27 de ago. de 2018

Não-conformidade de linguagem

Decidi criar o conceito de não-conformidade de linguagem (NCL), que é o ato de utilizar pessoalmente uma linguagem que não seja socialmente aceita ou imposta por um sistema.

Criei o termo me baseando na não-conformidade de gênero (NCG), cujo conceito é uma pessoa com uma expressão de gênero não esperada pela sociedade.

Assim como o gênero é imposto de acordo com o sexo biológico, a linguagem é imposta de acordo com o gênero. Para o sistema, homem deve usar o/ele/o e mulher deve usar a/ela/a. E não existem outras linguagens além dessas.

O termo NCL inclui:

- toda pessoa que usa algum conjunto de neolinguagem (-/elu/e, x/elx/x, a/éle/-, etc);
- pessoas binárias ou não-binárias que usam as linguagens a/ela/a e o/ele/o;
- pessoas binárias que usam a linguagem normalizada "não esperada": mulheres que usam o/ele/o e homens que usam a/ela/a;
- pessoas que usam outras opções mais incomuns como pronomes, como emoji;
- quem não usa nenhum pronome ou nenhuma linguagem.

Esse termo pode ser usado mais politicamente para quem quer reafirmar sua inconformidade com as linguagens normalizadas e impostas pelo sistema, ou apenas como um descritor para quem considera útil ou agradável.

Ser não-conformista de linguagem também é um ato político, também é desafiar normas, e também é uma demanda social - principalmente e quase exclusivamente de pessoas não-binárias.

O conceito pode ser aplicado para outras línguas; logicamente fazendo as adaptações necessárias. Por exemplo, o inglês não tem conjuntos, apenas pronomes. E embora they seja aceito como pronome singular neutro, ainda está fora das expectativas sociais, e seria incluso nos três grupos citados acima.

Pessoas que moram em países com uma só opção de linguagem/pronome, ou pessoas que moram em algum país ainda sem outras opções, e que não se conformam com a linguagem disponível (mesmo usando-a!) também podem se dizer NCLs.

Esse conceito também pode incluir o uso de neologismos (novas palavras) criadas como alternativas para conjuntos binários específicos, como mi (meu/minha), bone (bom/boa), princis (príncipe/princesa), mai e pãe (pai/mãe) etc.

Enfim, está aí para quem quiser.



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