etc etc etc ainda existem! Se essa turminha achou mesmo que pensávamos assim, então essas pessoas são de uma estupidez tão gigantesca que não encontro palavra na língua portuguesa para descrevê-la.

E essa mesma turminha também veio dizendo que virou "modinha" mostrar apoio à comunidade LGBT e ser tolerante. Caramba, que bom! Respeito e tolerância são modinhas que valem a pena seguir! Não tenha medo de seguir, viu? É libertador. E mesmo que algumas pessoas não sejam realmente tão a favor, pelo menos não está espalhando ódio.

Mas falando nisso, falando sobre as pessoas que não são muito a favor de verdade, não pude deixar de reparar em pessoas conservadoras colorindo a foto também. Não sei dizer se realmente apoiando ou apenas entrando na onda. Só um aviso para essas pessoas: colorir a foto do perfil do Facebook não reduz seu preconceito. Quem é conservador e não mudou a foto, eu dou parabéns: contudo e apesar de tudo, essa pessoa foi honesta. Agora para quem mudou... menos falsidade, ok? Não precisamos disso. Não mude apenas a foto, mude as atitudes também!

Novamente, parabéns aos Estados Unidos pelo progresso.
E que haja mais progressos para todos os movimentos sociais!
Não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro!