13 de dez. de 2017

Questões controversas #1

Dentro da comunidade LGBTQIAP+ há alguns pontos que geram opiniões divergentes e discussões que perduram até hoje, às vezes sendo abordados por pessoas de fora da comunidade (como a pauta HIV e as extensões das siglas).

Embora eu responda ou tente responder às questões apresentadas, posso muito bem discuti-las de maneira bem mais ampla e aprofundada em artigos posteriores.



"A bandeira arco-íris consegue representar todos os segmentos da comunidade 
ou no fim acaba sendo exclusiva dos gays?"

A bandeira foi criada por um ativista gay, Gilbert Baker, e sua intenção era criar um símbolo do "orgulho gay". Embora pessoas bi e trans estivessem inclusas na luta e nas pautas do movimento, o segmento que sempre teve maior visibilidade foi dos homens gays. Até hoje ainda há gente que resume "LGBT" a gay.

Ao longo do tempo os demais segmentos da "sigla oficial" foram reivindicando maior visibilidade e reconhecimento de suas pautas específicas. A bandeira "gay" foi aos poucos expandindo sua representação até ser reconhecida mundialmente como bandeira "LGBT".

(Bandeira LGBT+? Bandeira LGBT+ e gay? Bandeira gay?)

No entanto isso não é o suficiente. Há muitos espaços ditos LGBTs que são dominados por homens gays, que também reproduzem discriminações contra os demais segmentos. E quando esses espaços conseguem de fato alguma inclusão, acabam focando nos quatro segmentos do "LGBT" e excluindo os demais. Não é difícil encontrar pessoas lésbicas, bissexuais, transgêneros que não se sentem representadas pelo arco-íris; e menos difícil ainda encontrar intersexos, assexuais, etc que sentem o mesmo. Sim, é complicado...


"Pessoas aliadas devem estar na sigla, no caso na letra A junto com assexuais? 
E devem ter uma bandeira?"

Não é incomum ver alguns grupos e algumas organizações adicionando aliad@s em extensões da sigla, colocando esse segmento ao lado de assexuais. E sim, existe uma bandeira para essas pessoas.

Antes de tudo, a formação da bandeira já é controversa porque ao fundo está a "bandeira hétero" (essa coisa de listras brancas e pretas, parecendo uma roupa de prisão).


Bom, é quase unânime os posicionamentos contra a inclusão. Os argumentos são simples e nem precisam de uma explicação elaborada: os segmentos na sigla são as pessoas discriminadas e oprimidas por sexualidade, romanticidade, gênero e sexo biológico; com isso, quem está na sigla são protagonistas de uma luta social e política; e alid@s mesmo podendo ser alvos de eventual repreensão nunca perderão seus direitos e privilégios (além de nem serem uma identidade!). 

E respondendo à segunda pergunta, não vejo real problema de haver uma bandeira. Mas vale lembrar que bandeiras são usadas como símbolos de orgulho, e quem tem algum orgulho é quem enfrenta diretamente uma opressão. Que opressão aliad@s vivenciam?


"Pessoas hétero-cis têm algum lugar na comunidade? (sem ser aliança)"

A comunidade que sempre forneceu um lugar é a queer. A identidade queer sempre foi muito diversa e engloba toda pessoa fora dos padrões sociais. Com isso, pessoas hétero-cis que não se encaixavam ou se rebelavam contra as normatividades eram queers. A comunidade queer sempre foi aberta para homens hétero-cis afeminados e mulheres hétero-cis masculinizadas, assim como para quem teve experiências homoafetivas ou bicuriosas (hétero-flexíveis).

No contexto atual, considerando a comunidade arromântica na letra A junto com assexuais (ou mesmo considerando A como "espectro-A"), pessoas hétero-cis arromânticas também podem ser incluídas como parte da comunidade - pois estão no espectro arromântico. Esse tópico é um pouco controverso, mas a inclusão estará sempre disponível.

Se o grupo poliamorista fosse adicionado como uma identidade exclusiva (mais uma letra P), também poderia-se incluir héteros-cis nesse grupo. Porém há controvérsias sobre relações poliamorosas entre homens hétero-cis com mais de uma mulher.



Aguardem para mais questões como essas!



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